6 de novembro de 2013

Kitewave

21-01-img_0495 - copy
21-02-img_1637
21-03-img_2217

PACASMAYO: O PARAÍSO DO KITEWAVE É AQUI

Quem é surfista sabe que o Peru tem ótimas ondas, não é mesmo? E também sabe que a onda peruana de Chicama é uma das mais longas esquerdas do mundo. Mas nem todos sabem que pertinho dela tem uma praia com esquerdas tão longas e perfeitas quanto Chicama, maiores e mais versáteis. A esquerda de El Faro, em Pacasmayo, é uma onda que podemos classificar como de classe mundial. Como sugere o próprio nome, Pacasmayo recebe, a partir de maio até novembro, uma frequência incrível de ondulações oceânicas que atravessam o Pacífico e resultam num espetáculo de perfeição a toda prova. Nos dias realmente bons, você poderá surfar quase dois minutos a mesma onda, por mais de um quilômetro! Em dias regulares, a onda supera 500 metros de extensão tranquilamente. Se você começa a gostar do que está a ler por aqui, se prepare. Tenha certeza de que um bom preparo físico é o requisito fundamental para uma visita a esse incrível lugar de ondas e mistérios, onde suas pernas e braços serão exigidos ao limite.

Pacasmayo vai além das ondas e abriga também sítios arqueológicos que remontam aos primórdios da civilização no continente sul-americano. Pacasmayo é uma cidade muito antiga, criada a partir da construção de seu porto, em 1785, e repleta de atrações que nós, amantes dos esportes aquáticos, por vezes esquecemos. A zona arqueológica de Pakatnamú está a cerca de 14 km do centro da cidade, ao norte da boca do Rio Jequetepeque, e revela ao visitante o legado de uma rica civilização em que dezenas de pirâmides se destacam e convidam a conhecer mais sobre seus antigos habitantes.

Para surfar El Faro em condições excepcionais, você precisará dar um primeiro passo: mapear um bom swell que atravessa o Pacífico trazendo consigo ventos capazes de proporcionar excelentes condições para kitewave e windsurf nas ondas. A segunda coisa é comprar passagens e buscar sua hospedagem. A TACA Airlines é perfeita e faz voos diretos de Porto Alegre a Trujillo, com uma paradinha em Lima. O terceiro passo é a escolha do período de estadia, para hospedar-se no melhor lugar, em El Faro Resort (www.elfaropacasmayo.com), sob a batuta do amistoso Jaime Rojas Melgarejo. Você poderá fazer tudo isso sozinho, mas se quiser ter menos trabalho e fazer novos amigos em uma excepcional surf ou kitetrip, a melhor escolha é ligar para a Kitesul (www.kitesul.com.br) e programar sua viagem com uma equipe experiente nessa atividade. Você precisa conhecer Leo, Gui e Alemão, e assim saberá estar na melhor companhia para essa aventura incrível. Isso significa que você partirá de Porto Alegre sabendo que irá curtir as ondas, a culinária e a cerveja local dando boas risadas com amigos Você entrará literalmente no clima de surfe peruano, enquanto profissionais cuidarão das suas passagens, estadia, fotos/filmagens, assessoria técnica para kitewave, resgate com jet ski, transporte até o pico e ao aeroporto.

Neste ano foi realizada a quinta e mais numerosa expedição da Kitesul rumo a El Faro. Uma fila
incomum de volumosos sarcófagos recheados de equipamentos entupiu o check-in no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, na madrugada do dia 5 de maio. Dalí embarcaram 25 amigos fissurados pela mistura de ondas surreais e ventos caprichosos, para um período de ação inesquecível num cenário de deserto lunar à beira-mar. Em Pacasmayo quase nunca chove. Assistir à chuva por ali é tão raro que, talvez, se acontecer de você presenciar uns pingos caindo no solo, seja esse um sinal de sorte.

É bem verdade que em Pacasmayo a palavra sorte parece ser uma constante. Porque muito constantes são as ondas emolduradas numa perfeição que não enjoa. E elas ainda podem ser surfadas sem localismo e com poucos surfistas na água. O céu é limpo, em geral. Quando falta vento, uma névoa persistente toma conta da região e é a coisa mais úmida que poderá ocorrer na sua estadia. Em Pacasmayo a lua cheia e o pôr do sol alternam-se em alta definição, para serem clicados com os olhos ou serem eternizados com a câmera do fotógrafo Harleyson de Almeida, que teve participação especialíssima na expedição, registrando toda a ação e até os movimentos das aves marinhas! Os brasileiros são habitualmente recebidos pelos peruanos com simpatia contagiante e festejados como irmãos.

Uma vez hospedados no El Faro Resort, incorporamos o ritmo do lugar e a sensacional rotina de comer e beber bem, dormir na medida certa para acordar muito cedo e com disposição para enfrentar uma máquina de ondas extremamente longas, entre 6’ e 8’, que não fecham nunca e têm período de série de 18 segundos. Surfar pela manhã era a melhor pedida, porque quase não havia vento e o mar ficava um espelho. À tarde o vento entrava com pressão e chegava a vez do kitewave, sem prejuízo nenhum ao surfista. Havia espaço para todos; no entanto, dessa vez, surfistas e kitesurfistas dividiam o line-up. Não sabíamos mais para qual esporte o mar estava melhor! O fim de cada dia era um êxtase. E a cada noite de sono, rolos de filme com ondas surfadas por minutos sem fim passavam nos sonhos de cada um repetidas vezes até o amanhecer, quando tudo recomeçava.

O jet ski pilotado pelo nosso braço-direito Perico, além de fazer resgates, reposicionava cada surfista na onda certa, tornando a experiência de surfar Pacasmayo muito proveitosa e segura. No kitewave os mestres Leo, Gui e Alemão deram um show com manobras extremamente plásticas, mostrando o caminho da felicidade na rampa infinita de El Faro! Todos aproveitaram inteiramente os dez dias em cada modalidade esportiva praticada: surfe, stand-up paddle ou kitewave – e claro, aperfeiçoando a leitura das ondas e o posicionamento correto num spot que virou roteiro anual obrigatório para quem deseja evoluir em estadas curtas e intensas sem errar na escolha e no tempo dispendido.

Pacasmayo não tem ruim! Aloha!

Texto de Otavio Sartori Dutra.