6 de novembro de 2013

Ruta 40

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Por Carlos Eduardo Benedetti Grafulha

RUTA 40 (4.874 km)

setembro de 2009

A Ruta 40, uma lendária estrada que está para a Argentina assim como a mítica Route 66 está para os EUA, rasga o país, do sul ao norte, em quase 5000 km de extensão, passando por onze províncias, a mais extensa estrada da Argentina.

Sua maior característica é a dificuldade gerada pela diversidade de terreno, altitude, clima, trechos sem pavimentação, o rípio, com ventos laterais fortíssimos, atravessando desde campos de gelo no sul da patagônia ate os quentes desertos do norte, percorrendo centenas de quilômetros de caminho desolado e inóspito que vem sendo gradualmente pavimentado, ainda que atualmente quase metade do trecho ainda esteja no rípio.

Um grupo de 14 amigos decidiu percorrer a famosa estrada antes que o asfalto afastasse o clima de aventura. A maioria já conhecidos viajantes em 2 rodas, com muitos km rodados sobre suas motocicletas BMW GS e KTM Adventure.  Após varias reuniões ficou acertado que para economizar tempo as motos seriam enviadas de caminhão ate Rio Gallegos, no sul da Argentina, bem próximo do início da estrada, em Cabo Virgenes, Estreito de Magalhães enquanto os pilotos iriam via aérea encontrar suas máquinas.

Também foi providenciada uma camionete de apoio, que nos acompanhou durante todo trajeto, sob os cuidados do Chakal, outro velho conhecido de aventuras e expedições off-road. Devido à agilidade e velocidade das motos, geralmente só encontrávamos o carro de apoio em paradas mais longas ou no final do dia. O caminhão que transportou as motos até o sul também foi em direção ao norte, aguardando em Salta, para recolher as motos no final da viagem, que seria na fronteira com a Bolívia, quando então os pilotos tomariam o vôo de volta ao Brasil.

O ponto alto da viagem literalmente foi a passagem andina de Abra El Acay, estrada mais alta das Américas, e possivelmente uma das mais altas do mundo, chegando a 4.890 metros de altitude, com temperaturas negativas em pleno deserto. Um trecho duro devido à falta de oxigênio e ao terreno arenoso, porem de uma beleza incomparável que me remeteu imediatamente a uma viagem que fiz através do altiplano boliviano, quando estive a 5.150 m de altitude, literalmente de tirar o fôlego.

Escreveu Carlos Eduardo Benedetti Grafulha , 38 anos, agente autônomo de investimentos , sócio da Dérivés Investimentos, pilota motocicletas desde os 11 anos , acumulando mais de 500 mil km em 2 rodas.