6 de novembro de 2013

Kitesurf Radical

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Por Claudio Golgo

De um punhado de malucos no Hawaii ao esporte a vela mais rápido do mundo.

O kitesurf é um esporte recente que surgiu oficialmente em 1998, quando os irmãos Legaignoux, franceses, chegaram a um protótipo de pipa inflável, com sistema de cabrestos, que conseguia, com muito esforço, andar em contravento. Isso possibilitou que com vento, uma prancha nos pés e um kite nas mãos fosse possível ir e voltar ao mesmo lugar: velejar. Dos primórdios até os dias de hoje, o esporte passou por algumas transformações e modismos, chegando a sua maturidade há cerca de 4 anos. O kitesurf combina elementos e manobras de wakeboard, snowboard, skateboard, surf e windsurf. Hoje existem duas vertentes do esporte: uma onde as manobras são free-style e a outra em que o objetivo é surfar as ondas rebocado pelo kite.

Em 1998 surgia a marca pioneira Wipika, dos irmãos Legaignoux. Logo foi seguida pelos havaianos da Naish (1999), os californianos da Caution (1999), os ingleses da Flexifoil (1999) e os franceses da F-ONE (1999). Depois viria a famosa marca Cabrinha (2001), também a Slingshot (2001) e a North Sails (2002). Depois ainda vieram muitas outras marcas que fizeram sucesso. Atualmente então, nem se fala! Como o esporte se popularizou, hoje em dia o pessoal vai para a China e “cria” um kite no computador. Coloca uma serigrafia bacana e monta com componentes das outras marcas. Coisas do mundo moderno.

Como a maioria dos esportes radicais, este também começou no Hawaii e na Califórnia e partiu para o mundo. Dos primeiros dias em Kite Beach Maui e nas ondas da Califórnia, mais de dez anos passaram, surgindo kites com novos materiais e modelos mais leves, seguros e eficientes. Quem ainda não viu um kite na praia, enchendo os céus de beleza e colorido? Das ondas do Cassino às de Torres, passando por Imbé e Atlântida.

Uma curiosidade é exatamente o recorde de velocidade. O kite é uma espécie de parapente feito para tracionar o atleta em cima de uma prancha na água, não para manter voando. Por isso diz-se que o praticante é um velejador. Mas essa definição sofria contestação por parte de alguns órgãos reguladores, como a ISAF (International Sailing Federation), que defendia o fato de ser necessário conexão entre a vela e a embarcação. No kite, a conexão é o próprio velejador. Esse fato veio à tona quando a busca pelo recorde mundial de velocidade mostrou ao mundo que um novo e forte tipo de competidor havia quebrado a barreira dos 50 knots. Em uma competição disputada por barcos de milhares ou até milhões de dólares (como o barco dos velejadores australianos Simon McKeon e Tim Daddo, o Macquarie Innovation), com fibra de carbono e tecnologia espacial, o destaque era um velejador com um simples kite de série, com um investimento total ao redor de U$ 2.000.

Em 4 de outubro de 2008, na Namíbia, o recorde mundial de velocidade a vela foi batido por Alexandre Caizergues, com um kite F-One. O kite passou a ser o elemento a vela mais rápido do mundo, com incríveis 50,57 knots (93,66 km/h). Apenas em dezembro de 2008 a ISAF veio a reconhecer o kite como uma classificação de esporte a vela e assim reconheceu e aceitou com sendo da categoria o atual recorde de velocidade.

Isso não afetaria em nada o esporte escolhido por cerca de mais de um milhão de praticantes. O que importa no esporte não é o recorde de velocidade, mas sim o puro divertimento, facilidade e variedade de opções que proporciona. Todo o equipamento necessário cabe no porta-malas de um carro compacto, pode ser praticado em quase todo local com água, vento e espaço livre. O Brasil tem mais de 8 mil km de costa, além de infinitos lagos, lagoas e rios. Pode ser praticado no inverno e no verão, dos 12 aos 90 anos, por homens e mulheres. Basta saber nadar, procurar um instrutor e fazer um curso.

O esporte possibilita a integração com a natureza e o desenvolvimento da consciência ecológica, pois usa do vento e recursos naturais para a prática. E ainda oferece oportunidade de conhecer alguns locais até então inacessíveis. O Brasil possui algumas das mais belas praias do mundo, as Kite Trips são infinitas possibilidades de conhecê-las. É um esporte radical que pode ser praticado com muita segurança.

Locais para velejar no sul do Brasil:

Ipanema/RS

Varzinha/RS

Tramandaí/RS

Imbé/RS

Capão da Canoa/RS

Atlântida/RS

Torres/RS

Lagoa de Osório/RS

Lagoa de Capão da Canoa/RS

Lagoa de Bacopari/RS

Balneário Gaivota/RS

Laguna e região do Farol de Santa Marta/SC

Praia do Sol até Imbituba/SC

Ibiraquera/SC

Florianópolis/SC

Itapema/SC

Algumas Escolas:

Comarú: (51) 8438-5810 – Atlântida/RS

Leandro Cardozo: (47) 9914-0410 – Itapêma/SC

Luis Otávio: (51) 8428-3770 – Varzinha/RS

Peterson: (48) 9625-2678 – Laguna/SC

Rodrigo Xopim: (51)9971-3025 – Poa/RS

Torero (Marcelo): (48) 9982- 3666 – Floripa/SC