11 de maio de 2015

Alex Ribeiro vence no Quiksilver Pro Saquarema

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Foto: Daniel Smorigo //

Paulista assumiu o segundo lugar no ranking do WSL Qualifying Series batendo o novo líder, Jeremy Flores, na onda que surfou no último minuto da bateria final contra o francês na Praia de Itaúna.

O paulista Alex Ribeiro, 25 anos, é o novo campeão do Quiksilver Pro Saquarema, desempatando o placar contra a Austrália para 4 a 3 no número de títulos conquistados nas sete edições desta etapa na Praia de Itaúna. A vitória foi dramática, conseguida na onda que entrou no último minuto da bateria, abrindo a parede para ele acertar uma série de três manobras muito fortes e tirar nota 8,0 dos juízes para virar o placar para 14,93 a 14,17 pontos sobre o francês Jeremy Flores, 27 anos, que assumiu a ponta no ranking do WSL Qualifying Series. Com o título, Alex Ribeiro saltou da 57.a para a segunda posição com os 10.000 pontos recebidos e faturou o prêmio máximo de 40 mil dólares. Ele ainda ganhou uma vaga de convidado para participar do Oi Rio Pro, a etapa brasileira do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour que começa nesta segunda-feira na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

“Eu já estava indo tranquilo pra bateria achando que tinha conseguido a vaga de convidado para disputar o CT no Rio de Janeiro, mas aí me falaram que eu tinha que vencer a final para isso (para superar o australiano Jack Freestone no ranking), então entrei mais concentrado ainda para buscar a vitória”, disse Alex Ribeiro. “Eu tive a frieza de esperar até o fim por uma onda boa, porque eu sabia que ela ia vir. O Jeremy (Flores) tinha a maior nota da bateria, eu tinha duas medianas e eu sabia que se viesse uma onda boa eu ia conseguir a nota que precisava, então minha tática deu certo e estou muito feliz”.

Ele também falou sobre a longa calmaria na Praia de Itaúna na batalha final pelo título do Quiksilver Pro Saquarema, com a onda da virada só entrando no último minuto da bateria. “Eu vi as ondas mexendo lá dentro e eu só dizendo para mim mesmo que ia vir, ia vir, mas não vinha. O tempo foi passando e eu continuei acreditando até o fim, porque se entrasse a onda eu ia dar tudo pra conseguir a nota. Demorou um pouco, mas a série entrou, a esquerda veio perfeita pra mim e eu consegui acertar as manobras para vencer. Estou muito feliz, quase nem acredito que passei para a vice-liderança no ranking (do WSL Qualifying Series) e que agora vou participar do CT também. Nossa, é muita felicidade num dia só”.

DECISÃO DO TÍTULO

A grande final entrou no mar por volta das 13h30 com a Praia de Itaúna lotada de torcedores para o brasileiro e Alex Ribeiro pegou a primeira onda da bateria, fez uma manobra e arriscou o aéreo, porém sem completar. Com as séries demorando a entrar, a escolha das ondas era fundamental para não desperdiçar nenhuma chance de pontuar. Jeremy Flores também não começou bem e o brasileiro pegou outra para fazer a primeira onda completa da final e largar na frente com nota 6,67. Só que o francês logo mostra a potência das suas batidas verticais de backside numa boa esquerda e entra na briga do título com nota 8,60, abrindo 6,27 pontos de vantagem. Alex Ribeiro responde em outra esquerda perfeita, que ele acelerou para abrir com um aéreo rodando e conseguir a virada com o 6,93 recebido dos juízes.

Depois de um início agitado, o vento apertou e os surfistas ficaram no outside aguardando pela volta das ondas numa longa calmaria na Praia de Itaúna. Jeremy Flores pareceu mostrar impaciência com o passar o tempo, pegou uma onda pequena que só rendeu 4,53 pontos e a prioridade de escolha da próxima ficou com Alex Ribeiro. Enquanto o brasileiro esperava por séries maiores, o francês pegou outra esquerda para tentar virar o placar e conseguiu exatamente os 5 pontos que precisava, ganhando no desempate da maior nota. Para vencer, Alex Ribeiro teria que tirar 6,68 dos juízes nos 10 minutos da bateria e Jeremy ainda ampliou a diferença para 7,25 com nota 5,57 em outra onda. No entanto, Alex Ribeiro teve toda a paciência do mundo e foi premiado com uma ótima onda no último minuto, que abriu o paredão para ele desferir três manobras muito fortes abrindo leques da água e arrancar nota 8,0 dos juízes para vencer por 14,93 a 14,17 pontos.

“Estou feliz com o resultado mesmo assim, porque é muito difícil chegar até a final e fiquei um pouco decepcionado desta vez por não ter vencido. Mas, competição é assim mesmo, só um vence e parabéns para o Alex (Ribeiro) pela vitória”, disse Jeremy Flores, que já havia perdido a final do QS 10000 encerrado no sábado da semana passada para Filipe Toledo em Trestles, na Califórnia, Estados Unidos. “Tudo acontece por uma razão, mas para mim foram dois grandes resultados pelo alto nível dos surfistas que competiram nestes dois eventos. Eu estou me sentindo bem, as pranchas estão muito boas, estou bem de cabeça, com o físico em dia, então estou superfeliz e pronto para competir nas próximas semanas lá no Rio de Janeiro”.

No último dia do Quiksilver Pro Saquarema, Jeremy Flores entrou no mar para competir quatro vezes, sempre usando a força do seu backside para arrancar grandes notas dos juízes. Ele começou o domingo ganhando um duelo eletrizante contra o paulista Jessé Mendes nas oitavas de final. Depois também teve trabalho para superar o costa-ricense Carlos Munoz nas quartas e o paulista Caio Ibelli na disputa pela última vaga na grande final. O francês agora lidera o WSL Qualifying Series, mas dispensa a classificação pelo ranking de acesso por já estar garantindo a sua permanência na elite dos top-34 entre os 22 primeiros colocados no CT.

Já o campeão Alex Ribeiro, que no ano passado conquistou o título sul-americano profissional da WSL South America com duas vitórias nas etapas do QS da Argentina e de Itacaré, na Bahia, disputou só três baterias no domingo em Saquarema. A primeira vítima foi o norte-americano Nathan Yeomans na abertura das quartas de final e depois despachou um dos destaques do QS 10000 de Saquarema, Noe Mar McGonagle, da Costa Rica, que vinha acertando belos aéreos e massacrando as esquerdas com manobras potentes executadas com pressão e velocidade. Este foi um dos confrontos mais difíceis do último dia para Alex Ribeiro, que vai reforçar a “seleção brasileira” no Oi Rio Pro como vice-líder no ranking do WSL Qualifying Series.

MUDANÇAS NO G-10

O resultado do Quiksilver Pro Saquarema apresentado pela Powerade provocou quatro mudanças de nomes entre os dez surfistas que o WSL Qualifying Series classifica para a elite dos top-34 da World Surf League. O primeiro a entrar foi o australiano Ryan Callinan e outros três só ingressaram no G-10 no último dia, quando passaram para as semifinais, os brasileiros Alex Ribeiro e Caio Ibelli e Noe Mar McGonagle, da Costa Rica. Eles tiraram da lista o cearense Michael Rodrigues, o norte-americano Michael Dunphy, o australiano Wade Carmichael e Charles Martin, da Ilha Guadalupe.

“É uma felicidade muito grande estarmos entre os dez primeiros do ranking”, disse Noe Mar McGonagle, após a derrota no finalzinho da bateria para Alex Ribeiro nas semifinais. “Nós da Costa Rica trabalhamos juntos como uma equipe e acredito que a nossa união está fazendo toda a diferença. O trabalho é diário e somos como uma família. A vitória de um é a vitória do outro. Eu estou muito satisfeito com este meu resultado em Saquarema. Foi a minha primeira vez aqui e o evento foi perfeito. Certamente estarei aqui no ano que vem”.