6 de novembro de 2013

Bike Tour

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Um casal resolve dar uma leve pedalada entre Florianópolis/SC e Niterói/RJ. Planejamento e força de vontade fizeram desse circuito uma aventura que durou 18 dias e 1.560 km de muita adrenalina, com boas histórias para contar. Patricia Barcellos relata aqui como foi toda essa história de andar por estradas de alto risco em que muitos iriam trocar a bike por uma bela partida de futebol entre amigos!

Saímos no dia 3 de agosto, às 11h. O percurso foi tranquilo, sempre pelo litoral, seguimos até Porto Belo, depois são Francisco do Sul. Pegamos a balsa e seguimos até Guaratuba. Mais uma balsa e fomos até Pontal do Paraná, para atravessar e conhecer a Ilha do Mel. Dali, tentamos descobrir uma maneira de chegar de barco até Cananeia, que era nosso roteiro principal, mas diante das adversidades e informações desencontradas, mudamos o percurso e voltamos por Paranaguá, para ir até Morretes. Subimos a maravilhosa Serra da Graciosa, com seus 20 km de inclinação, estrada de paralelepípedo e visual alucinante.

Continuamos pela Régis Bittencourt até Registro, e dali descemos novamente para o litoral, até Peruíbe.

De Peruíbe, passando por Praia Grande, Santos, Guarujá, até Bertioga, tivemos a grata surpresa de uma maravilhosa ciclovia em toda a extensão do percurso. Santos, sem dúvida, com sua orla impecável, é um exemplo de ciclovia muito bem delimitada e sinalizada – além de contar com a educação tanto de ciclistas e pedestres quanto de motoristas.

De Bertioga entramos na linda Rio/Santos e seguimos pela intacta e preservada Serra do Mar, beleza exuberante do Brasil tropical (de um lado, a Serra; de outro, o mar azul-esverdeado).

Logo depois de cruzar a fronteira São Paulo/Rio de Janeiro, chegamos a Paraty, sempre seguindo a estrada até a entrada da Avenida Brasil. Foram várias paradas em praias lindas, sempre curtindo o caminho, conhecendo pessoas.

Já dentro da cidade do Rio de Janeiro, seguimos pela estrada de Santa Cruz, até a Barra da Tijuca, e continuando pelo litoral fluminense até pegar a barca para Niterói, às 17h45, do dia 20 de agosto.

Encaramos a turbulenta e desorganizada hora do rush do centro de Niterói e seguimos em direção ao ponto final de nossa viagem, concluída com sucesso e sem acidentes. Só houve três pneus furados.

Conhecemos pessoas incríveis pelo caminho e testemunhamos histórias surpreendentes de hospitalidade e generosidade. Sentimos o carinho e a atenção de quem passava por nós. Raros foram os momentos de tensão, por causa de caminhões e carros, pois, na sua quase totalidade, as pessoas nos respeitavam e se afastavam.

Com prudência e determinação, nos organizamos para dormir uma noite em cada lugar, sempre saindo por volta das 9h, depois de um belo café da manhã no hotel/pousada/casa de alguém, levando junto um lanche, barras de cereal, de proteína, maltodextrina preparada, frutas e água. Foco na próxima cidade pré-determinada, mas sempre cientes de pedalar até as 17h ou 17h30, para não transitar à noite.

Como referência, um guia que nos indicava as distâncias entre pontos. No entanto, estávamos sujeitos às dificuldades do percurso (terrenos planos, subidas, descidas, estradas de chão ou asfalto). Poucas vezes transitamos à noite, mas sempre bem sinalizados, o que garantia nossa segurança. Após o pedal, sempre um delicioso banho e passeio pela cidade.

Comida de verdade, só à noite, pois combinamos que de dia nos deixaria mais lentos. Então nos abastecíamos com nossos lanches e frutas. E à noite optávamos por sair para jantar e relaxar.

Como casal, experimentamos o desafio da convivência diária, que amadurece, estabelece novos rumos ao relacionamento, cria vínculos, sintoniza.

Como cicloturistas, ficamos um pouco desanimados com a falta de estrutura que dê suporte ao esporte e ao lazer. No entanto, surpresos com alguns lugares tão adiantados nesse sentido, como a orla de Santos.

Como indivíduos, terminamos satisfeitos pelo desafio. Projeto idealizado, sonhado, estudado e concluído. Um desafio pessoal, gratificante, de compartilhamento com os amigos e familiares, que nos apoiaram, duvidaram e, depois, se admiraram.

Fica a conclusão de que longe é um lugar que não existe. E que não existem obstáculos que não possam ser vencidos. Um dia de cada vez. Um passo na frente do outro, com saúde, determinação e foco. Devemos curtir o momento, o visual, as pessoas que vamos acrescentando a nossa “teia”. E as histórias que vamos escrevendo na nossa vida, e na das pessoas que conhecemos.

Esperamos que sejam realizadas melhorias de suporte ao cicloturismo, com ciclovias e espaços bem delimitados e sinalizados, e que campanhas sejam realizadas no sentido de orientação e divulgação das leis de trânsito, para que haja harmonia entre todos e menos acidentes.

Patricia Barcellos, 41 anos, é gaúcha (mora em Florianópolis desde 1995), tecnóloga em hotelaria, gerente de hotel. Tem duas filhas, é scuba advanced diver e cicloturista.

Maury Alexandre Vieira dos Santos, 43 anos, é carioca (mora em Florianópolis desde 2007), professor de educação física, atleta, scuba diver e cicloturista.

Por Patricia Barcellos

Fotos: Patricia Barcellos e Maury A. dos Santos