Ingressos para Fernanda Abreu no Opinião

Foto: Gui Paganini //

A garota carioca, do Rio 40 Graus, está de volta, após uma década de silêncio.

O álbum mais recente de Fernanda Abreu, chamado “Amor Geral”, chegou às lojas no final do ano passado, depois de um longo período sem novidades, e vai ganhar o palco do Opinião, no dia 25 de março. O disco, que vem colecionando elogios pelos quatro cantos do Brasil, terá a sua estreia em Porto Alegre com a casa cheia, uma vez que os ingressos da apresentação já passaram para o segundo lote e continuam à venda nas lojas Mil Sons, Youcom e pela página www.minhaentrada.com.br/opiniao, só que com um novo valor.

No palco, além do single “Outro Sim”, os grandes sucessos de toda a carreira da cantora, que recentemente disponibilizou o seu catálogo completo nas plataformas digitais, como o Spotify, também marcarão presença, como “Baile da Pesada”, “Garota Sangue Bom”, “Veneno da Lata” e “Jorge de Capadócia”.

FERNANDA ABREU (POR CARLOS ALBUQUERQUE)

Rio 30 graus. É noite de outono. De cabelos presos, camiseta e calça jeans, Fernanda Abreu está sentada numa cadeira em seu estúdio, apropriadamente batizado como Pancadão. Ela se aproxima da mesa de som, aperta alguns botões e bota para tocar “Outro Sim”, estrondosa faixa de abertura do seu novo álbum, “Amor Geral”. Quase imediatamente a batida programada explode nas caixas, frequências graves se enroscam na cintura do ouvinte e samplers picotados abrem caminho até a voz de Fernanda, que rima e canta.

“Nos últimos tempos, aprendi muito com os produtores Tuto Ferraz e Ségio Santos, sobre áudio, equalização, compressão e tal. E queria um disco que soasse bem, do subgrave ao agudo”, explica ela, que assina a direção musical e a produção executiva do disco. “Amor Geral” é o seu primeiro trabalho em dez anos, desde que lançou o álbum “MTV Ao Vivo”. Foi um tempo em que Fernanda trocou manchetes pop por linhas bastantes pessoais.

“Nesses dez anos, a vida me apresentou algumas situações difíceis e precisei priorizar minha vida pessoal. Tive um processo de luto muito estranho da minha mãe, que ficou em coma por seis anos, somado ao sofrimento do meu pai que passou a vida ao seu lado, vivi um longo processo de separação do meu casamento de 27 anos, minhas duas filhas precisando de mim e eu delas”, relata Fernanda. “Senti que tinha que administrar esses desafios da forma mais amorosa possível. Segurei uma onda gigante e nem pensava em criar um material novo, até porque o cenário da música estava numa transformação violenta”.

O amanhã desse retirou começou a chegar quando entrou em cena o sentimento que dá título ao disco e a sua hipnótica faixa de encerramento. Com “Amor Geral”, Fernanda retoma uma linha evolutiva que atravessou discos fundamentais dos anos 90, como “SLA Radical Dance Disco Club” (1990), “SLA 2 – Be Sample” (1992) e “Da Lata” (1995), nos quais ela se firmou como pioneira no uso de samplers como instrumento, entusiasta de primeira ordem do funk carioca, sambista de verso e porta-bandeira da disco music.

Conduzindo parceiros antigos, como Liminha, Meme, Laufer e Fausto Fawcett, e também novos amigos, Fernanda desfila, ao longo das dez faixas do álbum, por diversas levadas, sem perder o suingue jamais. “Acho que cada artista procura seu som e me orgulho de ter uma assinatura. Gosto de trabalhar com a estética musical que os arranjos me permitem. Por isso, além de cantora e compositora, me sinto como uma espécie de artesã de sons”, diz ela, que comemora também a chegada de todo seu catálogo às plataformas digitais. “Quando vozes conservadoras gritam contra o aborto, contra o direito das mulheres, contra os negros, contra a diversidade sexual e religiosa, venho chegando, gentilmente, com o meu antídoto”.