10 de novembro de 2013

Simoninha

Esporte: Fisiculturismo

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De competidora de aeróbica a atleta de fisiculturismo. Vinte e um anos de musculação e muito treino

Cheia de histórias para contar, apaixonada por sua família, a quem diz de coração aberto para quem quiser ouvir que deve muito pela educação e formação que teve, a atleta de fisiculturismo, também bacharel em Educação Física e Direito, Simone C. de Oliveira, conhecida e chamada carinhosamente de Simoninha, conversou com a equipe de reportagem da SPORTS MAG contando um pouco de sua trajetória até se tornar atleta. Ela, que é natural de Maringá, localizada no interior do Paraná, onde nasceu, cresceu, formou-se em Direito e Educação Física, residindo lá até o começo de 2011. Quando tinha 33 anos, mudou-se para Porto Alegre nos primeiros meses daquele ano, iniciando, efetivamente, no fisiculturismo pelas mãos do personal trainer Cláudio Freitas, quem havia conhecido em 2008. 

 

SPORTS MAG – Fale-nos um pouco de suas atividades antes de ser atleta de fisiculturismo.

Simoninha – Venho de uma família tradicional, em que importantes valores me foram passados, dentre eles, que Deus, família, respeito e estudos são primordiais para o crescimento do ser humano em questão de caráter, aprendizado e civilização. Em casa, quase todos são juristas ou vieram do Direito, o que acabou me influenciando por essa área, motivo esse que me levou a fazer Direito como primeira opção de carreia na época em que cursei. Porém, agora, não o exerço mais como minha principal profissão, e sim como atividade paralela, juntamente com meu pai, o advogado, professor universitário e doutor na área do Direito Civil, José Sebastião de Oliveira.

Também sou formada em piano clássico, curso que fiz por 11 anos. Tocava as mais belas sinfonias e orquestras compostas pelos mais renomados artistas musicais. Mas, pelo fato de sentir que não tinha o dom de ser uma pianista, resolvi não seguir a carreira. Além do que, todos os professores eram unânimes em afirmar que minhas mãos eram muito pesadas para ser uma pianista… Por que será, hein…? (risos).

 

SPORTS MAG – Quando você começou a ter olhos para musculação, corpo, exercícios…?

Simoninha – Tudo começou aos 14 anos, quando entrei pela primeira vez em uma academia. Meu irmão fazia judô e me levou para conhecer, foi amor à primeira vista. Nessa época, todas as minhas amigas faziam balé, sapateado ou jazz, e eu era a única que não gostava de nada disso. Aí fui fazer aeróbica e, em apenas seis meses, já havia sido chamada para participar de grupos de dança e também dos campeonatos de aeróbica, justamente por ter facilidade de aprender, decorar as coreografias e encaixá-las certinho no tempo musical. Claro que esse privilégio que considero ter foi devido à musicalidade e ao ritmo que adquiri com o curso de piano clássico.

Então, com apenas 14 anos, já estava competindo na aeróbica. Porém me faltava maturidade e, por isso, teria que buscar algo específico que pudesse me aprimorar e me dar força muscular. Assim, no mesmo ano, iniciei na musculação para ganhar força e um pequeno aumento da massa magra. Minha categoria era unificada, individual feminina de aeróbica, ou seja, entrávamos todas juntas, independentemente de peso, estatura, idade. E eu, apesar de muito novinha e sem experiência alguma, já competia com mulheres experientes e fortes em minha categoria, conseguindo o feito de ganhar um campeonato paranaense e, assim, me classificar para o brasileiro.

Mas foi na musculação, por causa da aeróbica, que descobri e encontrei minha verdadeira paixão e dom. Dessa forma, um pouco depois, abandonei a aeróbica e permaneci na musculação até os dias atuais, já acumulando 21 anos de treinos de musculação.

 

SPORTS MAG – E ser atleta de fisiculturismo especificamente, quando isso entrou em sua vida?

Simoninha – Quando decidi trocar de profissão, de advogada para educadora física, foi que descobri o fisiculturismo, mas ainda era superficialmente, pois tinha começado recentemente a frequentar palestras, workshops e cursos. E isso me instigou a querer saber das modalidades e tentar descobrir em qual das categorias me enquadraria.

Em 2008, conheci o personal trainer Claudio Freitas, de Porto Alegre, mas só fui residir na capital gaúcha no início de 2011. Claudio foi quem me iniciou no fisiculturismo. Ele me ajudou muito, principalmente com treinos, dietas e dicas enriquecedoras para quem almeja competir, já que na minha cidade, Maringá, ninguém competia, nem tinha conhecimento do mundo que envolvia essa área.

No entanto, eu ainda não tinha decidido em qual categoria iria entrar, estava entre bodyfitness ou bodybuilder.

Pensei, analisei e levei em conta vários fatores até que me decidi pela categoria bodybuilder feminina. Nela, as mulheres são mais musculosas e ao mesmo tempo mais definidas, apresentando no palco simetria, densidade, volume e grau de definição muito superior ao da categoria bodyfitness, em que os treinos são mais árduos, mais intensos, a dieta mais rígida e as poses em cima do palco mais difíceis de serem feitas. Sempre fui apaixonada pela musculatura do corpo humano, por músculos volumosos, vascularização, bem como tenho prazer de me sentir forte, com a sensação de missão cumprida. Tudo isso me completa e me faz feliz, realizada a cada término de um treino. Digo que sou tempo ruim sempre, aqui é faca no dente e sangue no zóio… Expressão de marombeira (risos)!

 

SPORTS MAG – E a participação em campeonatos, quando você começou?

Simoninha - Em 2010, resolvi, por conta, participar sozinha de um campeonato de culturismo, só para adquirir experiência de palco. Mas foi em 2011 que realmente considero ter participado de meu primeiro campeonato na categoria bodybuilder. Para isso, tive que ter disciplina, dedicação e planejamento. Pela primeira vez fiz uma dieta rígida de verdade por seis meses, na qual emagreci 18 kg e fiquei com um shape absurdamente definido, fibrado, conseguindo manter volume e rigidez da musculatura.

Mas, esse sucesso só foi possível porque, além da ajuda de Claudio Freitas, tive a honra de ter conhecido e sido escolhida e preparada pelo renomado Eduardo Corrêa, três vezes top 3 do Ms Olympia (campeonato de culturismo mais importante do planeta). Ele conseguiu em poucos meses transformar meu shape e deixar-me em minha melhor forma, digna de ter sido a melhor culturista da categoria acima de 55 kg (open), sendo que, na mesma noite, consagrei-me a melhor do Brasil absoluta, ganhando o título de OVERALL 2011 – título nobre e mais importante para um culturista amador ou profissional.
Já 2012 foi um ano muito difícil para mim, de muitas mudanças pessoais, provações, amadurecimento, turbulências, enfim, um período cheio de estresse emocional. Além disso, tive ainda algumas complicações físicas, como lesões e dores. No entanto, com a ajuda da minha família e de alguns amigos e alunos queridos, sobrevivi a tudo isso e tornei-me novamente a campeã da categoria bodybuilder acima de 55 kg (open), conquistando consecutivamente o OVERALL 2012, o que significa dizer que, pela segunda vez seguida, sou a melhor do Brasil.

Em nível internacional, já competi em dois Arnolds Classic Europe. Em Madri, em 2011 e 2012, lembrando que só participa de um Arnold Classic Europe ou Ohio, o campeão absoluto de sua categoria representante de seu país ou convocado. Dos campeonatos Arnold Sport Festival, em termos de dificuldade, o campeonato europeu de minha categoria é bem mais disputado e difícil do que o de Ohio. Os europeus são muito fortes, investem muito nesse esporte, eles vêm com tudo mesmo, bem como mulheres fortes são muito respeitadas e admiradas lá fora. Minha melhor classificação internacional foi justamente no Arnold Classic Europe 2011. Obtive a quinta colocação, sendo que foi meu primeiro internacional, perdendo apenas para atletas de ponta que competem há bem mais tempo do que eu e são bem conhecidas e respeitadas.

 

SPORTS MAG – E 2013, como está sendo para você?

Simoninha – Em termos de competição, há momentos em que o atleta precisa saber a hora de agir com a razão e não por impulso ou com a emoção. E 2013 está sendo assim para mim. Renunciei dos campeonatos nesse período, para um amadurecimento, um crescimento pessoal e profissional. Está sendo um ano muito puxado, só de responsabilidades. Assim, já estou me organizando e traçando o planejamento para 2014. Estou organizando a casa, para voltar com tudo e melhor no ano que vem.

Dessa forma, neste ano, minha imagem está sendo bastante divulgada pelo esporte, graças ao meu patrocinador oficial, a Probiótica. Viajo o Brasil todo dando palestras e workshops sobre o culturismo feminino, presto consultorias online e minha agenda de personal training encontra-se sempre lotada, graças a Deus. A Probiótica sempre me convida para importantes eventos. Em abril, fui trabalhar nos três dias do megaevento Arnold Brasil, realizado no Rio de Janeiro, com uma mesa à minha disposição, para que pudesse atender com muito carinho todos os meus fãs, além de ter sido convidada a participar do programa Super Pop, com a apresentadora Luciana Gimenez, que foi ao ar dia 29 de maio. No início de junho, fui para Toronto, no Canadá, assistir ao Quality pro Olympia 2013, em que dois atletas brasileiros, Fernando Maradona e Anne Freitas, estavam competindo e eu os acompanhei.

Em fase off season, período em que o atleta não irá competir, que é o meu caso neste ano, o corpo encontra-se um pouco mais cheio, retido, pois é o momento que não precisamos permanecer em dieta rígida, quando podemos abusar um pouco mais dos carboidratos. Aí aproveito para fazer algumas coisas que em fase de pré-competição não consigo, como ir ao cinema, viajar e visitar minha família, pois sou muito caseira e sinto muita falta deles, bem como de pegar uma praia e tomar sol, ficar bronzeada. Além de poder abusar um pouquinho dos doces, pois na dieta do que mais sinto falta são eles!

 

SPORTS MAG – Qual é seu recado final aos leitores?

Simoninha - Só tenho a agradecer. Primeiramente a Deus, e depois pelas pessoas e pelas oportunidades que Ele vem colocando em minha vida, pois mesmo em momentos difíceis, aprendemos a transpor obstáculos e a crescer na dor. Agradeço também à minha família, que tanto amo; ao meu coach, que se tornou meu grande amigo, Eduardo Corrêa; à loja de suplementos FlexNutrition de Porto Alegre, que me apoia e está sempre ao meu lado; e ainda ao Fernando Noronha Maradona, por dividir momentos bons e ruins comigo e por ter sempre palavras certas nas horas difíceis.. OBRIGADA a todos!!

Entrevista: Andréa Spalding