14 de setembro de 2015

Bino Lopes conquista vitória inédita no Oi SuperSurf

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Foto: Pedro Monteiro //

O primeiro título de um baiano em etapas do SuperSurf foi conseguido na final contra o experiente bicampeão brasileiro Leonardo Neves na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC).

O baiano Bino Lopes, 27 anos, conquistou um título inédito para o seu estado neste último domingo com a vitória sobre o experiente carioca Leonardo Neves, 35 anos, na decisão do Oi SuperSurf de Florianópolis na ensolarada Praia da Joaquina, em Santa Catarina. Ele foi o primeiro surfista da Bahia a vencer etapas da principal competição do circuito da Associação Brasileira de Surf Profissional (ABRASP). Bino surfou a melhor onda da bateria para faturar o prêmio máximo de 15 mil Reais e subir da 22.a para a segunda posição no ranking, que continua com o paulista Flavio Nakagima na frente. No entanto, a disputa do título agora está embolada, com a diferença entre o líder e o nono colocado não chegando a 2.000 pontos. São vários surfistas com chances de ser campeão brasileiro na última etapa do Oi SuperSurf 2015, nos dias 7 a 11 de outubro na Praia de Itaúna, em Saquarema (RJ).

“Estou até sem palavras, é muita emoção. Este último mês tem sido incrível para mim porque eu consegui uma vitória no Circuito Mundial lá na França (QS 1500 em Anglet) duas semanas atrás, agora aqui também e só tenho que agradecer a Deus, meus amigos, família, patrocinadores e todas as pessoas que estão sempre comigo nas horas ruins e nas horas boas”, disse Bino Lopes. “Hoje (domingo) Deus me abençoou para conseguir pegar boas ondas nas baterias. Eu sabia que a final ia ser incrível, porque o Leo Neves é um grande ídolo nacional, já foi do WCT e é um cara muito experiente que eu assisto desde criança. Eu fiz uma estratégia de pegar as esquerdas e deu certo, finalizei com um 8,5 que me garantiu a vitória”.

Com os 6.000 pontos recebidos no Oi SuperSurf de Florianópolis, Bino Lopes entrou na disputa direta pelo título brasileiro, que não é conquistado por um surfista da Bahia desde os tempos de Jojó de Olivença, campeão em 1988 e 1992. Bino também foi o primeiro baiano a vencer etapas do SuperSurf em toda a história da competição que promoveu o circuito nacional mais rico do mundo entre 2000 e 2009 e retornou agora com o patrocínio da Oi e da marca de surfwear Smolder, com participação de Furnas. A decisão do título só não foi mais emocionante porque faltaram ondas na Praia da Joaquina para os dois competidores mostrarem o surfe que os levaram até ali.

“Infelizmente aconteceu isso de não entrarem muitas ondas boas na bateria, o que acontece porque nosso esporte depende da Natureza. Mas, já estava sendo agonizante desde as baterias anteriores”, destacou Bino Lopes. “Estava realmente bem difícil, o intervalo entre as séries muito alto, mas deu tudo certo para mim. Hoje era o meu dia e agora é ir com muita confiança para a próxima etapa em Saquarema. Eu costumo surfar bem lá nas esquerdas da Praia de Itaúna e espero manter o ritmo para conquistar outro bom resultado, mas sem botar pressão por estar em segundo no ranking agora”.

DECISÃO DO TÍTULO

A grande final começou depois de uma homenagem à Vilma, a “Mãe dos Surfistas” que morava na Praia da Joaquina e faleceu esse ano. A decisão do título foi inaugurada pelo carioca Leonardo Neves numa esquerda que abriu a parede para ele fazer três manobras e largar na frente com nota 6,17. Bino Lopes logo faz sua primeira apresentação também nas esquerdas da Joaca e recebe 5,17. Não demorou e o baiano pegou a segunda onda antes do carioca para tirar 5,60 e assumir a liderança.

Enquanto Leo Neves preferiu aguardar pela entrada de ondas melhores, Bino optou em ficar mais ativo, arriscando em todas até achar uma esquerda que armou a parede para ele desferir uma série de três manobras potentes de frontside e arrancar 8,5 dos juízes, abrindo uma larga vantagem de 7,94 pontos sobre o carioca. O tempo foi passando e a situação era a mesma quando soou o sinal dos 5 minutos finais da bateria. Só que não entrou mais nada de onda e a primeira vitória de um baiano na história do SuperSurf foi confirmada por 14,10 a 8,90 pontos.

“Pena que o vento ficou muito forte durante a bateria e o pico que eu tava surfando não deu mais onda. O Bino (Lopes) deu sorte porque a gente estava fugindo mais pro meio da praia e entrou uma onda muito boa para ele que foi decisiva na bateria”, contou Leonardo Neves. “Depois eu boiei bastante com a prioridade, achando que ia vir uma onda boa e acabou que não veio, mas estou feliz pelo resultado. Foi um campeonato longo, cheguei aqui domingo passado e estou amarradão por ter chegado na final com a galera da nova geração arrebentando, mostrando que o Brasil tem um alto nível de surfe. Só falta a galera apoiar os atletas para eles conseguirem chegar no WCT e realizarem o sonho que eu já vivi anos atrás”.

A BUSCA DO TRI

O carioca bicampeão brasileiro em 2002 e 2003 durante a década de ouro do SuperSurf no Circuito Brasileiro entre 2000 e 2009, relembrou a última vez que fez uma final na carreira. Leo Neves agora passa a ter chances de tentar igualar um feito histórico do paranaense Peterson Rosa, único que conseguiu o título brasileiro três vezes, em 1994, 1999 e em 2000, no primeiro do SuperSurf. Além de Léo Neves, o cearense Messias Felix, número 1 do Brasil em 2009 e 2012, também está na mesma batalha e os dois se enfrentaram na disputa pela segunda vaga na final do Oi SuperSurf de Florianópolis.

“A última vez que eu tinha feito uma final foi no ano retrasado numa etapa do Circuito Carioca. No ano passado a gente não teve o circuito e eu acabei não competindo nos outros estaduais que valiam pontos para o Brasileiro. Com a volta do SuperSurf eu me animei de novo para voltar a competir, então esse ano eu comecei o circuito entrando na primeira fase e aqui nesta etapa eu já consegui mais pontos para entrar só no terceiro rounde, o que já me deixou bem feliz. Em Saquarema eu devo entrar mais na frente ainda e esse era o meu objetivo, crescer no ranking para estar neste grupo no ano que vem e continuar participando dessa nova história do SuperSurf com o patrocínio da Oi”.

O CAMINHO DA FINAL

Para chegar na grande final do Oi SuperSurf de Florianópolis, os dois tiveram que enfrentar as difíceis condições do mar do domingo na Praia da Joaquina três vezes. Bino Lopes entrou na segunda bateria do dia e derrotou o capixaba Krystian Kymerson, um dos quatro surfistas que tinham chances matemáticas de tirar a primeira posição no ranking do paulista Flavio Nakagima. Os dois barraram um dos concorrentes, o baiano Marco Fernandez, além do pernambucano Gabriel Farias. Depois, Bino despachou uma das surpresas desta etapa, o paraibano José Francisco, nas quartas de final e acabou com a possibilidade de Kymerson assumir a ponta derrotando-o nas semifinais.

Já o carioca Leonardo Neves ganhou a disputa pelas duas últimas vagas para as quartas de final superando três talentos de gerações mais novas do que a dele, o paulista Jessé Mendes, o pernambucano Alan Donato e o paulista que estava na briga pela liderança do ranking, Thiago Guimarães. Na disputa seguinte, acabou com as chances de outro concorrente no confronto de bicampeões brasileiros com o cearense Messias Felix. E ainda surpreendeu ao superar o recordista absoluto de nota e pontos do Oi SuperSurf de Florianópolis, o paulista Caio Ibelli, que na fase anterior tinha conseguido a primeira nota 10 do ano num tubaço nas direitas da Joaquina.

PRIMEIRO 10 DO ANO

Nas duas primeiras etapas do Oi SuperSurf no litoral norte de São Paulo, a maior nota foi o 9,93 recebido pelo catarinense Willian Cardoso na Praia Grande de Ubatuba. Já o primeiro 10 do ano saiu na manhã do domingo em Florianópolis, com Caio Ibelli garantindo a vitória no duelo mais espetacular da semana na Ilha da Magia com um tubaço incrível nas direitas da Praia da Joaquina. Com a nota máxima no último minuto, Caio virou o placar para 18,40 a 16,77 pontos sobre o também paulista Jessé Mendes, mas não conseguiu superar a maior pontuação do Oi SuperSurf 2015, recorde que permanece com o jovem ubatubense Weslley Dantas, que registrou 18,53 pontos na segunda etapa em Ubatuba.

“Estou feliz da vida e agradeço a Deus por ter mandado aquela onda incrível faltando 30 segundos para terminar a bateria”, disse Caio Ibelli. “Hoje (domingo) só tinham esquerdas e consegui achar uma direita que rodou um tubão mesmo, para fazer a maior nota do evento. Estou muito feliz por ter tirado o primeiro 10 do ano no Oi SuperSurf. O mar está um pouco difícil hoje, mas tem altas ondas, só precisa estar no lugar certo na hora certa para pegar as melhores das séries e eu fui premiado com aquela direita ali que me garantiu a vitória”.

LIDERANÇA DO RANKING

Quatro surfistas tinham chances matemáticas de tirar a liderança do ranking brasileiro do paulista Flavio Nakagima no último dia do Oi SuperSurf de Florianópolis, mas ninguém conseguiu a colocação que precisava para isso. O primeiro a cair foi o baiano Marco Fernandez, barrado por outro concorrente, o capixaba Krystian Kymerson, no confronto vencido pelo campeão Bino Lopes na rodada que abriu o domingo decisivo na Ilha de Santa Catarina. Duas baterias depois, ainda pela sexta fase da competição, o paulista Thiago Guimarães também saiu da briga na disputa pelas duas últimas vagas para as quartas de final, que ficaram com o carioca Leonardo Neves e o paulista Jessé Mendes.

Os outros dois passaram pelo primeiro desafio e Krystian Kymerson seguiu com chances derrotando o campeão da última edição do SuperSurf na Praia da Joaquina em 2008, o catarinense Willian Cardoso, na abertura das quartas de final. Já o cearense Messias Felix perdeu o duelo de bicampeões brasileiros com Leonardo Neves e acabou barrado pelo carioca. Com isso, só restou Krystian Kymerson, que precisava vencer a etapa de Santa Catarina para ultrapassar Flavio Nakagima, mas foi eliminado pelo baiano Bino Lopes numa bateria fraca de ondas que decidiu o primeiro finalista.

“Estou feliz pelo terceiro lugar também. O mar ficou difícil, piorou muito, quase não veio onda, mas consegui um bom resultado e parabéns ao Bino (Lopes) que achou uma onda ali que foi a melhor da bateria”, disse Krystian Kymerson, que assumiu o terceiro lugar no ranking e entrou na briga direta pelo título brasileiro. “Agora é focar para a próxima etapa em Saquarema (RJ) e tomara que dê boas ondas para que tenha um show de surfe lá na Praia de Itaúna. Me aproximei da liderança, mas ainda tem muita coisa para acontecer, então é treinar, se concentrar e esperar para ver no que vai dar”.