13 de dezembro de 2013

Daiane Petry

Esporte: Kart

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Por  Andréa Spalding :: Fotos: Diego Larré  //  

Tendo começado nas pistas de corrida aos 23 anos, no kart de aluguel, também conhecido como kart indoor, a gaúcha Daiane Petry, de Ivoti, hoje com 27 anos, é corredora profissional há um ano. Suas primeiras aceleradas foram no autódromo de Tarumã, em Viamão (RS), passando, depois, a correr no kartódromo do Velopark, em Nova Santa Rita (RS). “No primeiro ano, corria pouco, pois, como não tinha muitas amigas que se interessavam por esse esporte, era difícil fechar um grupo. Com 24 anos, conheci meu atual noivo, Rogério Fritsch, que também gostava de correr. A partir daí, corríamos juntos e com bastante frequência”, conta ela para a equipe de reportagem da Sul Sports.

Em 2010, Daiane ficou sabendo que o Velopark promoveria um campeonato para pilotos amadores que corriam no kart de aluguel. E ela, no mesmo instante, fez sua inscrição. Na terceira etapa da competição, já tinha conquistado o lugar mais alto do pódio, superando 117 homens e duas mulheres. “Com a vitória, meu noivo e meus irmãos, que já foram pilotos de motocross, me incentivaram para correr profissionalmente de kart. Aí, no começo de 2011, eu e Rogério adquirimos um kart e passamos a correr profissionalmente.”
Paixão à primeira acelerada – Daiane relembra que entrou num kart pela primeira vez a convite de amigos. “Como sempre gostei muito de esportes diferentes, o pessoal me convidou para a experiência de correr num kart de aluguel, e claro, aceitei de cara. Já na primeira volta, ou melhor, na primeira acelerada, me apaixonei por esse esporte, que passou a ser um vício maravilhoso em minha vida.” Além do kart, ela também joga tênis e futebol de salão semanalmente, mas confessa que as pistas proporcionam uma sensação muito diferente da sentida por qualquer outro esporte que já tenha praticado. “A adrenalina que sinto correndo de kart não tem igual, fico muito próxima ao chão, e a sensação de velocidade aumenta! Há curvas muito fechadas após longas retas, o que exige frear no momento certo, sem falar que muitas vezes tem um kart colado atrás do meu e outro também na minha frente, o que me faz ter uma atenção redobrada, pois todos precisam frear praticamente ao mesmo tempo. Nesse sentido, a corrida requer muita concentração e treino. Qualquer erro pode ser crucial, uma vez que o kart atinge uma velocidade de até 115 km/h, e a única proteção que tenho naquele momento é o capacete”, disse Daiane, com a adrenalina das pistas presente em sua voz, enquanto falava.
Treino e vestimenta – A corredora costuma treinar nos fins de semana, e de duas em duas semanas, quando tem campeonato, se prepara no sábado, para correr no domingo. O treinador de Daiane, que também é o preparador de kart dela, é o Neco Fornari, da Kartsul Competições. Ele, que já foi piloto alguns anos atrás, correu o Pan-Americano, em 1982, ao lado de Ayrton Senna, ficando com o vice-campeonato. Fornari também treinou a primeira campeã de kart do Brasil, em 1984. Quanto à vestimenta para correr, além do capacete, é obrigatório o uso de macacão, sapatilha apropriada para o kart e luvas. A atleta ainda utiliza protetor de pescoço e de costelas. “Isso porque é normal o piloto de kart quebrar a costela, eu mesma já quebrei uma no ano passado.”
Campeonatos – Neste ano, Daiane e seu noivo, Rogério Fritsch, já correram o SKB (Super Kart Brasil), em Interlagos (SP), no kartódromo Ayrton Senna, consagrando-se vencedores. “Esse campeonato é um dos maiores do Brasil, para o qual a nossa categoria (fireball) teve o privilégio de ser convidada. Para vocês terem ideia da importância da prova, um dos pilotos que competiu, porém em outra categoria, foi o Nelsinho Piquet”, contou ela. O casal ainda participou de uma etapa do Open Day, em fevereiro, realizada sempre no kartódromo de Tarumã, conquistando novamente a primeira colocação; em março e maio, também participaram das duas primeiras etapas do Regional da Serra, a qual eles lideram neste momento, e em junho o casal participou do SKG (Super Kart Gaúcho), em que novamente ocuparam o lugar mais alto do pódio, consagrando-se campeões. Neste último campeonato, o casal, além de levar a taça, ainda ganhou um prêmio especial: um teste na Fórmula 1.6.
Investimento – “Infelizmente é alto o investimento para correr de kart profissionalmente, e uma das grandes dificuldades é conseguir patrocinadores. Aliás, considero a principal dificuldade desse esporte. Fora isso, não vejo mais nenhuma. Correr de kart é um dos únicos esportes em que não existe diferença entre o homem e a mulher. Ambos têm a mesma chance nessa prática. Talvez em função do preconceito não tenhamos mais mulheres nas pistas”, ressaltou Daiane. Atualmente a corredora conta com dois patrocínios.
Rotina – Daiane, que mora com o noivo, tem um dia a dia bastante corrido. “Além de trabalhar, acabei de me formar em Administração.” Mesmo com todos os afazeres diários, ela segue jogando tênis e futsal durante a semana, e nos finais de semana é presença garantida nas pistas de kart, treinando ou competindo.

Já quando o assunto é sair à noite, ela é enfática: “Como o desgaste físico é muito grande nesse esporte, não tem como conciliar com baladas ou festas mais agitadas”, afirma, convicta de que sua vida não combina com “noite”.

Profissão e trabalho – “Minha profissão é na área administrativa; como trabalho numa empresa familiar, faço de tudo um pouco. Dessa forma, dou suporte para os departamentos financeiro e de custos, e como a empresa tem fábrica e comércio de roupas, planejo as compras e atuo também na área comercial, supervisionando o gerente-geral de lojas.”
Peculiaridade ‒ Quando perguntada sobre algo que tenha a ver com corrida de kart, Daiane sempre fala em “nós”, referindo-se a ela e ao noivo, Rogério. “Digo participamos porque, desde que comecei a correr profissionalmente, sempre corri com meu noivo, Rogério, como equipe, ou seja, corremos juntos, pois todas as competições são compostas por duas baterias. Nesse sentido, um corre a primeira, e o outro, a segunda.”
Sonho – “A vida é feita de sonhos, e a cada sonho realizado projetamos novos sonhos. Nesse sentido, meu maior sonho é poder continuar correndo de kart ao lado da pessoa que amo, buscando novas conquistas, e também continuar praticando os demais esportes e ter a oportunidade de conhecer novos.”