6 de novembro de 2013

Uruguai

03-03-dgm_2708_hi
03-04-dgm_2291_hi
03-05-dgm_2771_hi

NA IMENSIDÃO DOS PAMPAS URUGUAIOS

Fotos e textos Cris Berger

Há muitos anos eu sou fã do Uruguai. Réveillons em Punta del Este foram alguns, invernos em Punta del Diablo, outros. Minha última passagem por estas bandas aconteceu em fevereiro de 2010. Foi na primeira semana do mês – antes do salto nas águas gélidas da Patagônia Chilena ou do terremoto em Santiago – que passei seis dias pela costa uruguaia e mais uma vez cheguei à conclusão: que país increíble!

E aqui tenho uma história… Eu virei “viajante de carteirinha” há mais ou menos seis anos, estou careca de saber que para entrar no país é necessário passaporte ou carteira de identidade. Bem, eu levei carteira de motorista. Sem comentários, né? Tive que pedir para meu RG ser despachado de ônibus para a rodoviária de Rio Grande, a sorte é que a Tininha – minha amiga oceonógrafa – e o Chico estão morando na cidade. Usei o acaso para uma deliciosa visita.

Esta viagem tinha um propósito específico: conferir a Estância Vik, uma nova opção de hospedagem em Jose Ignácio, a 20 km da beira da praia, no meio dos pampas. Cheguei 12 horas atrasada. Eram cerca de nove da manhã quando eu e a Juju, minha parceirinha de viagem, cruzamos a porteira e deixamos para trás o Caminho Saiz Martinez. De longe vi a grande construção branca cheia de arcos. Fui entrando de mansinho e senti o cheiro gostoso que vinha da horta do hotel. Logo avistei um rosto amigo e tratei de me identificar – Hola, soy Cris Berger, la periodista. – Cris! Que bueno que llegastes! Depois da calorosa recepção fui fazer um breve tour pela Estância que mescla arte com cantinhos confortáveis.

A chegada

O céu carregado de nuvens prognosticava tempestade à vista, eu havia acordado no meio da madrugada, resolvi relaxar e me entreguei por um par de horas a fazer na-da. Foi aí que conheci aquele chuveiro que até hoje morro de saudades… ele vinha do teto, era forte, eram dois, um de cima e outro da parede. E a banheira? Ahhh quantos banhos de imersão! A cama com o edredom fofinho, o travesseiro macio, a lareira que não foi acesa, mas estava lá a evidenciar este lugar ser feito para estar a dois! Confesso que pensei: que lugar para viver a paixão no seu melhor estilo: com requinte, aconchego e aquele horizonte largo que só nos faz suspirar…

A verdade é que meu momento era outro. Eu queria mesmo era estar sozinha. Eu estava saindo de um relacionamento supercomplicado. Sabe quando a companhia da gente simplesmente basta? Pois é, eu só queria saber do meu livro, das minhas fotos, de paz de espírito, e foi exatamente isso que encontrei, um santuário de bem-estar, mimos, sabores incríveis, novos amigos e dos pampas que eu amo e me hipnotizam.

O almoço

Levantei renovada, fui almoçar, escolhi estar na parte de fora, na beira da piscina, sou fanática por cantinhos ao ar livre, e logo fui apresentada para o chef  Marcelo Bitencourt e seu fiel escudeiro Curtiro (um beagle muito fofo), sentamos à mesa e começamos o bate-papo, Marcelo tinha um restaurante em Montevidéu, cansou da cidade grande, recebeu um convite e se mudou para a costa junto com a esposa. Ele se diz feliz e realizado com este novo ritmo de vida. Neste dia nos preparou um strudel de queijo gruyère que estava divino e sugeriu um tinto da vinícola Alto de la Ballena que adorei.

A cozinha da Estância pode ser considerada de autor, o Marcelo busca comprar peixes frescos do porto de Jose Ignácio, trabalha com ingredientes locais e cria o cardápio de acordo com os produtos a que tem acesso, até aquele devido momento o cardápio não era uma imposição fixa, mudava conforme os ingredientes disponíveis na casa.

Analisando a Estância

Num primeiro olhar a Estância pode gerar um certo conflito de estilos.

Explico: cada suíte, sala de jantar, estar, leitura, jogos, tudo foi decorado por um artista uruguaio. Com total carta branca eles criaram ambientes absolutamente distintos. Com isso se encontra desde uma suíte super-rústica até outra colorida ao extremo. O que achei incrível foram os móveis que claramente pode-se observar terem sido arrematados de um antiquário, no caso europeu, que foram trazidos ao Uruguai e restaurados por artistas locais. Dos quartos que visitei o que eu morri de amores foi o Ledrand, as habitações levam o nome dos artistas que a decoraram.

Uma coisa é incontestável: o luxo é visível em todas as partes. E quando falo em luxo me refiro a pequenos detalhes que deixam a vida mais agradável.

Vamos aos exemplos: o sabonete artesanal em cima de uma pedra que repousa em cima de um banquinho de madeira de demolição, os sais de banho dentro de um concha, as toalhas e roupões superfelpudos e grandes, as banheiras desenhadas especialmente para cada banheiro e separadas dos chuveiros, a espaçosa sacada que pertence a apenas um quarto, a lareira aos pés da cama com as toras de madeira empilhadas ao lado, a seleção musical que sai pelas caixinhas de auto- falantes espalhadas em pontos estratégicos do hotel, a piscina em granito negro iluminada com fibra ótica que à noite parece ter estrelas de verdade, a sauna e a sala de ginástica com vista para os pampas, a simpatia do staff, o cães-anfitriões Curtito e o Bedoke (a turma lá é “cachorreira”), a cerveja Patricia em latinha que depois fui descobrir que também tem no Brasil.

Bem, algo me faltou e adoro ter uma desculpa para um retorno, a Estância tem cavalos criolos e oferece passeios para os hóspedes. Tem coisa melhor do que cavalgar com aquela amplitude? Ah, não posso me esquecer de falar da cancha de polo onde acontecem torneios ao longo do ano.

Se você gosta do Uruguai no inverno como eu, reserve alguns dias na Estância e fique a admirar o horizonte largo, a poesia dos pampas, os sons da natureza, os coloridos entardeceres, um lugar em que vão lhe chamar pelo nome, onde você sairá com amigos e será mimado e certamente desejará voltar.

Quer saber mais? Acesse www.crisberger.com.br Estância Vik www.estanciavikjoseignacio.com