2 de setembro de 2015

Entrevista com Adriano de Souza: “Estar na liderança é bom, mas não é tudo”

262666_535902_10648948_1008161352530156_5904541644670426393_o
262666_535899_10411760_1038465286166429_1091969393710571234_n
262666_535900_10805595_1010816262264665_6383285675705707465_n

Fotos: Divulgação //

Restando meia temporada do WSL pela frente, atual líder do ranking reflete sobre primeira metade do ano e diz quais serão seus desafios no caminho para o título mundial.

Em Trestles, neste mês de setembro, Adriano de Souza (Hawaiian Dreams (HD), Red Bull, Oi, Mitsubishi, Oakley, G-Shock, CI Surfboards, FCS, Estácio, Welcome Surf Trips, All It Host) vestirá pela sétima vez a camisa amarela e se igualará a Gabriel Medina como o atleta que mais usou a lycra amarela endereçada ao líder do ranking desde que a ideia foi instituída em 2014. Além deles, Filipe Toledo também usou a camisa neste período e só Mick Fanning a utilizou durante uma etapa por conta de um critério de desempate quando estava empatado com Toledo na etapa de Margaret River.

Quem vê Adriano no topo do ranking não imagina o drama que o brasileiro passou no ano passado por conta de uma contusão que o tirou da etapa final de 2014. Às vésperas da etapa norte-americana, o atleta do Guarujá analisa a primeira metade da temporada e projeta o que espera para a reta final, uma vez que ainda é o nome a ser batido no topo do ranking na briga pelo que seria o segundo título brasileiro na WSL.

Confira o bate-papo:

Como foi seu final de ano, começo de ano? Você esperava ter começado o ano tão bem depois da seria contusão sofrida que te fez ficar de fora das etapas finais de 2014?

O final de ano foi bem complicado; na verdade não foi fácil assistir o Gabriel ser campeão do mundo de casa. Uma por que sempre lutei para ser o primeiro campeão do mundo e segundo por não estar la e dar um abraço nele por esse tao desejado título. Mas isso me deu uma grande motivação para iniciar o ano de 2015 com o pé direto e graças a Deus todo o planejamento deu certo ate o momento que seria chegar nessa fase final disputando o título. Comecei o ano muito bem, mas depois rolou uma certa pressão e posso dizer que tive uma certa dificuldade em manter o equilíbrio, mas se Deus quiser nessa reta final da California ate o Hawaii eu vou voltar a surfar como sei e como quero e tentar chegar ao meu tão sonhado titulo mundial.

Você ainda sente o joelho?

Graças a Deus não sinto mais nada no joelho. Não tenho nenhum receio de fazer as manobras e já nem lembro que tive a contusão tão seria ano passado.

Voltando ao começo do ano… Comentaram sobre a possibilidade de você não ter conseguido o visto para a Australia. Você chegou a temer por sua temporada de 2015?

Sobre o problema do cisto, realmente em um certo momento achei que não iria para a Australia. Estava muito difícil tentar explicar e ser perdoado por um erro que cometi. Eu acabei ficando mais tempo do que o visto era permitido, mas a verdade é que eu sabia que eu tinha o visto, mas não percebi a duração deste. Eu sempre peguei o visto apresentando o meu calendário de campeonatos e treinos e quando recebi o visto achei que tivesse conseguido para o período que eu havia pedido, porem não foi e isso que me atrapalhou. Mas graças a Deus que no dia que a minha passagem estava comprada para poder ir para a Austrália tive a notícia pela manha de que o meu visto tinha saído. Foi um presente que recebi do governo australiano no último minuto e talvez com isso vim tao inspirado para competir e consegui três grandes resultados.

Você sabia que os brasileiros são recordistas em usar a camisa amarela, né? Sei que você comentou que não se incomoda em perdê-la, pois o que importa é o final do ano, mas, para o Brasil e para você também, ter ela é bom, né?

É bem legal o Brasil estar liderando o circuito e mantendo um histórico com a camisa amarela e com grandes resultados, mas para o surfista em geral, estar em primeiro lugar ou não é indiferente, pois o que importa mesmo é chegar na última etapa com chances de conquistar o titulo mundial. Então o meu objetivo é de realmente chegar em Pipe com grandes chances de ser campeão mundial. Estar entre os cinco primeiros lugares, com grandes chances de conquistar o titulo será improtante. Estar na liderança é bom, mas não é tudo. O que vale realmente e o que eu quero é depois da ultima etapa: ter o meu nome em primeiro lugar.

Restando quatro etapas para terminar a temporada. O que você espera?

Acho que todas as etapas serão extremamente difíceis. Além da pressão natural, todos os atletas estão surfando muito bem. Acredito que estou em um bom ritmo, o que será um fator positivo para mim, e são etapas que ja tive resultados expressivos. Na California já tive um terceiro lugar, em Portugal já ganhei, na Franca já fiquei em terceiro, também…. Lógico que isso não significa nada, mas para me motivar e saber que se eu conseguir nesse ano de 2015 esses resultados que ja consegui obter no passado chegarei com grandes chances em Pipe de conseguir meu primeiro título mundial. Mas claro que competir não é tao fácil como falar, mas espero ir bem e com certeza atingir meu objetivo.

Para terminar, não vamos falar desse ano, pois você esta disputando um titulo, mas se tivesse que dar três nomes para futuros campeões brasileiros – tirando você e o Medina – quem vc acha que o mundo do surfe deveria se preocupar?

É bem complicado de falar nos dias atuais quem será o proximo atleta. O Brasil hoje está numa fase que cada dia que passa escutamos uma nova revelação surgindo, o que é muito bom para o surf. Mas hoje na atualidade o Filipe é o cara que pode ser campeão do mundo não somente esse ano mas também nos próximos anos. Ele esta com um surf afiadíssimo. O Gabriel também é outro que esta voltando ao nível dele do ano passado, surfa muito e com certeza poderá ganhar outros títulos mundiais também. Então eu acredito que o surf nacional ira se concentrar nesses dois nomes como os grandes talentos do Brasil nos próximos cinco anos com certeza.