28 de setembro de 2015

Australiano Jack Freestone vence nos Açores

Jack Freestone (AUS)

Foto: Masurel/WSL //

Jack Freestone, ex-bi-campeão mundial Pro Junior, venceu o SATA Azores Pro 2015 presented by Sumol, que terminou ontem, na praia de Santa Bárbara, Ribeira Grande, com ondas incríveis durante todo o dia, entre 1,5m e 2m, perfeitas e tubulares, que proporcionaram um espectáculo ímpar ao muito público que não perdeu a oportunidade para ver os melhores surfistas do mundo em ação.

Numa final 100% australiana e muito disputada, Jack, de 23 anos, bateu por apenas meio ponto (em 15 de total) o seu compatriota Dion Atkinson, de 29 anos, conquistando a primeira vitória da sua carreira numa prova desta categoria.

Com os 10.000 pontos conseguidos, Freestone subiu ao segundo lugar do ranking mundial de qualificação, mas já garantiu a sua presença na elite mundial de 2016, algo que procurava há algum tempo, tendo ficado perto de consegui-lo no final do ano passado.

“Estou super feliz com esta vitória, claro!”, afirmou o campeão. “A final foi um bocadinho stressante, sobretudo nos últimos cinco minutos, com o Dion a apanhar uma série de ondas de seguida e eu a vê-lo! Afinal só precisava de uma onda de 6,83 pontos, o que não é muito!… felizmente para mim, ele não conseguiu e eu acabei por vencer. Ainda nem estou em mim!”, confessou o campeão, que agora lidera também o Portuguese Waves Series.

Para Dion Atkinson, que fez a melhor onda da final (8,67 pontos), este segundo lugar é também o seu melhor resultado de sempre no circuito mundial de qualificação e dá-lhe um grande “empurrão” no ranking mundial de acesso à elite mundial, da qual fez parte no ano passado.

Embora tenha sido o “rookie do ano” do World Tour em 2014, Dion não conseguiu a requalificação, procurando agora nova presença no chamado “Dream Tour”. Conhecido pelas suas performances sólidas em ondas fortes e potentes, Atkinson encontrou nas ondas açorianas a força necessária para igualar as suas manobras poderosas e subir 43 posições no ranking mundial, encontrando-se agora em 15º lugar.

“Gostava de ter vencido, obviamente, mas este não deixa de ser um resultado muito importante para mim, que me dá uma confiança extra para as restantes etapas do ano. Adorei as ondas e nunca esperei chegar tão longe nesta etapa. Saio daqui com uma moral renovada”, afirmou o vice-campeão do SATA Azores Pro 2015 presented by Sumol.

Nas meias-finais, em terceiro lugar ex-aequo, ficaram os membros da elite mundial Sebastian Zietz, do Hawaii e Miguel Pupo, do Brasil, outros dois grandes protagonistas do dia. Embora nas meias-finais pouco tivessem conseguido fazer contra Atkinson e Freestone, respectivamente, nos quartos de final estiveram no centro das atenções devido às suas performances incríveis.

Zietz fez o melhor score do dia (18,37 pontos) contra um muitíssimo inspirado Pedro Henrique, enquanto Pupo conseguiu a segunda nota perfeita (10 pontos) do campeonato para uma onda, eliminando o seu colega norte-americano do World Tour, Kolohe Andino. Com a eliminação de Miguel Pupo, acabavam também as esperanças brasileiras de se manter a tradição de vitórias verde e amarelas nos Açores. Das sete edições, venceram quatro!

Apesar deste quinto lugar ex-aequo, Andino subiu ao 4º lugar do ranking mundial de qualificação e praticamente garantiu a sua manutenção no World Tour de 2016. Igualmente em quinto lugar ficaram os brasileiros Hizunomê Bettero e Bino Lopes, em baterias disputadíssimas e com pontuações bastante elevadas, contra os virtuais finalistas da prova, tendo ambos subido mais de 30 posições no ranking mundial.

Também na quinta posição do SATA Azores Pro 2015 presented by Sumol ficou o português Pedro Henrique, que aqui participou pela primeira vez num QS 10.000 este ano. Embora tenha ficado pelos quartos de final, “Pedrinho”, que recentemente conquistou o título europeu profissional, obrigou o havaiano Sebastian Zietz a elevar a fasquia para o bater, depois de ele próprio ter feito a melhor performance dos oitavos de final, a primeira fase disputada hoje.

Com os pontos conquistados nesta prova, Henrique mantém-se como o melhor português no ranking mundial, mas agora na 22º posição, vinte lugares acima da colocação que tinha quando aqui chegou!

“Ficou a faltar-me uma segunda onda melhor… fico com um gostinho amargo, pois queria ir mais longe, mas este é apenas o meu primeiro QS 10.000 do ano, por isso não deixa de ser um bom resultado. Andava há um ano e meio a tentar entrar nestas etapas com mais pontos e, agora que consegui, vou agarrar a oportunidade com unhas e dentes. Já estou concentrado na próxima etapa, em Cascais, onde vou estar a jogar em casa e onde espero conseguir um resultado melhor ainda!”, comentou Pedro.

Nas ondas fantásticas que quebravam logo pela manhã (e ao longo de todo o dia!), Henrique fez o melhor score combinado dos oitavos de final (17,10 pontos), deixando o brasileiro Alex Ribeiro, entretanto já qualificado para o World Tour de 2016, em nono lugar.

Igualmente em nono lugar ficaram ainda os membros da elite mundial Adam Melling e Wiggolly Dantas, o australiano Brent Dorrington, o costa-riquenho Carlos Muñoz, o basco Aritz Aranburu, o norte-americano Evan Geiselman e o júnior francês Timothee Bisso, o atleta mais jovem em prova neste último dia de competição.

No final de uma animada e bem disposta entrega de prémios, Vítor Fraga, Secretário Regional do Turismo e Transportes, referiu a importância deste evento “na estratégia para a promoção dos Açores definida pelo governo regional. O facto deste ser o sétimo ano consecutivo de realização da prova só vem consolidar os Açores cada vez mais como destino de surf… e eu penso que esta foi a melhor edição de sempre, tanto a nível de competição, como de organização! Tanto é que posso desde já anunciar a realização aqui nos Açores, em 2016, dos World Junior Games, os Jogos Olímpicos do surf júnior, para além de mais uma edição desta etapa do mundial profissional. Com a presença de cerca de 600 atletas de todo o mundo, será com certeza mais um grande momento de expectativa para a modalidade e de divulgação dos Açores enquanto destino de ondas de qualidade”, conclui.