6 de novembro de 2013

Consumo Consciente

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Existem muitas formas de fazermos a diferença no mundo em que vivemos. Uma delas, com certeza, refere-se ao consumo consciente. Afinal, vamos continuar consumindo pelo resto de nossas vidas, então, que isso seja feito de maneira a produzir menos impacto ambiental, social e, é claro, para o nosso corpo. De um jeito ou de outro, fazemos parte do mercado consumidor.

Cada produto que escolhemos adquirir gera um reflexo em vários setores da sociedade e, muitas vezes, um reflexo direto em nosso próprio organismo. Para entendermos esse processo, precisaríamos buscar mais informações sobre a criação, a produção e a distribuição deles. Sem falar nos bens de serviços que também são consumíveis. Do jeito que a sociedade compra, passaríamos muito tempo pesquisando, descobrindo a origem das coisas, a ética de cada empresa, o valor real de cada coisa, e consumiríamos muito menos. Mas a realidade não é essa, e falta tempo para conhecermos mais sobre aquilo que se torna um bem de consumo para cada um de nós.

Enquanto nosso senso crítico vai sendo construído nesse sentido, podemos observar, no dia a dia, uma maneira mais inteligente e menos destrutiva de consumir.

E consumir significa decorar a casa, o escritório e o condomínio. Manter todos eles em perfeita manutenção e limpeza. Significa cortar os cabelos, tomar banho e todos os outros rituais de beleza e higiene que as mulheres adoram e que os homens começam a gostar também. Atualizar o guarda-roupa, a biblioteca e os aplicativos do smartphone. Significa manter o corpo em forma, a geladeira cheia e a mesa farta. Alimentar a cabeça com notícias, filmes e músicas. Significa irmos para o trabalho de carro ou de transporte público, a pé ou de bicicleta. Ter filhos e educá-los, ter animais de estimação e cuidar deles. Significa as próximas férias, o próximo descanso e a realização do próximo sonho.

Para fazermos a diferença, basta realizar tudo isso com consciência.

Inicialmente, é muito importante que as empresas sejam transparentes com os seus consumidores.

Muitas vezes, a propaganda vem disfarçada de notícia, como aconteceu há pouco com alguns blogs de moda. Nesse universo é comum que as blogueiras indiquem roupas, maquiagens, sapatos e acessórios com o look do dia para as internautas ávidas por uma novidade. No entanto, o Conar está discutindo se o uso de algumas marcas por essas it-girls é realmente espontâneo ou patrocinado pelas grandes empresas.

Outro problema atual são os produtos ditos sustentáveis. A corrida maluca pelo verde dá ares de se tornar insustentável. O próprio conceito de sustentabilidade está sendo consumido sem levar em conta o que realmente significa. O que vemos, muitas vezes, são empresas identificando-se como ecológicas ou verdes sem que isso seja verdade.

Em inglês, o termo usado para isso é greenwash, que poderia ser traduzido para o português como maquiagem verde. As empresas entenderam que o uso desses termos valoriza a marca e aumenta o consumo. A sustentabilidade virou moda, e moda gera consumo desenfreado.

Essa propaganda enganosa acaba gerando um consumidor com um poder de compra distorcido, já que, se tivesse sido mais bem informado, talvez não adquirisse determinado produto.

Para ter mais consciência na hora de escolher aquilo que vamos consumir, é importante saber a diferença entre alguns termos. Produto ecológico é aquele produzido com a preocupação de preservar o meio ambiente intacto. Produto orgânico é aquele obtido sem a utilização de matérias químicas que favoreçam o crescimento de forma antinatural. Produto verde é aquele que se preocupa em amenizar os impactos ambientais, incluindo também a preocupação com a nossa saúde. Produto sustentável é aquele que, na sua produção e distribuição, tem responsabilidade social, ambiental e sobre a saúde das pessoas.

O remédio é analisarmos o produto, e não a propaganda. Não toma muito tempo ler o rótulo dos bens comestíveis, por exemplo. Por lei, os rótulos devem mostrar os ingredientes que fazem parte da fórmula na ordem do elemento que mais aparece na constituição, até aquele que menos está presente. Assim, sabemos que um biscoito que tenha hipoteticamente o sal como primeiro ingrediente leva, proporcionalmente, mais sal do que farinha no seu preparo. Sabendo disso, podemos escolher alimentos com menos sal, o que poderá nos proteger de diversas doenças associadas a ele. Uma pessoa saudável realiza um consumo mais consciente e tem menos gastos futuros com remédios, consultas e exames.

Faz toda a diferença escolhermos produtos produzidos em cidades próximas à em que vivemos. Menos tempo de transporte, menos petróleo sendo consumido, menos gás carbônico sendo solto na atmosfera, pulmões mais saudáveis, cérebro mais oxigenado, coração funcionando melhor.

Na hora de escolher qualquer produto, opte por aquele que tem uma embalagem mais simples, com menos papel, plástico e tecido. Na hora de consumir água, veja se não é possível instalar um filtro diretamente em uma saída de água, ou então opte por embalagens maiores em contraposição a embalagens menores. Menos embalagens, menos consumo.

Comece a observar se aquele material de limpeza é considerado verde porque sua embalagem é reciclada ou porque ele realmente agride menos o meio ambiente. Confira se aquele eletrodoméstico consome menos energia, como a propaganda sugere, ou se ele possui mesmo o selo Procel de Eficiência Energética. Ao comprar lâmpadas, verifique se o fabricante informa o que fazer em caso de acidente, em função dos teores de mercúrio, e se os distribuidores se responsabilizam por recolher lâmpadas queimadas.

Na hora de pintar a casa, para manter um ambiente mais saudável, observe se o nível de toxidade da tinta, o COV, índice de compostos orgânicos voláteis, está abaixo dos permitidos internacionalmente, como é o caso do critério LEED. Tintas vendidas como não tendo cheiro, por exemplo, podem conter níveis tóxicos acima do recomendável. Nos banheiros, para economizar água e dinheiro, escolha válvulas de descarga com botões duplos, o que significa dois fluxos diferentes. Falando em água, por falta de informação ou porque já se tornou um mito, limpar as embalagens com água, para a reciclagem, não gera impacto ambiental, como muitos pensam.

A ideia não é nos tornarmos exageradamente cuidadosos na hora de comprar qualquer coisa, tampouco totalmente isentos de responsabilidade. Existe sempre uma forma de atuarmos na sociedade que não extrapole os limites entre ter consciência e se tornar um fanático. O escritor DeRose ensina que, em todos os procedimentos, devemos evitar os extremos. Devemos nos habituar a enxergar que, entre o oito e o oitenta, há uma quantidade enorme de alternativas.

A verdade é que iremos continuar consumido. O jeito é fazer isso com consciência e responsabilidade. Nas suas próximas compras, pense nisso e pense verdadeiramente naquilo que está adquirindo. Pense que você pode fazer diferente sem parecer ecologicamente chato, falsamente verde ou duplamente enganado.

Texto de Naiana Alberti

Professora do Método DeRose, ensina um estilo de vida que desenvolve as capacidades inatas do ser humano.