Krystian e Hizunomê festejam títulos

Foto: Pedro Monteiro //

O capixaba Krystian Kymerson foi o campeão das quatro etapas do Oi SuperSurf 2015 e Hizunomê Bettero assumiu a ponta no ranking brasileiro com nota 10 na final paulista contra Magno Pacheco na Praia de Itaúna.

A Praia de Itaúna comprovou mais uma vez a fama de “Maracanã” do surfe bombando ondas excelentes de 4-6 pés para fechar o Oi SuperSurf 2015 no domingo de Sol e calor completando o cenário perfeito em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O último dia foi emocionante, com o capixaba Krystian Kymerson festejando o título de campeão das quatro etapas do Oi SuperSurf 2015 logo na primeira rodada do dia. Ele parou nas quartas de final, quando o paulista Hizunomê Bettero passou a comandar o show nas esquerdas de Itaúna. Ele assumiu a ponta do ranking brasileiro ao passar pelo carioca nas semifinais e depois teve que tirar uma nota 10 para ganhar a final paulista com Magno Pacheco num confronto eletrizante encerrado em 18,37 a 15,27 pontos.

“Estou muito feliz por essa conquista do SuperSurf, era um sonho meu participar desse circuito e essa volta dele foi demais. E ser campeão neste primeiro ano do retorno era tudo o que eu desejava”, disse Krystian Kymerson, após ser barrado pelo vice-campeão do Oi SuperSurf de Saquarema, Magno Pacheco, na abertura das quartas de final. “Não estou nem conseguindo acreditar direito, mas estou muito feliz, minha família está toda aqui, meus amigos, então é só festejar. Minha vontade era passar pra semifinal, mas o Magno (Pacheco) achou boas ondas pra me vencer e agora é focar na última etapa da ABRASP que vai decidir o campeão brasileiro lá em Torres (RS), que é um sonho meu também”.

A definição do título do Oi SuperSurf 2015 aconteceu logo na primeira rodada do domingo. Krystian Kymerson deu um show nas direitas de Itaúna estabelecendo um novo recorde de 19,53 pontos de 20 possíveis somando notas 9,60 e 9,93, com três dos cinco juízes dando nota 10 nessa onda para ele. Com a vitória sobre o paulista Wesley Santos, o pernambucano Halley Batista e o baiano Yagê Araujo, Kymerson acabou com a chance de Hizunomê Bettero brigar pelo caneco de campeão do Oi SuperSurf 2015 e ainda viu seus outros três concorrentes serem eliminados nas baterias seguintes.

O primeiro a cair foi o Flavio Nakagima, logo no segundo confronto do dia. Ele liderou o ranking brasileiro desde a primeira etapa e foi a primeira vítima de Magno Pacheco. Na disputa seguinte, o baiano Bino Lopes que começou o último dia na frente dos dois rankings, também saiu da briga ao ser superado por Hizunomê Bettero e o carioca Lucas Silveira. E o título de campeão do Oi SuperSurf 2015 foi confirmado quando o paranaense Jihad Khodr perdeu a disputa pelas duas últimas vagas para as quartas de final para o paraibano Samuel Igo e o paulista Ricardo Ferreira. Krystian já estava no mar para enfrentar Magno Pacheco nas quartas de final, com o paulista carimbando sua faixa com mais uma grande apresentação nas direitas de Itaúna.

“Foi emocionante. Eu estava lá dentro quando ouvi a notícia que ele (Krystian Kymerson) tinha sido campeão do Oi SuperSurf 2015 e estou muito feliz por estar competindo aqui em Saquarema, pois essa é a primeira vez que eu participo de um campeonato aqui”, confidenciou Magno Pacheco, logo após a vitória sobre o capixaba. “Fazia tempo que eu não conseguia um resultado expressivo e essa volta do SuperSurf me deu um novo ânimo pra retomar as competições. Eu estava meio parado, tive que trabalhar por falta de patrocínios, terminei minha faculdade agora, me formei em Tecnologia e Segurança do Trabalho e quero até agradecer minha faculdade, a Dom Domênico, que me deu um suporte total, 100% de bolsa pra estudar e no ano que vem quero tentar voltar as competições com foco total”.

As quartas de final continuaram adrenalizantes, com a Praia de Itaúna apresentando ótimas ondas para todos os competidores, principalmente para os paulistas que dominaram os confrontos decisivos do domingo em Saquarema. Em dois duelos 100% paulistas, Marcos Correa despachou Wesley Santos e Hizunomê barrou Ricardo Ferreira. Só a última bateria não tinha nenhum surfista de São Paulo e o carioca Lucas Silveira ganhou a última vaga para as semifinais derrotando o paraibano Samuel Igo com o segundo maior placar do dia até ali, 18,20 pontos com notas 9,20 e 9,00 e ainda descartando 8,77 e 8,33.

As semifinais também foram emocionantes e Magno Pacheco ganhou a bateria paulista com Marcos Correa, que dividiu o terceiro lugar no Oi SuperSurf de Saquarema com o carioca Lucas Silveira, superado pelo campeão Hizunomê Bettero na bateria seguinte. Com a classificação para a grande final, o ubatubense ultrapassou o capixaba Krystian Kymerson para já assumir a liderança no ranking brasileiro antes mesmo de enfrentar Magno Pacheco na última bateria da temporada 2015 da principal competição do circuito da Associação Brasileira de Surf Profissional, que será encerrado em dezembro em Torres (RS).

“A Praia de Itaúna nunca negou fogo e não ia deixar a galera do SuperSurf de fora, então só tenho que agradecer a todos que conseguiram trazer esse circuito alucinante de volta para essas ondas maravilhosas aqui de Saquarema”, destacou Hizunomê Bettero, logo após assumir a ponta do ranking brasileiro. “Todos os gringos que vêm aqui correr o WQS falam que essa onda é de nível internacional e para mim é um privilégio estar aqui mais uma vez. Na real, eu não tava mais nem pensando em ranking depois que vi que não tinha mais chance de ser campeão do SuperSurf. Eu só estou pensando mesmo nessas esquerdas sensacionais e já estou feliz em poder surfar essas ondas por mais 30 minutos na final”.

DECISÃO ESPETACULAR

A decisão do título começou com Magno Pacheco dominando a primeira metade da bateria com o seu backside vertical nas direitas de Itaúna. Enquanto o guarujaense ia aumentando a vantagem a cada onda com notas 7,27 e 8,00 para aplicar uma “combination” em Hizunomê, com o ubatubense precisando de mais de 10 pontos para superar Magno. Era como se tivesse que fazer uma outra bateria de 15 minutos. O ubatubense se manteve posicionado para surfar as esquerdas que começaram a aparecer para ele.

A reação começou numa esquerda da série, que abriu o paredão para Hizunomê mostrar a força do seu frontside, mandando cinco manobras verticais no ponto mais crítico da onda com pressão e velocidade para arrancar a segunda nota 10 na Praia de Itaúna. Em seguida, ele pegou outra esquerda boa abrindo a parede para tirar 7,70 e assumir a ponta com 17,70 pontos contra 15,27 de Magno. O guarujaense então pega a sua primeira esquerda também para tentar uma nota excelente para vencer, pois precisava de 9,71 pontos, mas a média ficou 5,67.

Depois, os dois fecharam a última final do Oi SuperSurf 2015 nas direitas perfeitas de Itaúna e Hizunomê arrebentou de novo, agora de backside, acertando as manobras para tirar nota 8,37 e aumentar o placar da vitória espetacular do ubatubense para 18,37 a 15,27 pontos. O título valeu um prêmio de R$ 15.000 para Hizunomê Bettero, que já tinha assumido a ponta na disputa do título brasileiro. Magno Pacheco faturou R$ 9.000 pelo vice-campeonato, subindo da 73.a para a 25.a posição no ranking nacional.

“Eu estava ali já adrenalizado porque o Magno (Pacheco) começou muito bem a bateria, me deixou em combinação (de duas ondas para vencer), mas fiquei tranquilo porque eu sabia que as ondas iam vir ainda nas esquerdas e se viessem eu iria conseguir as notas que precisava”, disse Hizunomê Bettero. “Eu vi ele competindo nas direitas nas outras baterias hoje, mas decidi manter minha estratégia de pegar as esquerdas. Elas demoraram um pouco para entrar, mas, Graças a Deus, Nossa Senhora de Nazaré mandou as ondas e só tenho que agradecer a padroeira dessa cidade, que é madrinha do meu pai e oferecer essa vitória para o meu filho que fez aniversário ontem (sábado) e agora vamos comemorar (risos)”.

O vice-campeão, Magno Pacheco, também ficou feliz com o seu melhor resultado no Circuito Brasileiro: “A bateria foi muito boa, boa de ondas e boa de surfe. Eu comecei muito bem, mas o Hizunomê conseguiu aquela nota 10 que foi alucinante. Eu vi ela do começo ao fim e sabia que ia sair uma nota boa, veio o 10 e parabéns pra ele que surfou bem o campeonato inteiro e mereceu a vitória. Eu dei o meu máximo nessa final, infelizmente não venci, mas o segundo lugar também foi um resultado excelente e saio daqui contente do mesmo jeito”.