Inspiração de sobra para Roger

Foto 1(color): Pere Puntí/Mundo Deportivo  // Foto 2: Reprodução Twitter Oficial do Ronaldinho Gaúcho  //

Por Aline Delfim

De Barcelona, peguei a estrada rumo a uma cidadezinha próxima a Valência. O trecho era longo, e na tarde quente de uma terça-feira, me esperavam exatos 186 km. Meu objetivo era único, e depois de tanto me cativar, Roger foi o motivo principal pra minha auto escalação a essa missão.

Ansiosa para conhecer um menino de apenas 8 anos, que já se destaca no meio de tantos outros do seu tamanho, o que realmente fez possível essa reportagem, não foi só o fato da grande semelhança física com um dos craques do futebol. O que me deixou segura para poder elaborar uma boa matéria, foi poder diferenciá-lo das outras crianças por sua maturidade, que através da determinação e da disciplina, o menino vem desempenhando um papel exemplar como pessoa, dentro e fora de campo.

O garoto é apaixonado por futebol, e seu sonho é poder seguir o exemplo daquele que já foi rei no Barça. Mas não foi a admiraçao pelo ídolo que o levou a escolher a carreira de jogador, e ao contrário do que pensam, a referência de ter seu nome vinculado ao de Ronaldinho Gaúcho, no qual sua extrema similitude física ao “ex-blaugrana” é indiscutível, só lhe deu ainda mais certeza pra continuar levando-o adiante.

Roger começou sua trajetória futebolística com 5 anos de idade, num clube de terceira divisão do município catalão de Sant Carles de la Ràpita (Tarragona), onde já conseguiu vários títulos em sua carreira, com a categoria mirim da Unió Esportiva Rapitenca.

Catalão, filho de pais brasileiros, o menino leva no sangue a paixão pelo esporte e, ao mesmo tempo, herdou as destrezas de seu pai Reinaldo, que quando jovem, já jogava futebol, começando sua carreira como jogador profissional de segunda divisão, depois de ter vivenciado uma importante fase nas categorias juvenis do Santos FC.

O pai passou do Paulista ao Reus

Há quinze anos a família do “mini craque” mudou os costumes brasileiros para que Reinaldo, o pai, conseguisse dar ênfase em sua vida como jogador profissional em terras espanholas, deixando seu atual clube da época, o Paulista Futebol Clube, de Jundiaí, para escolher Catalunha como o país de novas oportunidades laborais, já que deixara tudo no Brasil pela contratação de seu passe que vinha a ser feito pelo CF Reus Esportiu.

Graças a dedicação, paciência e uma verdadeira paixão pelo futebol, Roger aproveita toda a experiência de seu pai para seguir seus passos no futuro e durante as férias é o próprio Reinaldo quem o treina. O sócio do pai, Hércules Sena, exerce também a função de agente do pequeno craque, no qual já diz ter falado com alguns treinadores da base do FC Barcelona, que afirmam estar interessados no “mini Ronaldinho”.

– É fundamental que meu filho esteja bem preparado para quando chegue o momento de qualquer clube chamá-lo. O mundo não precisa saber quem é Roger, mas gostaria, ao menos, que um clube pudesse lhe dar uma oportunidade no futebol catalão, e nada mais gratificante se esse fosse o Barcelona, reforça o pai.

– Sou culé “desde pequeno”

Fora sua surpreendente semelhança com Ronaldinho, lhe une outro grande paralelo: sua habilidade e dotes com a bola, e segundo suas próprias declarações, a similaridade lhe motiva para continuar jogando.

– Sou culé e “desde pequeno” (risos) sou louco pelo Barça… Inclusive, tenho muita vontade de jogar lá um dia. Me parecer ao Ronaldinho Gaúcho –que sempre foi um dos meus ídolos como jogador de futebol internacional – ainda me dá mais força para que esse sonho se converta em realidade, afirma o pequeno, que tem o Neymar como seu atual ídolo.

Um dos seus passatempos preferidos é ligar a televisão no canal Barça TV, e  dessa maneira  que ele vem conhecendo a historia de todos os grandes craques brasileiros que já vestiram as cores azulgraná. Mas, com um típico espírito ‘brasileirinho’, sua torcida não se limita somente ao futebol espanhol. Sua paixão cruza todo um oceano até seu verdadeiro amor: um time paulista chamado Corinthians, cuja devoção já é tradição na família Rocha.

O pai, Reinaldo, explica que “essa ‘loucura’ pelo ‘timão’ vem dos meus pais. Minha mãe e meu pai eram desses corintianos muito fanáticos, de escutar todos os jogos pela radio, agarrados a bandeiras e faixas do clube. Os filhos saíram corintianos também”. E agrega que “no caso do Roger, desde o início já se notava sua afinidade com o alvinegro. Claro que, de alguma maneira, fui eu quem o influenciou, mas como carregamos nas veias a fidelidade pelo Corinthians, ele é um a mais de seus fieis”, conclui Reinaldo.

Nos despedimos desta simpática criança com os melhores votos pra que seu sonho se faça presente o mais breve possível, enquanto Roger, com sua “parceira” debaixo do braço, torce pra que algum dia, nele, nasça um novo Ronaldinho a dar muitas alegrias ao torcedor barcelonista.