22 de maio de 2017

Suor, festa e turismo na Serra Gaúcha

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Foto: Divulgação //

Sexta edição da corrida, realizada na manhã do último sábado, reuniu 1.200 participantes numa celebração da saúde e do enoturismo.

O slogan da camiseta – run now, wine later – anunciava o programa de 1.200 pessoas de 17 estados brasileiros que se reuniram na Serra Gaúcha, mais precisamente no Vale dos Vinhedos, na manhã do último sábado. Este grupo disputou a sexta edição da CAIXA Wine Run, uma das corridas temáticas mais originais do calendário. A prova une atividade física, consumo do espumante nacional cada vez mais valorizado e a possibilidade de fazer turismo na bela Serra Gaúcha, com paisagens que nada devem às mais belas da Europa e passeios diferenciados, como visitas a uma das 79 vinícolas da região.

O percurso de 21 quilômetros serpenteia por estradas de terra que passam ao lado de parreirais e vinícolas, por pequenas igrejas e casas antigas que marcam a forte presença da colonização italiana e podia ser completado por apenas um corredor ou por duplas. Para alguns, o objetivo era superar seus limites, já outros aproveitavam o visual de tirar o fôlego e chegavam a parar nas subidas ou descidas de serras para admirar os vales ainda verdes, mesmo com a chegada do outono, sem se preocupar com seu tempo na prova.

A luta contra o relógio é o fator que motivou Tauro Bonorino a completar o percurso em 1h33min36 e vencer pela primeira vez a categoria solo. Tauro é assíduo na competição e já tinha conquistado a categoria trio (que não foi disputada este ano) e a de duplas. Faltava o título da manhã deste sábado. “Vim buscar esta vitória. Fiz uma tática diferente, não forcei o ritmo no início e logo no quilômetro sete assumi a ponta. Vi que algumas duplas estavam à frente, mas não briguei com eles e só controlei os demais corredores solo que vinham atrás. No final completei bem perto do ganhador da dupla”, contou Tauro, de 39 anos, que tem uma assessoria esportiva com seu nome em Canoas, próximo a Porto Alegre. Ele ainda ganhou mais um troféu de maior assessoria desta edição, com 90 participantes.

O primeiro a cruzar a linha de chegada, em 1h32min53, foi Wander Viel, de 48 anos, parceiro de Vanderlei Tiburci, de 34, ganhadores da dupla masculina.”Eu e o Vanderlei treinamos sempre na Serra, pois somos da vizinha Monte Belo. Ganhei em 2015 na dupla, com outro parceiro, e o Vanderlei ficou em segundo, Nos unimos e agora ganhamos de novo. O Vanderlei completou o primeiro trecho na frente e só administrei até a vitória”, explicou Wander que promete voltar no ano que vem para conquistar o bicampeonato para a dupla.

A primeira mulher a cruzar na categoria solo fez um tempo bem abaixo. Franciela Terres chegou tímida ao campo de futebol na Via Trento, onde foi montada a grande estrutura para receber os corredores, após 2h00min03. “O percurso era bem puxado, mas bonito. O tempo ajudou (16 graus C na largada) e consegui completar minha primeira meia maratona com uma vitória. Agora vou treinar bastante para a Maratona de Porto Alegre no ano que vem”, afirmou Franciele, de 27 anos, que é auxiliar administrativa em Lageado, cidade a 75 quilômetros de Bento Gonçalves.

O primeiro pódio não se esquece

Para alguns corredores a CAIXA Wine Run representa desafio, briga contra o relógio. Para outros, superação ou possibilidade de praticar um hobby saudável e conhecer novas cidades e belas regiões, como corredores que vieram de estados distantes como Rondônia, Mato Grosso e outros do Nordeste.

A campeã da categoria 35 a 39 anos, Alessandra Cea, começou a soluçar no pódio e chorou copiosamente ao abraçar o treinador Nivaldo da equipe Viva Bem, de Florianópolis. Cumprimentada por todos os amigos a química contou o motivo da sua emoção. “Foi minha primeira vitória e justamente na estreia em trilhas. Treino há apenas um ano e dois meses e não esperava este resultado maravilhoso. Devo tudo à minha equipe”.

A emoção também dominou outra estreante na Serra Gaúcha, Daniela Martins Machado, gerente de projetos de TI, do Rio de Janeiro, fez sua primeira prova depois de ficar um ano parada em função de uma lesão. Ela completou os 21 quilômetros em 3 horas e cruzou a linha muito emocionada. “A prova é linda e dificílima. Desculpe, estou emocionada”, falou com a voz entrecortada. “Começa com cheiro de laranja e rosas. A primeira parte é muito difícil e a segunda tem um visual incrível. Completar hoje foi uma superação, depois de ficar tanto tempo parada. Procurei curtir o caminho e chegar sem dor. Agora, quero muito espumante e depois vou treinar para a Maratona do Rio. No próximo ano volto com meu marido e vamos comemorar aqui o aniversário de casamento”, antecipou.