8 de novembro de 2013

Ansiedade pré-competitiva

A ansiedade é tema recorrente nos esportes competiti- vos. Quem nunca sentiu aquela sensação de descon- forto, uma ânsia que não se explica muito, em geral previamente a uma competição? Comumente associamos a ansiedade a um sentimento ruim, mas nem sempre ela precisa ser danosa no esporte. Vamos entender por quê?

A ansiedade é uma reação emocional aprendida, induzi- da por uma situação em que se teme algum perigo, algo do- loroso, incerto. A ocorrência de um evento nocivo ou não de- sejado gera a reação de ansiedade, e toda vez que a pessoa estiver prestes a viver novamente o evento, sentirá aflição.

No caso dos esportes, o resultado da competição cos- tuma ser o grande gerador da ansiedade, pois muitas vezes ele é interpretado como fracasso. Entretanto, é fundamen- tal que se relativize essa ideia de fracasso, pois se pensar- mos em um exemplo como a natação, a diferença se dá em milésimos de segundos! Ou em uma maratona, com mil participantes e na qual apenas um ganha, é totalmente injusta tal ideia.

Sempre temos um fator que desencadeia a ansiedade. É um indício de que o perigo ou o evento ocorrerá. Esse pode ser um estímulo, o contexto, uma informação, um pensamento, algo que é significativo para aquela pessoa. Toda vez que uma situação é interpretada como perigosa ou ameaçadora, as pessoas experimentam sentimentos de tensão, apreensão e preocupação. Ocorrem mudanças fisiológicas e de comportamento resultantes da ativação ou excitação do sistema nervoso autônomo. A ansiedade abrangeria a tensão, o nervosismo, o medo e a preocupa- ção. É uma resposta de adaptação do organismo; porém se a resposta permanece por muito tempo, deixa de ser adaptativa e passa a produzir consequências negativas. A intensidade desses fenômenos é proporcional à magnitude do perigo percebido pelo indivíduo. O que gera ansiedade em uma pessoa necessariamente não é a mesma coisa que a gera para outra. A seguir, elencamos alguns fatores que influenciam na ansiedade:

- magnitude (importância) e consequência do evento para o sujeito
- proximidade do evento
- duração (curta/longa)
- familiaridade/novidade
- autoconfiança, autoeficácia
- entorno social

Na psicologia do esporte, dividimos a ansiedade emduas dimensões: a ansiedade cognitiva (componente men- tal), que começa alta e permanece estável à medida que o evento se aproxima; e a ansiedade somática (componente físico), que geralmente é baixa até aproximadamente 24 horas antes do evento, aumentando rapidamente conforme a competição se aproxima. Uma vez que o jogo ou prova se inicia, os sintomas físicos tendem a desaparecer rapida- mente, mas o componente mental da ansiedade flutua por toda a competição.O nível de ansiedade que é manifestado em uma situ- ação particular deve ser considerado em relação à pressão imposta, ao nível de habilidade do competidor e à natureza da atividade. A capacidade desenvolvida pelos atletas de controlar a ansiedade e os níveis de ativação constitui fator que contribui para o sucesso na competição. Para ajudar o competidor nessa tarefa, é importante dar-lhe a habili- dade para que domine mais a atividade, pois quanto mais domínio, menor a ansiedade. Se o atleta se percebe capaz de realizar a tarefa que tem pela frente, menor será a ansie- dade sentida. Ou seja, a autoconfiança é um dos melhores antídotos contra a ansiedade.No entanto, é importante que se entenda que um pou- co de ansiedade é importante antes da competição. É ela que nos põe em estado de alerta, de ativação e de pronti- dão. Se pensarmos em termos da sua dimensão cognitiva, a falta dela seria a despreocupação (no sentido demasiado do termo, como falta de compromisso e foco). No tocante à somática, teremos em um extremo do continuum uma sensação de adormecimento, e no outro todos os sintomas mais comuns, como sudorese, mal estar…Assim, sempre que conseguimos um equilíbrio entre os opostos do continuum, melhor será o rendimento. O ob- jetivo é buscar o que alguns autores chamam de zona de ótimo funcionamento, que será singular para cada atleta. Por isso, torna-se fundamental que o competidor perceba e reconheça os sinais de que a ansiedade se aproxima, para que busque mantê-la em níveis aceitáveis, sem prejudicar seu desempenho – ativado, confiante e seguro.

Não se assuste com a ansiedade chegando antes da competição. Busque sua zona de ótimo funcionamento, controlando sua ansiedade pré-competitiva, e aproveite!



Márcia Pilla do Valle

Márcia Pilla do Valle – CRP 07/5511 Rua Silva Jardim, 466 – cj. 206 - Porto Alegre – F: 9112.1278 www.psicoesporte.com.br – marcia@psicoesporte.com.br