6 de novembro de 2013

Beisebol

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Beisebol: esporte de gringo?

Texto: Laís Bozzetto

Fotos: Cristiano Cardoso

Pode parecer estranho, ou melhor, incomum, falar sobre um esporte que é tão popular nos Estados Unidos, mas ainda desconhecido da grande massa no Brasil. Afinal, estamos no país do futebol, correto? Errado. Pensar que o nosso país é um lugar de um único esporte é enxergar com uma visão exclusivamente midiática, em que se vê a monopolização de algumas modalidades e eventos esportivos. Mesmo que nas entranhas, o beisebol tem conquistado seu espaço. Só no Rio Grande do Sul, nove times trocam a pelota nos pés por luva, taco e bola.

Seja em 1850, com os norte-americanos trabalhadores de empresas instaladas no Brasil, seja em 1918, com os imigrantes japoneses em São Paulo e a fundação do time nipo-brasileiro “Mikado”, o fato é que o beisebol chegou ao país há muito tempo.  Por um fator meramente cultural, o esporte não ganha tanta atenção da mídia e, com isso, pouco se ouve falar nele. Se o americano e o japonês nascem “com uma bola de beisebol na mão”, os brasileiros, antes mesmo de chegarem ao mundo, já ganham uma bola de futebol. O hábito se adquire, as dificuldades se superam, mas a questão cultural é bastante complicada para se modificar, pois está enraizada.

Mesmo com todas essas adversidades, os adeptos do beisebol conseguem marcar território pelos quatro cantos do país, construindo uma história bacana de ser contada. Segundo a Confederação Brasileira de Softbol e Beisebol, existem mais de 30.000 praticantes, divididos em 120 times, com mais de 55 campeonatos nacionais e internacionais. Ou seja, com a determinação dos praticantes e com a ajuda das ligas estaduais, o beisebol cresce muito rapidamente. Só no Rio Grande do Sul, são nove times, sendo que hoje oito deles participam do Campeonato Gaúcho de Beisebol.

Desde a primeira edição do evento, em 2007, passaram-se cinco anos, e muita coisa mudou (e evoluiu). Se daquela ocasião participaram 35 jogadores, na última, mais que o dobro esteve competindo, cerca de 150 jogadores. Esse aumento possibilitou um maior intercâmbio para compra de equipamentos e troca de informações, vitais para o esporte.

O publicitário Luis Grisólio, 50 anos, jogador do Farrapos Beisebol Clube, lembra como o esporte começou no Estado. Foi com a criação do time que integra, em 2006, por apaixonados pela modalidade. O maior deles, Yuri Jaeger Monti, que hoje é jogador, juiz e dirigente de outro clube, o Chimangos, foi quem deu o pontapé inicial e quem organizou a Liga Gaúcha de Beisebol. Foi ele também que descobriu mais dois times: o Bromo de Pelotas e os Hunters de Santa Cruz do Sul.

Grisólio, que se define como um apaixonado por esportes americanos, começou a acompanhar há muitos anos as coberturas pela televisão:

“Em 2008 meu filho começou a jogar no Farrapos e insistiu para que eu fosse também, mas sempre recusei. Até que em 2011 topei e percebi que era muito mais fácil reclamar de um jogador pela TV, pois na prática o esporte é outro”, conta.

Como é um esporte amador, Grisólio explica que o beisebol não atrapalha em nada seu trabalho como publicitário. Afinal, como ele mesmo diz, “Não dá para viver de esporte amador no Brasil”. Os treinamentos no Farrapos acontecem todos os sábados e domingos, na adaptação de campo que os integrantes da equipe fizeram no Anfiteatro Pôr do Sol, assim como outros times improvisam nos parques espalhados pela cidade:

“Assim como luva, taco e bola são os equipamentos básicos para a prática do beisebol, o local ideal seria um estádio específico para a modalidade. Infelizmente, hoje no Brasil só temos essa estrutura em São Paulo e no Rio de Janeiro”, explana.

Embora existam certas adversidades e a necessidade de adaptações e improvisos, Grisólio expõe que jogar beisebol é o maior barato. Para ele, um jogador desse esporte, além de fazer grandes amigos na convivência esportiva, tem de usar a inteligência para realizar algumas jogadas, pois é uma modalidade objetiva e estratégica. Ele aconselha a todos a conhecer o esporte, ou, se preferirem, antes, procurar descobrir mais sobre o beisebol:

“O Farrapos B.C está sempre recrutando novos jogadores. Inclusive temos um projeto para iniciar as ligas menores, até 12 anos. Quem se interessar pode nos visitar no Anfiteatro Pôr do Sol aos sábados e domingos, a partir das 9h da manhã. Se preferir informar-se um pouco mais, também existem grandes filmes que tratam do assunto, como Money Ball, Campo dos Sonhos, e o melhor de todos, The Natural.

Esses filmes mostram o esporte e suas agonias, alegrias e tristezas. Quem conhece o beisebol se apaixona!”, indica Grisólio.

Um pouco mais sobre o beisebol…

O beisebol é composto por nove jogadores: lançador (pitcher), receptor (catcher), primeira base, segunda base, terceira base, inter-bases (short stop) e três jardineiros (outfields). A regra é bem simples: um time defende com os nove jogadores, e outro ataca com os rebatedores, depois invertem-se as posições. O objetivo do jogo é ganhar as bases com corridas e voltar para a casa (home plate) marcando pontos.

Na MLB (Major League Baseball), uma partida pode levar até quatro horas. No Brasil, os campeonatos geralmente são realizados por tempo estabelecido ou entradas (innings). A preparação é muito grande, principalmente a mental, já que esse esporte exige explosão e rapidez. Como força todo o corpo, é preciso uma boa preparação física. Ombros, pernas e cintura devem ter uma atenção especial, pois são frequentes as lesões por causa dos movimentos repetitivos. Cada posição no campo tem um treinamento especial, que vai desde condicionamento físico até musculação.