6 de novembro de 2013

Andrea Lopes

Esporte: Surf

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Diário de uma campeã

Por Ana Balardim :: Fotos: Mídia Bacana/Divulgação

Andrea Lopes, 37 anos, surfista profissional desde 1991, é uma das pioneiras no surfe feminino profissional no Brasil. Foi a primeira brasileira a vencer uma etapa do Circuito Mundial da ASP, em 1999 (Rio Marathon Surf); é pentacampeã brasileira amadora (1988, 89, 90, 98 e 99), tetracampeã brasileira profissional (1999, 2000, 2001, 2003 e 2006) e campeã pan-americana (Argentina, 1999). Grande incentivadora do surfe feminino no Brasil, já passou por 25 países ao redor do mundo. Foi a única surfista feminina no longa-metragem Surf adventure I e participou do filme de surfe Mentawaii – Mental Way (em DVD), que foi lançado em 2011. Quer mais? Tem! Andrea Lopes abre seu diário para a Sports Mag, contando toda sua trajetória no mundo do surfe.

1987 – Primeira competição na praia da Barra da Tijuca. “Ganhei o campeonato e fui a maior surpresa das surfistas femininas, pois meu estilo sempre foi mais radical do que o delas. Peguei o patrocínio da Oxigênio, e em 1988 começaria a competir em todos os campeonatos.”

1988 – Aos 14 anos, campeã brasileira amadora e campeã carioca do Circuito Sea Club. “Entrei para equipe da Redley. Comecei a viajar pelo Brasil competindo. Fui bicampeã brasileira e bicampeã carioca. Participei do Mundial na Costa Rica pela equipe do Brasil, e ganhei, e me consagrei campeã pan-americana.”

1990 – 17 anos de idade. “Fui para a Austrália, ainda no início do ano, competir no Circuito Mundial da ASP. Se pegasse a premiação em dinheiro no campeonato, viraria atleta profissional. Foi o que aconteceu. Fiquei em 9ª e 5ª nas etapas, virei atleta profissional e não podia mais competir no Brasil.”

1991 – “Fiquei em 14° lugar no ranking mundial. Fazia parte das TOP 16 do mundo (elite mundial). Comecei a ficar muito radical com tudo: alimentação, treinos, vida social etc., tudo para ser campeã mundial.”

1994 – “Competi em poucas etapas do Circuito Mundial, estava mau de saúde, pesando 39 kg, e fui obrigada a abrir mão de competir durante algum tempo. No final do ano, minha mãe, meus patrocinadores da época e o Marcos Conde (técnico) me deram todo o suporte para que, no ano de 1995, eu me cuidasse melhor.”

1996 – “Voltei a surfar em fevereiro, e a Redley (patrocinador) me convidou para fazer surf trips (tirar foto e fazer um filme surfando). Fui para Baja Califórnia (deserto), Ilhas Fiji, Costa Rica e Havaí. Foi um ano de muita onda e motivação para o surfe. Já estava recuperada de tudo, com muita vontade de surfar, e comecei a fazer uma preparação física muito forte (triátlon, etc.). Hoje dou muito mais valor a minha vida no geral e tenho muito mais prazer em surfar e viver! Nesse ano as regras mudaram, e tanto profissionais como amadores podiam competir no Circuito Mundial da ASP, no Mundial Amador (que passou a ser ISA Games) e no Circuito Brasileiro Amador.”

1997 – “Voltei a competir no Brasil, fui tetracampeã brasileira amadora. Todo mundo vinha me parabenizar por ter me recuperado bem. Passei a falar muito sobre a anorexia (com muito orgulho da minha superação). Fui campeã do Circuito Paulista.”

1998 – “Fui vice-campeã brasileira e fiz parte da equipe brasileira que foi para Portugal no Mundial da ISA Games, que acontece de dois em dois anos. Fiquei em 5° lugar. Fui bicampeã do Circuito Paulista. A vida e o esporte tomaram outra proporção na minha cabeça, e não estava mais seguindo meus treinos exaustivos e sem prazer em busca de uma meta. Procurei o equilíbrio em tudo, e as coisas começaram a fluir ainda mais!”

1999 – “Fiquei no Brasil e acabei sendo convidada para competir na etapa do Mundial que aconteceria aqui… O resultado foi inesperado… Primeira brasileira a vencer uma etapa do WCT, prêmio destaque do Sportv, enfim, melhor ano da minha carreira! No Fantástico (TV Globo), falei bastante sobre minha volta por cima, de saúde e de vencer uma etapa do Mundial após cinco anos sem competir nessa competição.”

“Os valores tinham mudado totalmente na minha cabeça! Continuava a treinar bastante ‒ sem exageros, mas treinava e conciliava isso com minha vida pessoal, algo que, em plena adolescência e no auge da doença, havia esquecido! Ano de muito aprendizado. Após essa vitória, pude falar na mídia e, com certeza, ajudar muitas adolescentes.”

2000 – “Fui campeã brasileira do Super Trials! Aconteceu a divisão Amador-Profissional no Brasil, e, a partir daí, nós (profissionais) não podíamos mais competir em campeonatos amadores.”

2003 – “O resultado desse ano foi muito positivo em relação aos projetos que sonhava fazer. Estava cansada das competições e, em janeiro de 2003, criei a clínica Girls Go Surf, com sucesso total! Fui para as Maldivas e Fernando de Noronha fazer imagens para meu filme (em DVD), que comecei a produzir de forma independente.”

2005 – “Terceiro ano da clínica de surfe. Mais sucesso! Quebrei o nariz no meio do ano, prejudicando meu desempenho no Supersurf. Fui ao Peru e à Costa Rica durante o ano e competi no Supersurf, ficando em terceiro no ranking.”

2006 – “Acabei o ano como tetracampeã brasileira profissional. Também recebi convite da Playboy e fui fotografar em novembro de 2006.”

2009 – “Foco total para mais um ano de Supersurf. Comecei o ano treinando na Costa Rica, bastante focada e com objetivos claros em mente! Meu foco estava em vencer ou vencer! Estava há três anos na empresa Antiqueda e com sucesso em todas as ações fora e dentro d’água. Das cinco etapas, fiz quatro pódios e perdi o título de pentacampeã profissional por apenas 20 pontos. O plano B da vida entrava em ação, e concentrei minhas energias em palestras e eventos que aconteciam em paralelo à minha carreira. Fui vice-campeã brasileira profissional.”

2010 – “Competindo pelo Brasil e representando o país no Mundial Master, fui ao Panamá com a missão de representante nessa nova categoria que mais cresce no mundo.”

2011 – “Fui convidada pelo meu patrocinador principal para eventos no Brasil. Participei de diversas palestras, workshops e clínicas de norte a sul do País. Em paralelo, fiz minha formação como personal &professional coaching e abri, em sociedade com Amanda Figueira. Fiquei em terceiro lugar no Mundial Master em El Salvador, e wild card na etapa WCT no Rio; foram meus únicos eventos do ano. Me despedindo das competições, o mundo se abriu de outro lado ‒ nasce e se fortifica a ARTIGOa, em que duas forças se somam em busca de um mesmo sonho.”

2012 – “Foco na empresa nova e novos horizontes!”