Síndrome do impacto do ombro em atletas

A dor no ombro é comum em atletas e não atletas, mas principalmente em quem pratica os esportes que elevam a mão acima da cabeça (natação, tênis, beisebol, vôlei, polo aquático, entre tantos). Esses tipos de esporte aumentam a probabilidade de lesão nos seus atletas ao longo da vida esportiva ou como consequência dela. A lesão mais comum do ombro é chamada de síndrome do impacto.

De uma maneira simplificada, a síndrome do impacto é caracterizada pela incapacidade das forças do complexo do ombro em manterem a cabeça umeral em uma posição favorável, levando esse osso a ficar superior, diminuindo o espaço subacromial (entre o acrômio e a cabeça umeral). Nesse espaço passam os tendões do manguito rotador e o mais afetado é o tendão do supraespinhoso.

A dor pode variar conforme a estrutura afetada e sua intensidade vai de leve a incapacitante, o suficiente para modificar o gesto ao sacar, ao dar a braçada, ao lançar a bola. Com isso, o atleta, em vez de parar e reorganizar o complexo do ombro, vai se adaptando com uma modificação do gesto e aumentando a lesão gradativamente.

Mas, se estamos sempre fazendo exercícios, por que essas forças se modificam?

Porque usamos mais uma determinada força em detrimento de outra, pela facilidade, pela alteração anatômica e também pela fadiga da repetição. Geralmente usamos mais as forças anteriores do que as posteriores e acabamos fazendo as conhecidas síndromes cruzadas, em que uma musculatura está sobrecarregada e a outra inibida.

Como podemos evitar a síndrome do impacto?

Alguns pesquisadores relatam que podemos apenas retardar. Ao longo da vida do atleta, provavelmente todos vão ter alguma dor no ombro, devido à lesão do manguito rotador. Para retardar e/ou prevenir essa lesão, devemos realizar exercícios que estabilizem a escápula, ou seja, trabalhar a musculatura que está em inibição e dar ao complexo do ombro um funcionamento ideal.

DICA: ao acrescentar nos exercícios clássicos de manguito rotador, adução escapular (apertar uma escápula na outra) já obtemos um exercício completo, pois o fato de deixar a escápula contraída posiciona melhor a cabeça umeral, levando a uma eficiência maior dos tendões.

Outro exercício que é maravilhoso quando bem executado é o exercício de apoio. É excelente para manter a cabeça umeral posicionada adequadamente, mas precisa sempre da supervisão de um especialista até o atleta aprender corretamente. A execução errada pode levar a lesão. Iniciar por apoios na parede e depois ir inclinando até chegar ao apoio no solo com grande estabilização do tronco.

Manter o corpo sempre em forma e perceber quando ele está diferente são atitudes que previnem lesões maiores. Não adianta esconder alguma dor ou apenas passar por cima dela, devemos enfrentar e tratar para que a atividade física não fique prejudicada ou até mesmo proibida. Depende do atleta o cuidado e a manutenção do seu corpo.

Gostaria de parabenizar a SPORTS MAG pelos dez anos. São anos de muitas conquistas e crescimento constante. Parabéns, Christiano e Roberta, por manterem acesa a chama deste ideal que vocês construíram página por página.