16 de abril de 2015

BMW Team Brasil destaca aprendizado na estreia

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Foto: Luca Bassani //

Os modelos BMW Z4 sofreram com as mudanças no Balance of Performance no endurance, mas mesmo assim o time brasileiro foi o melhor representante da marca na corrida de três horas na pista italiana. O trio Bueno/Jimenez/Fraga ficou em 18o no geral e Brito/Abreu/Sperafico completou em 32o.

Não foram os resultados esperados, mas o BMW Team Brasil sai da pista de Monza, na Itália, com bastante aprendizado após sua estreia no Blancpain Endurance Series, no último domingo, na disputa da 1a etapa de 2015, com 3 horas de duração. Cacá Bueno, Sérgio Jimenez e Felipe Fraga, a bordo do BMW Z4 #0, ficaram em 18o no geral e 12o na categoria Pro Cup, após largarem em 36o no geral. Valdeno Brito, Átila Abreu e Ricardo Sperafico, no BMW Z4 #77, terminaram em 32o no geral e 18o na Pro Cup (o trio largou em 44o).

As duplas foram as melhores BMWs na disputa, mas ficaram atrás dos rivais, em virtude do Balance of Performance para o endurance, que modificou o restritor do BMW Z4. Sem a potência adequada, os carros perdiam muita velocidade de reta e não conseguiam acompanhar os modelos das outras marcas, o que ficou agravado pelas características da pista de Monza, que conta com quatro longas retas.

A vitória ficou com o trio Andrew Palmer, Fabio Babini, Jeroen Mul, da equipe GRT Grasser Racing Team, que pilotam uma Lamborghini Huracan. Cinquenta e nove carros disputaram a prova.

Apesar das dificuldades, os pilotos brasileiros destacaram o aprendizado nas provas de longa duração. O time já compete há três anos no Sprint Series, que tem provas mais curtas e, inclusive, venceu a etapa da semana passada na França. A meta agora é trabalhar para conseguir também bons resultados no endurance ao longo do ano.

O paulista Jimenez foi o responsável pela largada do BMW Z4 #0. “A corrida foi ok. Recuperamos várias posições. Largamos em 36o, chegamos em 18o no geral, mas a gente ‘tomava’ muito de reta. Chegamos a tomar 14 km de reta do carro mais rápido. Então, fica impossível competir de igual pra igual. Mesmo assim, quando o pneu ia se desgastando, estávamos rápidos. Os nossos pits, mais uma vez, tiveram um excelente trabalho dos mecânicos. Agora, vamos torcer para que mexam um pouco no Balance of Performance, pra gente ser mais competitivo aqui no endurance, onde tem todas as marcas”, declarou o piloto.

Na sequência, Cacá Bueno assumiu o cockpit. O piloto também considerou a estreia positiva. “Foi uma experiência boa. Conseguimos evoluir durante a corrida. Não é uma pista fácil. É uma pista complicada pra gente. Conseguimos fugir dos acidentes, terminar a corrida, que era um dos objetivos. Lógico que a gente esperava mais, quem sabe terminar entre os dez primeiros. As outras pistas são melhores pra gente e precisamos melhorar alguns outros aspectos, porque é bem diferente de uma corrida rápida”, ressaltou o pentacampeão da Stock Car.

Depois de Cacá, o jovem Felipe Fraga entrou no carro e foi o responsável pela parte final da corrida no carro #0. “É uma pista que não favorece a BMW, mas todos fizeram um bom trabalho. Acho que a equipe está de parabéns, porque conseguimos recuperar muitas posições na corrida. Fomos evoluindo a cada treino e isso é positivo. Agora vamos para as próximas etapas, em algumas pistas onde a BMW vai bem. Podemos nos recuperar desta corrida em que não fizemos nenhum ponto”, acredita o piloto de Palmas, no Tocantins.

No BMW Z4 #77, Átila Abreu iniciou a corrida e, logo sofreu um toque, que causou a quebra do assoalho do carro e prejudicou o trio. Mesmo assim, todos também avaliaram a experiência como positiva.

“A expectativa para este circuito não era das melhores. Entre todos os carros, nossos carros eram o último e penúltimo em velocidade de reta e aqui só tem reta. São quatro retas longas, com mais de um quilômetro, e parecia que estávamos com o freio de mão puxado, perto dos outros carros. Não é culpa da equipe, é uma questão da equalização dos carros. Nas próximas corridas, em circuitos com mais curvas e retas mais curtas, a nossa expectativa é brigar pelas primeiras posições”, destacou Valdeno Brito, que também explicou o problema no assolhado do carro. “Logo no início da corrida, houve uma batida com outro carro, que acabou soltando o assoalho. Ele foi soltando e foi ficando ‘inguiável’ de tanto que saía de frente. Com isso, a gente virava um segundo e meio mais lento por volta e só nos restou levar o carro até o final da corrida”, contou o paraibano.

Para o paranaense Sperafico, valeu ter terminado a prova e agora é trabalhar para as próximas. “Foi nossa corrida de estreia no endurance, então era uma novidade pra toda a equipe, uma corrida de paciência. Infelizmente, os nossos carros não tinham uma condição favorável nesta pista. O que fizemos foi tentar fazer o pit stop certo e ficar na pista. O nosso carro teve um problema logo depois da largada, com o assoalho que começou a se soltar, o que nos prejudicou muito ao longo da corrida. Nós praticamente perdemos todo o assoalho da frente, então o carro ficou muito lento, mas conseguimos terminar e entender um pouco como funciona o endurance. Acredito que daqui pra frente as pistas serão mais favoráveis e vamos tentar desenvolver e melhorar mais o carro. O final foi positivo pelo fato dos dois carros terem terminado, apesar de ter ficado abaixo da nossa expectativa, mas brasileiro não desiste nunca, então, vamos pra próxima”, disse.

Abreu também frisou o aprendizado como ponto mais importante. “Foi uma experiência legal, interessante, apesar do resultado não ter sido o que a gente esperava. Mas a equipe trabalhou bem, tivemos alguns problemas durante a prova, principalmente a perda de performance com o problema no assoalho, mas eu consegui largar bem, ganhei mais de dez posições na largada. O carro se comportou bem, aprendemos bastante sobre a durabilidade do carro para as próximas provas de três, seis horas e até 24 horas, entre outras coisas. O aprendizado que tiramos para as próximas pistas, que nos favorecem mais, vai nos dar uma vantagem pra poder brigar por resultados melhores”, completou.

Além dos seis pilotos brasileiros do BMW Team Brasil, a etapa também teve mais um piloto do país. Bruno Senna correu na equipe Von Ryan Racing, com uma McLaren 650 S GT3, ao lado dos pilotos Adrian Quaife Hobbs e Álvaro Parente, e ficou em 26o no geral.

O BMW Team Brasil volta a correr em Brands Hatch (Ing), no dia 10 de maio, pelo Sprint Series. No endurance, a próxima etapa será no dia 24 de maio, em Silverstone, também na Inglaterra.