André Cirne Lima de Lorenzi

Fotos: Christiano Cardoso/Sports Mag  //

 

Dedi é o atual 4° nadador do mundo pelo ranking da Fina Masters. Em meio a sua mudança para o Rio de Janeiro neste mês de maio, conseguimos uma horinha para fazer esta entrevista exclusiva e mostrar que aqui no Sul temos atletas de altíssimo nível, mas infelizmente pouco reconhecidos.

Dedi, como é conhecido, começou muito cedo na natação, quando tinha apenas cinco anos de idade, no Grêmio Náutico União (GNU). Tudo por incentivo da sua mãe, que não queria repetir o susto que levou quando seu irmão mais velho quase se afogou em uma piscina quando ainda era criança. Depois disso, Dedi continuou sendo incentivado pelos seus três irmãos mais velhos, mas foi o irmão Eduardo quem mais o motivou, pelo fato de ainda ser um grande nadador. E desde então, Dedi nadou e contou muitos azulejos (gíria entre os nadadores) pelo Brasil. Ele avisa que não pretende largar o esporte tão cedo – na verdade, não pretende largá-lo nunca!

 

Bate-bola com Dedi:

Nome completo: André Cirne Lima De Lorenzi.

Idade: 31.

Nascimento: 02/11/1979.

Apelido: Dedi.

Hobby: Surfar.

Livros: “Semente da Vitória”, do Nuno Cobra, e “Sem limites”, de Michael Phelps.

Sonho de consumo: Surfar no Taiti.

Família é? A base  de todas as minhas conquistas.

Entrevista:

Dedi, como foi o seu início no mundo das águas? Foi vontade própria ou a família deu aquele empurrão?

Comecei muito cedo, tinha apenas cinco anos de idade, no GNU. Foi por incentivo da minha mãe, pois meu irmão mais velho sofreu um acidente e quase se afogou na piscina. Depois disso, continuei sendo incentivado pelos meus três irmãos mais velhos. No entanto, foi o Eduardo quem mais me motivou, porque ele foi, e ainda é, um grande nadador.

Na sua família há alguém que pratica esportes?

Todos praticam esportes como exercício e profissionalmente. O Lisca e o Jorge são técnicos de futebol e de natação, respectivamente.

Quem foi o seu primeiro treinador?

Foi o João Maia, no GNU.

Quem é o Dedi?

No aspecto profissional, me considero uma pessoa dedicada aos meus objetivos. Procuro ajudar meus amigos e familiares sempre que posso. Hoje em dia, as prioridades nas minhas decisões são o meu filho e a minha mulher.

Quais os seus principais títulos na natação até hoje, se é que tem como citar, pois sabemos que são muitos?

Campeão Estadual Absoluto Catarinense 2003-2007 (50 m peito, 100 m livre);

Campeão Estadual Absoluto Gaúcho 2009 (50 m livre – considerado o atleta gaúcho mais veloz do ano);

Campeão Estadual Master Gaúcho 2008-2010 (atual recordista nas provas de 50 m, 100 m e 200 m livre, 100 m medley, 100 m borboleta);

Campeão Sul-Brasileiro Master 2009-2010 (atual recordista nas provas de 50 m e 100 m livre);

Campeão Brasileiro 2009-2010 (atual recordista dos 100 m livre);

Campeão Sul-Americano 2009 (50 m costas, 50 m e 100 m livre – atual recordista dos 100 m livre);

Entre os quatro primeiros do mundo no ranking da Fina Masters em 2010.

Você teve ou tem algum atleta como referência no seu estilo de natação?

Sim, o Alex Popov.

Tocando nesse assunto, quem é o seu ídolo na natação? 

Matt Biond, Alex Popov e, hoje em dia, Cesar Cielo, que são nadadores de 50 e 100 m livre.

Como você analisa a atual situação da natação aqui no Brasil?

Acho que melhorou bastante, mas ainda tem muito a aprimorar. Agora, com as Olimpíadas que estão por vir, acredito que haverá um maior incentivo do governo e do setor empresarial.

O nosso país possui boas piscinas de treinos e competições, em comparação com EUA e Europa?

Temos bons clubes e piscinas. No entanto, não há comparação com a estrutura desses países, que possuem centros de treinamento e universidades que investem muito na natação.

O que é preciso para ser um atleta de ponta da natação hoje? É quase que uma regra ter de treinar fora do país?  

É preciso estrutura de clube e comissão técnica completa, e muita dedicação do atleta. Não acho que seja uma regra, mas as condições oferecidas fora do país são muito melhores, fazendo com que os atletas queiram nadar fora.

Hoje você treina onde, e quem é o seu treinador?

Treino na ALJ com o ex-técnico da seleção brasileira Daniel Geremia, grande treinador e amigo, e conto com a ajuda do técnico da equipe máster, Marcelo Ritzel.

Você acha que podemos ter ainda uma hegemonia na natação?

Acredito que sim. Estamos evoluindo muito na natação brasileira, já temos um campeão olímpico e outros grandes nadadores que já estão aparecendo no cenário mundial.

Como os nadadores de fora olham os brasileiros nas competições? Existe respeito ou ainda rola preconceito?

Acho que existe um grande respeito, que cresce gradativamente conforme as conquistas dos nossos atletas, isto é, existe muito mais respeito do que preconceito.

Você é o atual 4° do mundo na categoria Máster. Sabemos que isso é muito valorizado nos países de primeiro mundo, mas por que você acha que aqui as pessoas não valorizam tanto assim?

Acredito que não haja tanta valorização pois, culturalmente, o Brasil é o “país do futebol”, o que tende a deixar os outros esportes em segundo plano. Porém, essa mudança de mentalidade está acontecendo aos poucos, devido às ultimas conquistas na natação.

Para finalizar, qual a sua dica para essa gurizada que quer iniciar no esporte, mas ainda prefere curtir as baladas?

Se você quer ser um atleta de ponta, não há como conciliar vida noturna com os treinamentos necessários para ser um campeão. Agora, para aqueles que querem apenas praticar a natação como esporte, não vejo nenhum problema nas baladas, contanto que haja moderação.