10 de novembro de 2013

Luciane Potter

Esporte: SUP

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“Não abdico de nada, mas sim organizo e reorganizo”

“Stand up paddle é vida! Energia pura! Desafio instigante em que aprendemos a respeitar a natureza e o seu ritmo! Integração total!” Essa declaração, carregada de energia e empolgação, é da mais nova atleta do esporte, Luciane Potter, 43 anos, natural de Santa Cruz do Sul/RS, que hoje mora na capital gaúcha. 

“Comecei no SUP no ano passado, ou seja, tinha 42 anos, mas o que menos importou foi isso. Para começar algo que se quer, não tem idade! Em fevereiro de 2012, tive curiosidade sobre o esporte e decidi pesquisar a respeito. Percebi que precisaria de algumas aulas para aprender e fui, resolvi encarar. Em abril do mesmo ano, fiz um pacote de seis aulas com o atleta André Torelly Martins. Ele é campeão de SUP Race e representa nosso estado em competições no Brasil e no exterior. Certifiquei-me de que estaria aprendendo com o melhor atleta desse esporte no RS. Aí, depois de ter a aula teórica inicial sobre técnicas de remada, posição na prancha, pegada do remo etc., subi na prancha e comecei a remar, me senti plena, capaz de reconhecer a ondulação da água de uma forma como nunca havia notado! Senti-me capaz de remar com segurança, pois a prancha é larga e estável. E foi assim que tudo começou… Com paixão! Todos os dias a natureza está diferente. O vento muda. A corrente muda. Observar, conviver e praticar o esporte na natureza requer paciência e aprendizado”, afirmou a atleta, com emoção, ao falar com a equipe de reportagem da SPORTS MAG.

 

Stand up paddle – Luciane disse que o esporte – abreviado como SUP – surgiu nas praias do Havaí (EUA), assim como o surfe, e vem conquistando o mundo todo. Amparado por remo e prancha, o praticante fica em pé e pode apenas navegar sobre o mar, rio ou lago e até fazer algumas manobras sobre as ondas. A prancha de SUP é mais resistente, larga e maior que uma prancha de surfe, podendo variar de 9 a 12 pés ou mais. “É um esporte superdemocrático, pois qualquer pessoa pode praticá-lo, seja mais velho, novo, criança, gordo ou magro. É um esporte para quem sabe nadar e também para quem não tem essa habilidade, pois usará colete.”

 

Potencial para competição – Luciane contou que, nas seis aulas iniciais que fez, Torelly, seu professor, viu nela um potencial de competidora. “Convidou-me a treinar com ele, pensando no stand up paddle como esporte de alta performance. Naquele momento da minha vida esportiva, eu praticava muay thai (uma arte marcial originária da Tailândia, que se caracteriza por uma luta de contato usando punhos, cotovelos, joelhos, canelas e pés) todos os dias e pedalava pelo menos três vezes por semana. Desde adolescente pratiquei esportes diariamente, como dança contemporânea, natação em águas abertas e bike à noite. Além disso, sempre utilizei o pilates e o treinamento funcional para melhorar meu condicionamento físico.”

 

Treinos e rotina – “Há sete meses tenho treinos diários de SUP no rio Guaíba. Saio do Iate Clube, onde sou sócia-atleta, e deixo minha prancha na guarderia do clube, facilitando o acesso ao rio. Os treinos são divididos em velocidade e resistência, conforme planilha e orientação do treinador; SUP seis vezes por semana, treinamentos funcionais outras duas vezes na semana e ainda quatro quilômetros de pedaladas todos os dias. Em casa, tenho uma pequena academia onde faço alongamento e também um treino de chutes e socos no saco de pancada. Diariamente, o treinamento completo dura cerca de quatro horas. Acordo às 8h da manhã. Após um bom café, pedalo até o Iate Clube e inicio o treino de SUP. Depois, volto pedalando para casa. Almoço saudavelmente e descanso meia hora para iniciar meu trabalho, que faço de casa. À tardinha, realizo treino funcional, nas terças e quintas. Já nas segundas e quartas, pratico muay thai, e nas sextas-feiras, faço alongamento e saco (boxe) em casa. Trabalho até no máximo meia-noite. Tenho acompanhamento nutricional, sendo que em minha dieta o jantar e a ceia são fundamentais.”

Obstáculos e momentos marcantes – Entre as dificuldades que Luciane enfrenta diariamente em seus treinos, está também uma questão ambiental. “Temos que desviar de troncos, mochilas, bonecas, geladeira, sofá, bichos mortos, muitas coisas que boiam no Guaíba, infelizmente. Porém sempre costumo dizer que nosso verdadeiro adversário somos nós mesmos. Temos que aprender com o ritmo da natureza. Temos que nos adaptar às adversidades de cada local de competição. Em Florianópolis/SC, por exemplo, antes do campeonato o tempo estava perfeito. De repente, a direção do vento mudou… De lisinha, a lagoa passou a ter ondas de meio metro no quilômetro três, e ainda faltava mais um quilômetro e meio com vento contra até a chegada. Em Ilhabela/SP, durante a prova, choveu muito, a corrente marítima mudou, o vento era de 16 nós. Eu pensava, a cada onda: ‘Tenho que encontrar um corredor nesse vento’. Parecia que eu estava com a cola Super Bonder nos pés. Não caí da prancha, pois quem caía não conseguia mais subir. Era muita chuva, vento e ondas, muitos atletas desclassificados… e eu cheguei em segundo lugar! Superação total! Depois disso, acredito que as dificuldades do dia a dia são resolvidas assim, com a paciência e a determinação que tenho no SUP. Em Brasília, outro local em que competi, a dificuldade foi a baixa umidade, que estava em 30%. Senti-me muito mal, com dor de cabeça e latejamento, tive que me adaptar, diminuí a velocidade e consegui chegar em segundo lugar! E aqui no Sul, treinamos com 98% a 100% de umidade! Agora, para melhorar o rendimento e a performance, troquei de remo e prancha. Prancha Speed Model Wolw e remo Quickblade. A prática do SUP no mar também é fundamental, bem como alternar horários de treino para adaptar-me ao sol, vento fortes e marola alta.”

 

Vida pessoal, hábitos e organização – Quando comentou sobre sua vida pessoal, Luciane contou que foi casada por mais de 15 anos e que desse relacionamento tem uma filha linda. “E o nosso xodó, meu e dela, é a Pitanga, uma schnauzer míni de dez anos.” Ela enfatizou ainda que seu namorado é atualmente seu maior incentivador e apoiador incondicional para que realize seus sonhos. “Em nosso tempo livre, apreciamos boa mesa e bom vinho, e também gostamos de viajar a lugares onde podemos fazer trilhas a pé e de jipe. Fora isso, leio e escrevo muito. Como pratico esporte desde muito cedo, não penso em abdicar de algo pelo esporte ou pelo treino. Organizo minha vida de forma que o esporte esteja integrado com o ar que respiro. Não deixo de comer, beber, dormir ou fazer qualquer coisa que esteja a fim. Me organizo para ter uma vida com hábitos saudáveis. Educação alimentar é fundamental, por isso evito doces e saboreio todos os tipos de frutas, verduras, carnes, peixes e carboidratos, mas de forma balanceada. Vejo como alimento não só o que entra pela boca, mas também o sol, o amor e a vida que escolhemos. Dessa forma, não abdico de nada, organizo e reorganizo!”

 

Recado final – “Como mensagem final, digo que pra quem tem fé o céu não é o limite! Se você acredita, tudo é possível! Foco nos objetivos! Força para lutar! Fé para vencer! Minhas armas: sorriso no rosto, pensamento forte, cabeça erguida e esperança sempre! A vida vem com muitos desafios e escolhas. Um hábito não é uma necessidade. A escolha é nossa! Eu escolho bons hábitos! Quando praticamos o hábito de amar cada parte do nosso corpo, honramos e respeitamos o corpo imensamente! Manter o corpo em movimento é um dos principais segredos para uma vida saudável, alegre e cheia de equilíbrio. Alimentação saudável e exercícios não são luxo. É questão de saúde! Vida saudável com hábitos saudáveis. Adoraria viver do esporte, mas não vivo. Sou advogada, escritora, pesquisadora e investidora na área imobiliária, e junto com tudo isso, sou muito feliz com a vida que escolhi para mim!”

Advogada, formada pela Universidade Federal de Rio Grande (FURG), em Rio Grande/RS. Advogou na área criminal durante 11 anos e fez mestrado. Escreveu dois livros e vários artigos para revistas de direito, bem como lecionou em algumas universidades. No esporte, competiu como nadadora de águas abertas no circuito catarinense, conquistando boas colocações, alguns pódios e medalhas. Fez duas graduações pela Confederação Brasileira de Muay Thai como praticante do esporte.

No stand up paddle, tem seis pódios de segundo lugar na categoria Fun Race 12.2: no Aloha Spirit Festival de Florianópolis (as provas do Aloha Spirit Festival integram o circuito brasileiro de SUP Race), em novembro de 2012; no SUP Paddle Cross, em Porto Alegre, em dezembro daquele mesmo ano; no Aloha Spirit Festival em Ilhabela/SP, etapa de abertura do Circuito Brasileiro de SUP Race 2013; na segunda etapa do Campeonato Brasileiro de SUP Race, em Brasília (SOS Lago Paranoá); no Bahia SUP Race Pro, que aconteceu na praia do Sauipe, na Bahia, em 3 de agosto deste ano, ocasião em que também levou o segundo lugar na quarta etapa do Campeonato Brasileiro.

 

Por Andréa Spalding :: Fotos: Christiano Cardoso/Sports Mag