Resultados da quinta etapa esquentam a Brasil Ride

Foto: Ney Evangelista //

Sol e sensação térmica na cara de 50 graus castigam os bikers. Na disputa pelo título, Hans Becking e Jiri Novak vencem e diminuem a vantagem para os líderes Daniel Geismayr e Hermann Pernsteneir.

O sol inclemente da Chapada Diamantina tem sido um obstáculo a mais na Brasil Ride. Em certos pontos das trilhas, a sensação térmica pode chegar a 50 graus. Os bikers sofreram novamente na etapa desta quinta-feira. Da largada, às 8h, até a chegada, no final da tarde, quando cruzaram os últimos colocados, nenhuma nuvem apareceu no céu da Bahia para oferecer o refresco de uma sombra aos atletas. Melhor para quem conhece bem o percurso e é da casa. Não por acaso, as três duplas vencedoras sabiam o que enfrentariam. Atual campeão em parceria com tcheco Jiri Novak, o holandês Hans Becking cruzou a linha de chegada em primeiro. Logo atrás vieram os brasileiros Hugo Prado Neto/Lukas Kauffmann (suíço radicado em Belo Horizonte) e Henrique Avancini/Wolfgang Olsen.

Becking/Novak venceram com o tempo de 4h24min21 e colocaram um pouco de pimenta na disputa pelo título. Isso porque os líderes Daniel Geismayr e Hermann Pernsteneir, da Áustria, cruzaram em quarto lugar, após 4h37min15, e viram sua vantagem no acumulado cair de 27 para 14 minutos. Para seguir na perseguição até o final, o atual campeão sabe que precisa ‘sobreviver’ ao clima. “Sinto que a cada ano está mais quente. Na parte plana você sentia um vento quente, com cerca de 40 graus. Então ficava muito difícil forçar nessa parte. Na Holanda está congelando nessa época do ano, e chove a cada dia. Então, não estamos nada acostumados com isso. Procuramos não exagerar no ritmo para sobreviver a semana inteira. Nesta quinta etapa não fizemos diferente.”

Os brasileiros protagonizaram uma chegada emocionante. Hugo Prado Neto/Lukas Kauffmann e Henrique Avancini/Wolfgang Olsen duelaram roda a roda a partir da última subida. Na chegada, em Rio de Contas, prevaleceu a melhor tática. Prado abriu vantagem a partir do último quilômetro e deixou para Kauffmann, dono de um melhor sprint, duelar com os adversários até a reta final, onde novamente se encontraram para cruzar em segundo, com apenas 1 segundo de diferença – 4h36min37 e 4h36min38. Após o grande resultado, Lukas deixou transparecer o desgaste. “Sofri muito na quarta-feira, dormi mal, acordei com a cara inchada, nariz entupido. Com isso, o sofrimento foi demais no início da prova, mas fui recuperando. O ritmo não estava tão alto e consegui segurar. No final, a nossa tática deu certo. Mas o calor está demais. Podia chover um pouco. Está um verdadeiro inferno.”

Henrique Avancini elogiou a tática dos adversários e recomendou cuidado a todos os atletas até o final da Brasil Ride quanto ao calor. “Por pouco não fizemos segundo lugar, mas estamos bem felizes porque fizemos uma etapa progressiva. Estava realmente muito quente. Nesta quinta, talvez tenha sido até um pouco menos sofrida em relação a temperatura, porque podíamos pedalar um pouco mais rápido. Mas é o quinto dia e a fadiga acumulada é considerável e todos sofrem bastante. É muito importante, para amadores e elite, ficar atentos e se cuidar para a etapa de amanhã (sexta-feira), que é mais longa e vai estar realmente muito quente”, antecipou.

Líderes da Brasil Ride e quarto colocados na etapa, os austríacos Daniel Geismayr e Hermann Pernsteneir sofreram em dose dupla, com calor e problemas com as bikes. “Acredito que foi o dia mais quente de todos os cinco de prova. Tomei cerca de dois litros em dez minutos, algo inacreditável”, disse Daniel. Hermann completa. “Estava muito quente e ainda tivemos três pneus furados. Precisamos vedar os pneus em três oportunidades, o que complicou mais ainda.” Sobre a briga pelo título ficar mais acirrada, Daniel foi claro. “Essa diferença é quase nada se pensarmos friamente para os dias atuais. Foi um dia muito ruim para nós. Não foi nada divertido. Apenas pedalar e correndo atrás do tempo perdido com os problemas mecânicos.”