13 de dezembro de 2013

Javier Alberto Oyarzabal

Esporte: Jiu-Jitsu

DSC_5635
DSC_5640
Cópia de DSC_5640

Texto: Laís Bozzetto :: Fotos: Christiano Cardoso  //

 “Pensar somente no melhor, trabalhar unicamente pelo melhor e esperar sempre o melhor.” Essa pode não ser uma frase conhecida por todos, mas seu autor certamente muitos sabem que é. Carlos Gracie é considerado o fundador do Brazilian Gracie Jiu-Jitsu (BJJ), e essa frase faz parte dos 12 ensinamentos do mestre. Lutar, pensar e esperar pelo melhor. Foi nesse embalo que, há cerca de quatro anos, o lutador Javier Alberto Oyarzabal, 31 anos, veio a Porto Alegre para aprender sobre o jiu-jitsu. De mala e cuia, saiu de Buenos Aires para primeiro desembarcar em Garopaba, Santa Catarina, lugar onde dava aulas de boxe. Mas foi a partir de um convite que os ventos mudaram a direção das velas. Sul do Brasil, terra dos pampas. Agora, um argentino um pouco gaúcho, nos tatames do mundo.

No sangue latino e na alma castelhana, encontra-se o amor pelas lutas marciais. Aos 18 anos de idade, no auge da adolescência, Javier Alberto Oyarzabal já treinava muay thai e boxe, mas muito antes já brincava de luta com seus três irmãos. Com 19, realizou sua primeira luta profissional de muay thai, totalizando três durante a carreira. Já como boxeador, lutou 24 vezes, parando de competir quando se mudou para o Brasil. Em Garopaba, dedicou-se exclusivamente à tarefa de professor de boxe na Academia da Praia. Mal sabia ele que outra grande paixão estava por vir: o jiu-jitsu.

Foi devido a um convite do mestre Walter Mattos para dar aula de boxe em uma academia de jiu-jitsu da capital gaúcha que Javier mudou os rumos da sua trajetória, tanto como professor quanto como atleta. O chamado para lecionar em Porto Alegre estava envolvido com a modalidade que já fazia parte da sua vida, porém o interesse pelo esporte do quimono o envolveria como uma dança de tango:

“Entrei na academia Sul Jiu-Jitsu, comandada pelo professor Fernando Paradeda, e conheci Vinicius Corrales, faixa roxa na época e vice-campeão mundial. Fechamos uma parceria na qual ele me ensinava jiu-jitsu e eu lhe ensinava boxe. Desde então, não parei mais de treinar”, conta Javier.

Daí os voos alcançaram alturas maiores. Como lutador de jiu-jitsu, Javier conquistou diversos títulos importantes, entre eles o Campeonato Sul-Brasileiro em 2010. Ele crê que é muito bom para o currículo e para a confiança de qualquer atleta ganhar uma competição significante como essa, porque há muitos atletas bem preparados e porque é o resultado que sempre se procura obter.

Já em 2011, foi a vez de o mundo árabe conhecer o lutador argentino. Javier foi vice-campeão no Abu Dhabi World Professional Jiu-jitsu Championship, campeonato que se realiza uma vez por ano nos Emirados Árabes. Durante o ano, ocorrem seletivas em diversos países. No Brasil são realizadas nas cidades de Gramado, do Rio de Janeiro e em Natal, e os campeões ganham passagem e estadia para ir competir. Em uma competição em que se encontram atletas do Brasil, da Coreia do Sul, do Japão, dos Estados Unidos, da Itália, do Canadá, da Argentina, da Suécia, da Austrália, da França e da Rússia, o Brasil foi quem teve mais títulos:

“Analiso o segundo lugar em um campeonato mundial como um bom título. Tive de fazer cinco lutas para chegar à final, e isso desgasta bastante. A minha primeira luta foi contra o campeão da Seletiva Abu Dhabi Austrália, que quase me finalizou no braço, porém consegui reverter a luta e ganhar. A segunda foi mais tranquila, contra um árabe, a terceira contra um americano e a quarta contra um brasileiro. A última luta foi contra um canadense, atleta da seleção canadense de judô. Fiquei muito feliz!”.

Mas os bons resultados não caem do céu. Segundo ele, é necessário treinar bastante, gostar do que faz e ter muita vontade de ser campeão. A sua preparação envolve dois treinos por dia, cuidados com a alimentação e o necessário descanso.

Adentrando o mundo do MMA

Uns chamam de modinha, outros preferem acreditar na ascensão da modalidade. A verdade é que o Mixed Martial Arts, mais conhecido como MMA, é um dos esportes que mais crescem no mundo. O esporte de combate do tipo full contact, que cobre uma diversidade enorme de técnicas de lutas, é uma evolução do que antigamente era conhecido por vale-tudo, e tem ganhado diversos adeptos pelo mundo. Javier não foge dessa estatística e, desde que começou a treinar jiu-jitsu, sempre pensou em lutar MMA:

“O sonho de todo lutador é lutar no UFC, maior e mais conhecido evento de luta do mundo. Também é uma forma de ganhar dinheiro”, explica.

O lutador conta que em 2011 começou a treinar MMA e jiu-jitsu sem quimono, com o mestre Fabiano “Boxer”, Thiago “Minu” e equipe na academia Combate Rider. Seus próximos desafios são a seletiva para o mundial Abu Dhabi 2012, o Sul-Americano de Jiu-Jitsu e duas lutas de MMA:

“Não é fácil conciliar treinos, trabalho e competições, mas, graças à compreensão e à ajuda dos meus alunos e colegas, consigo harmonizar tudo com muito esforço e dedicação. A principal dificuldade é conseguir se manter apenas com a luta. É muito difícil conseguir patrocínio, portanto tem que conciliar treino e trabalho. Mas os exemplos estão aí, de que, com muita vontade, se pode chegar longe”. 



Agradecimentos: 
Rafael Cestari (Copagra), André Gardini (Academia G10), Fisioterapia Preventiva, Academia Sul Jiu-Jitsu, Vinicius Corrales, Thiago Minu (MFT), mestre Fabiano Boxer e a todos meus colegas de treino e alunos.