27 de outubro de 2015

Hans Becking e Jiri Novak são bicampeões da Brasil Ride

267520_551635_151024_00546_by_kuestenbrueck

Foto: Armin Kuestenbrueck //

Holandeses e brasileiras são os melhores ao final de sete dias de disputas, com percurso acumulado de 600 km na Chapada Diamantina, na Bahia.

Após 600 km, sete dias e 13.000 metros de ascensão acumulada, a Brasil Ride 2015 conhece seus campeões. Os ciclistas venceram subidas íngremes, descidas alucinantes, single tracks repletas de ‘armadilhas’ naturais. Pedalaram por trilhas e asfalto entre as cidades de Mucugê e Rio de Contas, na Chapara Diamantina, na Bahia, para completar a principal ultramaratona de MTB das Américas. E ninguém foi mais veloz que o holandês Hans Becking e o tcheco Jiri Novak. Com a terceira colocação na etapa final e o tempo de 2h45min08, eles garantiram, no último sábado, o bicampeonato na categoria open. Na ladies, as brasileiras Raiza Goulão e Viviane Favery lideraram desde o primeiro dia e confirmaram o título ao cruzar a linha de chegada em 3h40min56.

Na etapa, os brasileiros Halysson Ferreira e Rafael Mesquita, o Catalão, foram mais uma vez destaques na open, com a vitória após os 77 km da última prova, em 2h41min49. Daniel Grossi e Guilherme Saad subiram ao pódio pela primeira vez nesta edição, com a segunda colocação em 2h45min06. Entre as mulheres, Isabella Lacerda e a norte-americana Nina Baum conquistaram a segunda vitória seguida, em 3h19min39, garantindo a categoria América. Erika Gramiscelli e Letícia Cândido foram vice-campeãs do dia, completando em 3h32min40.

A dupla Becking/Novak levantou o troféu da sexta edição da Brasil Ride com o acumulado de 26h34min04, uma vantagem de 45min38 para os segundos colocados de 2015, Hugo Prado Neto e Lukas Kaufmann. “Só queríamos sobreviver sem correr riscos. O objetivo era estar o máximo de tempo no pelotão da frente e conseguimos isso. É uma ótima sensação. Ano passado ganhamos por três minutos e dessa vez com uma folga maior. Estamos muito felizes. Nós conseguimos. Temos tanto carinho e respeito do público local, é muito legal”, destacou Hans Becking. “Claro que voltarei em 2016. Por que não?”, finalizou.

Jiri Novak também comemorou o feito e parabenizou todos os competidores. “Me sinto muito bem com essa conquista, tanto por conseguir completar a prova, como por conquistar mais um título junto com o Hans Becking. A semana foi muito difícil. É louco porque essa corrida é sensacional. Todos os ciclistas que conseguem completar os sete dias são, para mim, heróis, porque é uma competição muito complicada, com estágios longos. E nesse ano estava muito quente outra vez”, avaliou Jiri.

Vice-campeões, Hugo Prado Neto e Lukas Kaufmann não esconderam a felicidade ao atingir esse feito inédito em suas carreiras. “Estou muito feliz. Participei de todas as edições e essa é a terceira vez com o Hugo. Aprendemos a nos preparar e fazer a corrida de forma certa. O resultado mostra que fizemos nosso melhor. Tem um valor muito grande para nós dois”, vibrou Lukas. “Adquirimos sabedoria suficiente para nos preparar para a Brasil Ride, por isso não temos nenhum arranhão e nem caímos nenhuma vez. Nunca fomos dados como favoritos, mas sabíamos das nossa condições. Estávamos voando abaixo do radar e deu certo”, afirmou Hugo.

A terceira colocação geral na categoria open ficou com Henrique Avancini/Wolfgang Olsen, com o tempo acumulado de 27h43min40, que levou ainda o título da american man. “Depois da primeira vez, nunca voltei de mão abanando. Dois títulos da América e um geral. Esse ano foi inesperado ganhar mais um título. O Woflgang me deu orgulho, é muito guerreiro. Sofreu três quedas, teve problemas mecânicos e não se entregou em momento nenhum. É especial para mim, principalmente pelo meu companheiro de equipe que foi merecedor desse resultado”, disse Avancini.

De ponta a ponta

Raiza Goulão e Viviane Favery lideraram a Brasil Ride desde a primeira etapa. No sábado, completaram os 77 km da etapa final sem correr grandes riscos e conquistaram o título com larga vantagem no tempo acumulado. No total, a diferença para as vice-campeãs Isabela Lacerda/Nina Baum foi de 3h20min25. Uma dupla de sucesso entre duas campeãs brasileiras, de Cross Country e Maratona, que tinha como objetivo a vitória para ajudar Raiza a obter os 120 pontos da etapa nos rankings internacionais.

“Vim para a Brasil Ride devido aos pontos no ranking da UCI (União Ciclística Internacional). Vim bem leve, pensando em completar e conquistar o máximo de pontos possíveis. Devido a quantidade de provas que fiz esse ano, estava bem saturada, bem cansada”, revelou Raiza. “Mas, a cada dia, eu me divertia mais. Conseguimos a liderança com cinco vitórias consecutivas. Ajudar minha parceira foi muito legal, porque pude passar experiência de prova internacionais. Estava em um ritmo confortável pra mim, mas sempre tentando puxar a dupla”, complementou.

Já Vivi pode ajudar a companheira com sua experiência. Essa foi a terceira participação de Viviane, especialista em provas de longa distância no mountain bike. “Considero essa jornada como uma missão de vir acompanhar a Raiza. Missão de muita responsabilidade. A gente não imaginou que pudesse conquistar esse resultado. Pensava assim, se a gente ganhar uma etapa, seria muito incrível”, contou. “Estou muito emocionada. Acho que às vezes eu me subestimo. Eu trabalho, tenho uma jornada dupla, moro em São Paulo e é muito difícil coincidir os treinos, enfim, estou indo para casa muito mais forte, com uma bagagem que não se compra, conquistar tanto autoconhecimento, parceria, sete dias no seu limite”, finalizou Vivi.