24 de novembro de 2015

Final do Brazil Run Series tem recorde e dobradinha

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Foto: Luiz Doro //

Joziane Cardoso e Ederson Vilela foram os melhores do País. Africanos Gladys Kemboi e Joseph Panga foram os vencedores da etapa de São Paulo, que dominou as ruas de São Paulo com 4.500 competidores.

Em dia de clássico do futebol paulista, o Estádio do Pacaembu tornou-se palco da mais acirrada disputa do ano entre os fundistas da elite do atletismo nacional, na etapa final do Brazil Run Series/Circuito de Corridas CAIXA. Joziane Cardoso e Ederson Vilela, quarta e terceiro colocados, formaram a dobradinha brasileira na prova, dominada pelos africanos. Gladys Kemboi, do Quênia, teve uma vitória apertada, enquanto Joseph Panga, da Tanzânia, voou baixo para estabelecer o novo recorde do percurso.

O último domingo amanheceu com temperatura amena e tempo nublado, características ideais para os 4.500 competidores que tomaram conta dos percursos de 5 km e 10 km, a partir da Praça Charles Miller, passando pela Av. Pacaembu e pelo Minhocão. Nos pelotões de elite, 65 fundistas elevaram o nível técnico da prova, colocada estrategicamente no final da temporada. Entre eles, os primeiros colocados do ranking brasileiro e atletas de equipes como Pinheiros e Pé de Vento, já em ritmo de campanha olímpica para os Jogos do Rio 2016.

Joziane contra o paredão africano

As mulheres da elite feminina foram as primeiras a largar, às 7 horas. Desde os primeiros quilômetros, as africanas formaram um bloco compacto. A campeã Gladys Kemboi, do Quênia, cruzou a linha de chegada a milésimos de segundo à frente da tanzaniana Natália Elisante Sule. “Viemos todas juntas e só consegui vencer nos metros finais, por pouco”, destacou Gladys.

Única brasileira no pódio, Joziane Cardoso ficou a apenas 8 segundos da campeã. “Foi uma prova bem dura. Todas largaram muito forte, e procurei ficar junto das africanas durante todo o tempo”, contou Joziane. A paranaense radicada no Rio de Janeiro repetiu o resultado de 2014, quando também foi a melhor do País na prova. De quebra, diminuiu para apenas seis pontos a desvantagem para a quinta colocada no Ranking CBAt/CAIXA, Rejane Bispo. E já volta os olhos para a Olimpíada, em 2016. “Vou buscar o índice para os 5.000 m ou para os 10.000 m”, apontou.

Recorde masculino

Desde 2012, quando o queniano Hillary Kipgetich Kibet marcou o recorde da prova, com 29min10, não se via uma disputa tão forte na elite masculina. Mas o tanzaniano Joseph Panga ditou o ritmo desde o início, no domingo, e cruzou a linha de chegada com 28min59, tempo 11 segundos menor que o de três anos atrás. “Foi uma ótima prova, com clima e percurso muito bons para correr”, elogiou Joseph.

Melhor entre os brasileiros na etapa paulistana do Brazil Run Series/Circuito CAIXA, Ederson Vilela acompanhou os africanos até o sétimo quilômetro. “Larguei na ponta e segui junto com os estrangeiros, mas os perdi de vista nos últimos três quilômetros. É um trecho complicado, porque a gente acaba pegando o pessoal que está fazendo 5 km. Mas corri bem. Estava treinando em Campos do Jordão, e vim com uma boa resistência”, avaliou Ederson.

Terceiro do ranking brasileiro dos 5.000 m e quarto nos 10.000 m, Ederson também está focado em conseguir o índice olímpico para essas distâncias. “Vou me dedicar às provas de pista no primeiro semestre de 2016. Eu já fui campeão do Troféu Brasil nos 5.000 m em cima do Marílson Gomes, em 2013″, orgulha-se o atleta. “Sei que tenho condições de conseguir uma vaga para os Jogos e representar o Brasil.”

Liderança do ranking nacional em jogo

Perto do final da temporada, a etapa de São Paulo também é fundamental para quem busca os primeiros lugares no ranking nacional ou quer consolidar sua posição. Mesmo com o 12º lugar neste domingo, Conceição Oliveira garantiu uma vantagem confortável de 40 pontos na liderança, entre as mulheres.

Entre os homens, a ausência do líder Wellington Bezerra deu ao vice-líder Sivaldo Viana a chance de encurtar a distância entre os dois. “As duas últimas etapas, em Belo Horizonte e aqui em São Paulo, foram difíceis. Meu filho está doente, e isso tira a minha concentração da corrida. E o Wellington não é o Corinthians, mas é quase campeão”, brinca Sivaldo. “Mas o jogo ainda não está ganho. Hoje somei mais oito pontinhos, importantes. Ainda temos a Volta da Pampulha, a Maratona da Bahia e a São Silvestre. É possível que a liderança seja decidida apenas no último dia do ano.”