24 de abril de 2015

Courtney Conlogue derrota Carissa Moore na decisão

Courtney COnlogue and Carissa Moore

Foto: Kirstin Scholtz //

Norte-americana acaba com a invencibilidade da havaiana no Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour 2015 com o título no Drug Aware Margaret River Pro na Austrália.

A norte-americana Courtney Conlogue, 22 anos, acabou com a invencibilidade da havaiana Carissa Moore, 22, no último desafio da “perna australiana” do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour 2015. Já as semifinais masculinas, com Adriano de Souza na segunda bateria contra Taj Burrow, foram adiadas para as 7h00 da quinta-feira na Austrália, 20h00 da quarta-feira pelo fuso horário de Brasília. Só as meninas competiram nas ondas de 6-8 pés da quarta-feira em Main Break e a decisão do título foi um tira-teima entre as duas bicampeãs das quatro últimas edições do evento de Margaret River. Apesar da derrota, Carissa Moore continua em primeiro no ranking e vai defender a liderança no Oi Rio Women´s Pro, a nova etapa brasileira da World Surf League nos dias 11 a 22 de maio no Rio de Janeiro.

“É simplesmente fenomenal tudo isso”, disse Courtney Conlogue. “A Carissa (Moore) está numa fase brilhante e eu estava pensando que talvez eu poderia ganhar dela nessas condições de mar. Eu tive um início um pouco complicado neste evento, estava me sentindo fora de ritmo. Nos dias de folga, procurei surfar bastante e peguei um monte de ondas, então acho que isso me deixou mais empolgada e confiante para competir hoje (quarta-feira). Não vieram muitas ondas na final, mas eu consegui achar duas muito boas e estou muito feliz pela vitória”.

A quarta-feira foi mais um dia com ótimas condições em Main Break, principalmente as direitas perfeitas de mais de 2 metros de altura para as meninas darem um show de coragem com grandes manobras em Margaret River. Courtney Conlogue venceu esta etapa quando era válida pelo Qualifying Series em 2011 e 2012. No ano seguinte ela entrou no calendário principal do WSL Women´s Tour e Carissa Moore igualou o bicampeonato da norte-americana em 2013 e 2014. As duas fizeram grandes apresentações para chegaram em mais uma final, mas a bateria acabou marcada por longas calmarias, com poucas ondas boas entrando justamente na decisão do título.

A americana largou na frente com notas 5,33 e 6,67, mas Carissa já respondeu com um 8,5 em sua primeira onda. A havaiana ficou a maioria do tempo com a prioridade de escolha da próxima onda, só que a Courtney foi quem pegou uma muito boa para ela atacar com fortes manobras e ganhar nota 8,43 dos juízes. A defensora do título continuou esperando e só conseguiu surfar mais uma, porém era fraca e rendeu apenas 4,63 pontos. Já a norte-americana achou outra direita da série que abriu o paredão para ela sacramentar a vitória com nota 8,5, faturando o prêmio máximo de 60 mil dólares por 16,93 a 13,13 pontos.

Com os 10.000 pontos da vitória, Courtney Conlogue assumiu a vice-liderança no ranking, sendo a única ameaça à primeira posição da Carissa Moore no Oi Rio Women´s Pro. Mas, para a norte-americana só interessa a vitória na etapa brasileira da World Surf League e a havaiana não poderá alcançar as quartas de final, ou seja, não vencer duas baterias nas ondas do Rio de Janeiro. Esta foi a terceira vitória da norte-americana desde que entrou na elite das top-17 que disputam o título mundial em 2011. A última tinha sido na Nova Zelândia em 2013. No ano passado, ela sofreu uma contusão em Bells Beach e não competiu no Brasil, ficando de fora ainda nas duas etapas seguintes, em Fiji e em Huntington Beach, nos Estados Unidos.

“Estou me sentindo muito bem, vendo que o trabalho duro que venho fazendo está começando a dar frutos”, falou Conlogue. “Foram muitas horas e muitos dias treinando para buscar o topo do ranking e meu objetivo é ficar entre as três primeiras esse ano. Todas as meninas estão surfando de forma incrível e você tem que estar bem preparada para competir com elas. Eu estou muito emocionada por ter a oportunidade de surfar aqui em Margaret River nestas condições incríveis e quero agradecer todos que me apoiaram para eu estar aqui hoje”.

Courtney Conlogue começou a quarta-feira decisiva do Drug Aware Margaret River Pro despachando a vice-campeã desta etapa nos dois últimos anos, a australiana Tyler Wright, 21 anos. Mas o seu melhor momento foi na semifinal contra Malia Manuel, 21, a mesma havaiana que ela enfrentou na decisão do seu bicampeonato em 2012. Nesta bateria ela surfou grandes ondas, já iniciando com nota 9,00 na primeira onda, depois 7,00 na segunda, 6,87 na terceira, 8,00 na quarta e 8,53 na quinta para fechar o maior placar do último dia em 17,53 pontos. Malia Manuel também achou boas ondas para tirar notas 8,77 e 7,10 e somar 15,87 pontos, superando o resultado da primeira semifinal.

O duelo que já virou um clássico desta talentosa nova geração do WCT feminino, entre Carissa Moore e a australiana Sally Fitzgibbons, 24 anos, foi o mais acirrado da quarta-feira e definido por uma pequena diferença. A havaiana achou uma onda fantástica para manobrar forte e arrancar a maior nota do dia, 9,33, que acabou decidindo a vitória por 14,73 a 14,27 pontos. Na quarta de final havaiana contra a sensação da temporada, Tatiana Weston-Webb, 18 anos, Carissa também pegou boas ondas para vencer por 17,37 a 9,07 pontos, somando notas 8,70 e 8,67. Com duas vitórias e um vice-campeonato, a havaiana lidera a corrida pelo seu terceiro título mundial com 28.000 pontos, contra 21.700 da nova vice-líder, Courtney Conlogue.

“Estou muito feliz por conseguir mais um bom resultado”, disse Carissa Moore. “As ondas estavam muito boas hoje (quarta-feira) e a Courtney (Conlogue) fez um trabalho incrível e mereceu a vitória na final. Ela é uma trabalhadora, treina bastante e estou feliz por ela ter vencido também. Esta perna australiana foi incrível para mim e estou muito animada para voltar para casa com três bons resultados. Obrigado a todos que fizeram este evento, nós meninas pudemos competir em ótimas condições durante todo o campeonato e foi ótimo isso”.

A hexacampeã mundial Stephanie Gilmore, 27 anos, que defende o título mundial e foi finalista nas duas primeiras etapas vencidas por Carissa Moore, contundiu o joelho em Margaret River e é dúvida para o Oi Rio Pro. Ela agora é a terceira colocada no ranking com 19.300 pontos, seguida pelas também australianas Tyler Wright com 16.900 e Sally Fitzgibbons com 16.300 pontos. A única sul-americana no seleto grupo das 17 melhores surfistas do mundo é a brasileira Silvana Lima, 30 anos, que tirou as duas únicas notas 10 do ano entre as meninas na Austrália e divide a nona colocação com a havaiana Coco Ho, 23 anos.