31 de janeiro de 2014

Graciele Herrmann

Esporte: Natação

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Por Laís Bozzetto

Ela não tem barbatanas ou nadadeiras, mas vive quase que em tempo integral dentro d’água. Pelo menos seis dias da semana são dedicados ao esporte nas piscinas. E se alguém pensa que isso é desgastante, se engana. Para a nadadora gaúcha Graciele Herrmann, o fato de nadar diariamente é algo muito prazeroso. A atleta, que treina no clube Grêmio Náutico União, vai representar o País nas Olimpíadas em Londres, neste ano. A paixão pelo esporte e o esforço depositado em treinamentos visando a competição já fazem parte da vida da nadadora de apenas 20 anos, que não se importa de abdicar das coisas comuns da sua idade. Afinal, como ela mesma diz, “Já me sinto um peixe, não consigo viver fora das piscinas”.

Como muitos atletas, Graciele Herrmann começou no esporte por um motivo talvez banal. Quando criança, não conseguia se defender dos “caldinhos” que levava dos primos mais velhos. Assim, disse à mãe que gostaria de aprender a nadar. Na ocasião, em janeiro de 2004, foi levada ao Clube Brilhante, em Pelotas, cidade onde morava na época. Foi amor à primeira vista. Aos 12 anos, quando começou a nadar, teve a ajuda do técnico Antônio Weymar para entrar na equipe principal do clube, e assim começou sua trajetória nas águas, participando de campeonatos estaduais e nacionais.

De Pelotas para a capital gaúcha foi um salto na carreira. A longa história foi impulsionada por um sonho pessoal da garota: “Todas as competições de que eu participava no GNU eram excitantes. O União tinha e tem uma estrutura muito boa para a natação, e isso foi decisivo para minha ida para Porto Alegre. Fui convidada a treinar no União depois de um período de treinamento de que participei, no período de férias no clube”.

A vinda para Porto Alegre, a mudança de clube e rotina acabaram contribuindo para a carreira da atleta, que não parou de crescer. Mas nem tudo foi tão fácil. Graciele considera o fato de ter saído de casa com apenas 14 anos um dos momentos mais importantes da carreira: “Eu nunca tinha saído de casa e, bem novinha, deixei meus pais, irmãos e amigos para morar num pensionato próximo ao GNU. Mesmo tendo como aspiração treinar no clube, sair de casa foi muito marcante, tanto pessoalmente quanto profissionalmente”.

Dentro das “quatro bordas”, Graciele não se esquece do Campeonato Brasileiro de 2006, em Fortaleza. Para ela, o desempenho que teve na competição foi crucial para o convite que recebeu do GNU. Na época, a atleta teve o apoio de amigos e lideranças da cidade para viabilizar a ida ao campeonato, já que enfrentou grande dificuldade financeira para conseguir comprar a passagem e se hospedar.

Prata no Pan e o sonho olímpico

Apesar da pouca idade, Graciele já leva na bagagem grandes feitos. Um deles foi a medalha de prata conquistada nos Jogos Pan-Americanos, em Guadalajara, no México, no ano passado. Segundo ela, subir ao pódio foi emocionante, e a medalha representa todo o esforço e treinamento que dedicou ao esporte: “É algo que todo atleta busca, uma medalha de nível olímpico”, explica.

Neste ano, a nadadora dará braçadas mais largas. Isso porque terá pela frente o desafio das Olimpíadas em Londres. Para conseguir bons resultados, Graciele começou as preparações para a competição logo após os jogos Pan-Americanos, com a busca dos três centésimos que faltavam para o índice olímpico. Sua rotina de treinamentos é pesada, mas ela afirma que, por gostar muito do que faz, acaba vendo só as coisas boas. Os exercícios são variados, passando por piscina, musculação, corrida e remo. A preparação para os Jogos Olímpicos teve também um treinamento de base e, depois, de altitude. Em La Loma, no México, ela vai trabalhar a parte da resistência e, por fim, vai fazer um trabalho técnico ‒ concentração, saída do bloco, técnica, entre outros.

Mesmo com tanta expectativa, Graciele prefere dizer que não está nervosa, mas sim com os níveis de adrenalina bem altos. Segundo ela, a cada dia que passa está aumentando essa ansiedade, e ela vai chegar ao seu ápice no dia em que subir no bloco e aguardar o sinal de largada.

Se a vida dessa atleta é dentro d’água, a natação para ela é tudo: “Acredito que a pessoa deve buscar aquilo de que gosta, e a natação é o que respiro todos os dias. Às vezes não consigo me concentrar em determinadas atividades, pelo fato de estar pensando em nadar. Natação é a minha vida”, desabafa a atleta, que representará o Brasil nos Jogos Olímpicos ‒ sem nadadeiras, mas com muita determinação.