Rodil Ferrugem

Por Rafaella Malucelli  //

Rodil de Araújo Júnior, mais conhecido como Ferrugem, devido aos longos cabelos ruivos que ostentava no começo da carreira de skatista, fez recentemente um anúncio: vai parar de competir. Porém, como um grande atleta, antes de pendurar o “carrinho”, vai buscar o tricampeonato mundial; se conseguir, será o único tupiniquim a sustentar esse título.

“Este ano quero ainda conquistar o mundial e o meu 12º título brasileiro de skate street; penso em parar no final do ano de 2012. Já estou com 33 anos e hoje tenho uma família. Dediquei muito tempo da vida ao esporte, quero abandonar a carreira neste momento bom que estou vivendo”, conta o atleta.

Todo esse sucesso não é apenas fruto de talento em cima do skate, mas também resultado de muita paixão pelo que faz. O sentimento é de sonho realizado. Quando questionado sobre qual a principal lição que tirou nesse tempo todo de skate, a resposta foi “que o ser humano é capaz de realizar o que ele sonha”. E Rodil realizou.

Porém, abandonar as competições não significa abandonar o skate. De atleta, Ferrugem passará a empresário do esporte e dedicará seu tempo ao próprio negócio, sem esquecer, é claro, de curtir a mulher e a filha Vitória, de apenas seis meses. “Os planos são fortalecer minha marca Ferrugem Skate e minha fábrica de shapes, a Ferrugem Skateboard Factory. Quero aproveitar este ótimo momento que o skate está tendo comercializando meus produtos. Quero também ter minha escolinha de skate, pois terei tempo para me dedicar às aulas, além de montar minha turnê de apresentações”, explica.

UMA CARREIRA QUE ACONTECEU

Há cerca de vinte anos, praticar skateboard não era tão simples como hoje – quando o esporte tem destaque na mídia nacional e internacional, e muita gente ganha a vida com isso. Como um dos primeiros atletas brasileiros a despontar internacionalmente, Ferrugem conta que a maior dificuldade foi o preconceito e a falta de incentivo.

“Iniciei sob influência dos garotos da rua em que morava. Comprei meu primeiro skate com o dinheiro da mesada que meus pais me davam; desde então, gostei da brincadeira e continuei andando até virar o que sou hoje”. Rodil revela que aquilo que havia começado despretensiosamente virou a sua vida. “Aconteceu naturalmente. Eu fiz simplesmente o que me agradava em cada dia que ia surgindo na minha vida, que era andar de skate. Sempre amei fazer isso”, revela o atleta, que teve nos pais os maiores apoiadores, mesmo em épocas em que o preconceito predominava.

Para Ferrugem, a mídia ajudou muito a desmarginalizar o skate, mas não para todos: “A mídia colaborou muito para isso, principalmente com os eventos transmitidos ao vivo pela televisão, mas mudou para os ícones do esporte, pois a molecada que está dando continuidade ao trabalho da gente ainda sofre muito com o preconceito”, revela.

Em sua carreira, Ferrugem conquistou importantes títulos. É onze vezes campeão brasileiro Street Profissional, bicampeão mundial, bicampeão americano, e conquistou sete medalhas de ouro nos X-Games. Foi nos X-Games que o multicampeão teve a sua melhor memória da carreira: “Em 2004, o evento realizou três novas modalidades além daquela em que eu competia. Ganhei na minha modalidade e conquistei mais duas medalhas, uma na real street, realizada em obstáculos encontrados nas ruas, como escadas e gaps; e outra com a disputa de melhor manobra. Então saí do evento com três medalhas de ouro. Esse momento ficou marcado”, finaliza Rodil. Ele deixa um recado para aqueles que estão seguindo seus passos no esporte: “Desejo de vencer, amar o que faz, vontade de ser uma referência no esporte, dedicação. Essas são frases e palavras que poderão te ajudar ser um grande campeão”. São dicas de um superatleta que não servem apenas para o esporte, mas também para a vida!