Puerto Escondido, literalmente!

A princípio iríamos de ônibus noturno para Puerto Escondido, que leva em torno de doze horas, e então descobrimos que existem vans que fazem essa viagem saindo de Oaxaca, em sete horas, e custam metade do valor do ônibus. Lógico que não perdemos essa oportunidade e fomos atrás disso. Entre uma pergunta e outra no meio da rua, encontramos um cara que não apenas sabia de onde a van saía, mas também tinha o contato, para já deixar nosso ticket reservado por 180 pesos, o que sai em torno de R$35. Perfeito, né?! No fim do post passo direitinho onde vocês podem pegar essa barbada para o paraíso.

Recomendo ir de van, primeiro por causa da economia, e segundo porque a paisagem do meio do caminho vale muito a pena. Saímos de Oaxaca com a van vazia, o que foi perfeito para uma dormidinha básica, até que começamos a pegar a estrada mesmo, e uma serra meio sinuosa, e até quem não sofre de enjoos, se prepare, porque a coisa é forte, meu amigo. Tive que sentar em um banquinho sozinha, pegando um vento na cara e escutando uma música para distrair e evitar possíveis acidentes, se é que você entende o que quero dizer.

Me senti no México realmente, pois a van é o meio de transporte dos locais – onde faltou entrar apenas galinha dentro – e passamos por rios e paisagens bem bonitas. Paramos no meio do caminho para respirar, e comer algo. Quer dizer, tomar uma coca bem gelada pra ver se o enjoo passava, e seguimos caminho, com o conselho do motorista de que a segunda parte da viagem era pior. Medo.

Foi foda, com todo perdão da palavra, e parecia que não chegávamos nunca, com tantas paradas, mas como vocês sabem, tudo que é difícil, é mais interessante, e pegamos o pôr do sol na estrada, e eu entendi o porque de se chamar Puerto escondido. Assistindo aquele pôr do sol lindo na estrada, me fez esquecer qualquer tipo de enjoo, e só ter agradecido por estar na van. Já sabia que coisa boa vinha pela frente. Só que não, ao menos nos primeiros momentos.

Chegamos em Puerto escondido a noite,  sem hostel reservado, e apenas com alguns endereços em mãos. Os táxis não têm taxímetro, e geralmente vão te cobrar em torno de 25 a 50 pesos, dependendo da distância, mas tudo negociável, claro. Fomos para o primeiro hostel, e achamos um pouco afastado, então seguimos para a segunda opção:  Shalom hostel. Com esse nome, você já pode imaginar o que vem pela frente.

Entramos, aparentemente interessante, uma luz ambiente, e uma australiana para nos atender, que mal falava espanhol, mas não tivemos problemas e nos comunicamos em inglês mesmo. Pedi para usar o banheiro enquanto olhávamos o hostel, e confesso que já fiquei com o pé meio atrás, pois estava completamente sujo e o chuveiro era só o cano da agua. Eu não tenho muito problemas com pouca coisa, mas realmente, estava bem estranho. Seguimos para o quarto que ela nos ofereceu, e basicamente caminhamos o hostel todo no escuro, porque segundo ela, não tinha luz no Jardim, e também a piscina não estava funcionando, que inclusive a gente teria que falar com a gerente no dia seguinte, para tentarmos um desconto em função disso. Ok. Não gostamos do quarto, no meio do “brejo”, e pedimos o quarto compartilhado, e então, o quarto estava trancado, e ela não tinha uma chave do mesmo (oi??) , e acabou nos oferecendo dois quartos com cama de casal perto da recepção.

Bizarro, mas encaramos, afinal eram 10 da noite, e não conhecíamos nada, e as ruas estavam meio vazias. Não tinha lençol, mas isso é normal em muitos hostels, então já estávamos preparadas para usar nossas canguinhas lindas e limpas, naquela cama bem sujinha. Nem ousamos abrir nossas malas, e já fomos para a rua, para comer algo e descobrir a cidade. Bendita tecnologia e aplicativos de viagens, que nos apontaram um hostel aparentemente bom, caminhando uns dez minutos dali. Fomos, e eis que, como uma miragem no deserto, surge outro hostel no caminho. Qualquer coisa não poderia ser pior que o Shalom.

Hostel Losodeli é o nome, e a Lis nos atendeu, super receptiva, com um hostel iluminado, galera sentada vendo um filminho em um telão, afinal era domingo, um piscinão pronto para nos jogarmos, e quartos espaçosos, com armários, e bem limpinhos. Mesmo valor do Shalom, e com café incluso.  Voltamos para o shalom, para tentar fugir da espelunca, e a australiana ficou puta conosco, alegando que não devolveria nosso dinheiro, pois já havia feito o recibo, e já tínhamos entrado no quarto, e usado os lençóis. Que lençóis, amiga? Aí ela se perdeu, e conseguimos nos safar de lá, e recuperar nossa grana.

Não acredito que o Shalom hostel seja assim o ano todo, afinal, estávamos fora de temporada, mas para uma pessoa que trabalha lá, falar tudo que falou, do jeito que falou, boa coisa não se espera, não é?!

Voltamos para o Losodeli, enfiamos os pés na piscina, e tomamos uma cervejinha merecida! Melhor hostel que ficamos durante toda viagem, e com certeza recomendo. Estava um pouco vazio, por estar em baixa temporada, mas naquele paraíso, nada atrapalhou.

Pessoal, me estendi muito aqui, então deixarei para contar de Puerto, no próximo post.

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A van em Oaxaca sai da Rua Galeana, 420, no centro de Oaxaca. Na mesma rua, você encontrará várias opções de transporte similares.

O hostel losodelli atualmente se chama Casa Losodeli e fica na Prolongacion. de 2ª norte s/n, esquina da carretera costera. Super recomendo!!

Se alguém arriscar ficar no Shalom, por favor, volte aqui e me conte como foi a experiência 🙂