6 de novembro de 2013

Patagônia

01-04-caminhando no glaciar
01-02-canion
01-03-na estrada

Por Odilei Medeiro

Fotos Odilei Medeiro, Antônio Nery e Marco Tellini

E a aventura imperdível pela Patagônia continua nas páginas da Sports Mag, para o deleite dos leitores, mas Odilei adianta que já tem planos para escaladas no próximo ano — vamos aguardar!

Piedra Parada – Cânion La Buitrera

O cânion de Las Buitreras está localizado na província de Chubut, na Área Natural Protegida de Piedra Parada, localidade que leva o mesmo nome e fica cerca de 350 quilômetros de Bariloche. Diferentemente dos cânions que temos aqui no Rio Grande do Sul (Brasil), em Buitreras é permitido escalar, mas existem dois setores que são proibidos por serem protegidos e possuírem pinturas rupestres.

O lugar fica isolado, para chegar até lá precisamos rodar 100 quilômetros de estrada de chão batido, mas com certeza o visual compensa.

O acampamento fica nas terras do Sr. Moncado, do outro lado da estrada que entra para o cânion. Quando chegamos lá — para nossa surpresa — encontramos todos os nossos amigos gaúchos que estavam escalando no Valle. O cânion possui vias de todas as graduações e é preciso ter muita atenção, porque algumas vias são longas, então na hora de descer de baldinho tem que se ligar se a corda não for de 60 metros. Existe escalada também na Piedra Parada, mas lá a via tem muita pedra solta e é muito pouco repetida.

Um amigo entrou na via em 2008 e quase chegou ao final, mas ele falou que passou um perrengue justamente pelas pedras soltas e pelo rapel.

Depois de escalarmos por lá durante cinco dias, para nossa despedida o Sr. Moncado assou um cordeirinho show de bola pra galera. Quem quiser informações sobre o local pode entrar em contato comigo, que eu passo o contato do Sr. Moncado.

Chaltén

Chegava a tão esperada hora de conhecer o paraíso andino, onde está localizada a famosa cadeia de montanhas onde se situam o Fitz Roy e o Cerro Torre. 20 anos depois dos primeiros brasileiros Luiz Makoto, Alexandre Portela e Bito Meyer terem escalado essas duas agulhas, cá estávamos nós. Chalten foi criada em 1985 e recebeu esse nome pelos tehuelches, povo que vivia na região há muito tempo, e significa montanha que fuma. Chegamos a Chalten no dia 1º de fevereiro, para nossa sorte bem no dia em que estava começando uma ventana de sete dias. Chegamos à cidade e fomos comer algo — depois de termos montado nosso acampamento no camping público Confluencia —, quando nos deparamos com um cartaz do festival anual de boulder que estava acontecendo justamente naquele domingo (1º).

Encontramos o local em que estava acontecendo o evento, lá havia um palco com muitas bandas boas tocando, apresentações de slack line e, é claro, campeonato de escalada. O Antonio aproveitou e reviu alguns amigos, enquanto eu conheci outros. Chalten é uma cidade pequena que fica localizada dentro do Parque Nacional de Los Glaciares, no passado foi palco de disputas por fronteiras com o Chile. Atualmente conta com 800 moradores. No momento está em obras porque estão asfaltando as ruas principais, coisa que não agradou muito a alguns moradores, e particularmente a mim também não. Na temporada de verão recebe turistas de toda a parte do mundo, muitos para fazer os vários trekkings da região e outros — como nós — para escalar suas alucinantes agulhas. Existem várias pousadas e camping na cidade, há até um camping público, o Confluencia.

No ano passado havia outro camping público, o Madsen, mas em decorrência do mau uso pelos frequentadores ele foi fechado. Tinha pessoas que chegavam em outubro e só iam embora lá por maio, chegando a levar móveis como, por exemplo, fogão e sofá. O camping Confluencia fica localizado no outro lado da estrada bem em frente à sede da administração do parque, o problema é que só é permitido ficar sete dias por temporada, nada mais. O controle é bem rigoroso, todo dia os guarda-parques passam para fazer a conferência. Se você quiser ficar em outro camping sem pagar, aí terá de ir para os outros mais avançados que ficam a cerca de 2 horas de caminhada de Chalten, como o De Agostini, Laguna Capri, Piedra del Fraile ou Poincenot. Existem muitas pousadas boas também, como é o caso da Arco-Íris e do Rancho Grande. Quem desejar mais informações, en El Chaltén: DDN (02962) – Informes: 49-3011 /comfomelchalten@yahoo.com.ar .

De La S – Um Cume Patagônico

Dia 3 de fevereiro encaramos uma caminhada de 7 horas e subimos para o acampamento niponinos, que fica no vale do Cerro Torre, local onde se acampa para tentar escalar a face oeste das agulhas.

Nossa ideia inicialmente era de tentarmos escalar primeiro a Agulha De La S pela via North Ridge, também conhecida como Austrian Route, e depois as agulhas Rafael Juarez e Saint Exupery. Chegamos exaustos, depois de termos atravessado o glaciar do Torre, armamos acampamento e quase que fomos dormir sem fazermos o jantar, tamanho era o cansaço. Dia seguinte acordamos com aquela visão maravilhosa e às 9 horas começamos a fazer a trilha até a base da De La S.

Caminhamos 4 horas montanha acima numa canaleta com um acarreio muito ruim cheio de pedras soltas. Iniciamos a escalada pelas 13 horas, numa escalada rápida até. Essa canaleta cruza pela base das Agulhas Rafael Juárez e Saint-Exupery terminando no colo entre a De la S e Saint-Exupery, num lugar fantástico com um visual para os dois lados do vale. Daí uma enfiada curta até alcançar mais um pedreiro que leva à base da De La S. Subimos pelo North Ridge conhecida com Austrian Route. Uma via curta e fácil, 4 largos de 5+ (6a BRA), 200m numa linha cheia de fissuras. Às duas da tarde estávamos no cume, num dia muito tranquilo, quase sem vento e com poucas nuvens.

Visual lá de cima sem palavras. Sem perder muito tempo baixamos e cruzamos uma cordada de três chilenos que vinham pelo este. Enquanto rapelávamos, pela canaleta blocos de gelo despencavam da Saint-Exupery, o que fez com que nós fôssemos no toca-toca até sair da zona de caídas. Fora isso foi só desfrute e mais uma agulha patagônica! Chegamos a Niponinos ainda de dia com muita força para escalar novamente mas totalmente sem perna para caminhar. É muito bom poder escalar e fazer uma agulha na Patagônia, depois dessa, os planos já estão armados para o próximo ano. Quem sabe o Fitz Roy ou o Cerro Torre, vai saber… Agora era só pensar nos 5.200 km de viagem de volta para casa. Valeu, Antonio, pela parceria.

Para saber um pouco mais:

Consulado General de La Republica Argentina en Porto Alegre: Rua Cel. Bordini. 1.033 – (90440-010) – Porto Alegre/RS – Fone: (+5551) 3321-1360 E-mail: caleg@terra.com.br

Em 1991 foi rodado um clássico, o filme No Coração da Montanha – Werner Herzog – Schrei AusStein (1991), que retrata a tentativa de dois escaladores de tentarem escalar o Cerro Torre. O filme mostra as lindas paisagens da região, com direito a visões aéreas das agulhas.

Roupas SOLO : www.solobr.com

Mais dicas no meu blog: www.odileimedeiro.blogspot.com e www.webventure.com.br/blogodileimedeiro