Expedição Inédita no Rio São Francisco

Imagem: Divulgação //

Um contraste entre as belezas e o descaso que vive o Velho Chico.

O piloto de aventura Lu Marini concluiu, no último dia 22 de setembro, a missão de sobrevoar com Paramotor toda a extensão do Rio São Francisco.

Foram mais de 2.800 quilômetros passando por 5 estados e 520 municípios até o pouso no destino final, que aconteceu por volta das 8 horas na foz do Rio São Francisco, entre os estados de Alagoas e Sergipe.

Durante a expedição “Rastreando o Rio São Francisco”, que teve início no dia 25 de agosto na cidade de São Roque de Minas, onde nasce o rio, foram registradas imagens inéditas da situação atual de um dos mais importantes cursos d’água da América do Sul, e que enfrenta a pior seca dos últimos 100 anos, além de relatos importantes de quem vive do rio.

“A situação é realmente muito séria. O nível do rio está muito baixo. Fiquei impressionado com o volume reduzido das represas e como o problema da seca tem afetado a população ribeirinha. Eles não têm peixe para comer e com a falta da vazante do rio, eles não podem plantar. O descaso ambiental é absurdo. Cheguei a sobrevoar um lixão a céu aberto às margens do rio, e mais de 80% da mata ciliar foi destruída”, comenta Lu Marini.

Mas não foram só problemas vivenciados por Lu Marini. Se de um lado as dificuldades dos ribeirinhos chamaram a atenção, de outro, imagens belíssimas como quedas d’água e cânions foram contempladas pelo piloto.

“Tive a oportunidade de ver uma das mais belas paisagens naturais do Brasil sobrevoando a primeira cachoeira do rio com 186 metros de queda livre e os Cânions do Xingó”, explica Lu Marini.

Na cidade de Cabrobó (BA), Lu Marini foi recebido pelo Cacique da tribo indígena Truká, depois de sobrevoar o eixo norte da transposição do rio São Francisco, uma obra polêmica que fica ao lado da ilha habitada por mais de 5.000 índios.

“Saber a opinião da comunidade indígena sobre a transposição e como eles enxergam os problemas do rio, foi muito importante. Além de conhecer mais sobre a cultura indígena e ter a oportunidade de participar de um ritual religioso”, relata o piloto.

Todo o material captado durante a aventura fará parte de um documentário e um livro sobre a expedição. “Quero dar um presente para o ‘’ Velho Chico” que completa, no próximo dia 4 de outubro, 514 anos desde a sua descoberta,” finaliza o piloto.

https://www.youtube.com/watch?v=cWsdhFMCrPI

Sobre o Lu Marini

Reconhecido mundialmente através de suas aventuras, Lu Marini é piloto instrutor sênior de Paramotor com larga experiência no esporte. Instrutor da Marinha do Brasil, recordista continental e único piloto do mundo a sobrevoar um vulcão ativo a mais de 5.000 metros, o atleta já enfrentou diversos desafios, entre eles sobrevoar a floresta amazônica, cruzar o litoral do Brasil e enfrentar as dificuldades no Pantanal Selvagem em sobrevoos arriscados.

Recentemente, sobrevoou toda a extensão do rio Tietê, o mais poluído do País, em uma expedição que durou 20 dias. Pela sua contribuição à aviação e divulgação positiva dos esportes aéreos, em 2009 Lu Marini foi homenageado pela Força Aérea Brasileira.