Multiatleta e médico orienta sobre os riscos e benefícios da Pesca Sub

Fotos: Divulgação //

Em ano de Olimpíadas, não apenas modalidades participantes da competição ficam em evidência. Com a prática do esporte em foco, as pessoas descobrem modalidades novas para se exercitar e, quem sabe, se apaixonar. O médico e multiatleta Fernando Mourão pratica nada menos do que 18 esportes radicais, sendo uma das referências deste tipo de programa em todo o país.

Uma de suas especialidades é a Pesca Sub, a qual o esportista passou duas semanas na Bahia, embarcado por três dias com saídas de lugares diferentes – Caravelas e Nova Viçosa – para mergulhar na região dos Abrolhos, apenas neste mês de abril, praticando o esporte, além de uma rápida passagem por Linhares, também para mergulhar. Na experiência, inclusive, Fernando Mourão conta que a prática é pescar para se alimentar, doando o que for pescado a mais para moradores locais.

“O legal de ficar tanto tempo assim no mar é que assim dá para procurar vários pontos diferentes de pesca, até achar um local melhor para se divertir. Normalmente fazemos umas compras antes, caprichando em frutas, isotônicos e alimentos saudáveis e leves! O cozinheiro é excelente, nunca deixando de fazer uma boa moqueca de peixe com camarão. Sempre doamos o que pescamos a mais para os moradores de localidades próximas, ajudando a família com algo que fazemos para nos divertir”, explicou Fernando Mourão.

Por ser um experiente atleta da modalidade, Fernando Mourão atenta para os riscos do esporte, caso o praticante não esteja devidamente preparado, exaltando a importância de um curso de preparação para Pesca Sub, no qual se aprende a respeito dos cuidados e prevenção. Além disso, o multiatleta destaca que há cursos e professores capacitados em diversos lugares do país, que fecham turmas por regiões, sendo importante para evitar qualquer tipo de acidente embaixo d’água.

“Entre todas as modalidades de pesca, a Pesca Sub é a mais seletiva de todas, sendo a única que permite apenas observar. O mergulhador tem alto poder de seleção, escolhendo atirar apenas no peixe que deseja capturar. É também a única modalidade de pesca que tem contato direto com o fundo dos rios, nos tornando responsáveis em cuidar desse novo ecossistema. É costume do pescador sub limpar lixos, latas de cervejas, restos de rede e qualquer objeto jogado pelo ser humano. Eu mesmo já perdi a conta de quantos peixes já soltei ao vê-los agarrados em restos de redes abandonadas no fundo dos rios. Lógico que tudo depende do praticante também, por isso tenho trabalhado muito nessa questão de despertar nas pessoas consciência ambiental e respeito com a natureza”, afirmou o multiatleta.

Diferença de Pesca Sub em água doce e salgada

Porém, quem acha que é só fazer um cursinho e cair na água em qualquer lugar está muito enganado. Pesca Sub em água doce e em água salgada é bem diferente, tanto nos tipos de peixes encontrados, quanto nas técnicas utilizadas pelos mergulhadores. Com isso, obviamente que os cuidados tomados também precisam ser diferentes em ambas as práticas esportivas, como o multiatleta Fernando Mourão explicou:

“Já mergulhei em rios que o mergulho é bastante profundo, passando dos 20 metros de profundidade. Os maiores perigos são as redes e anzóis no fundo, e, dependendo do lugar, também temos que ficar de olho em jacarés, arraias de água doce, peixe elétrico, sucuris, e ariranhas. Devemos sempre ficar atento a embarcações, atropelamentos podem ocorrer.

Já o mergulho no mar, normalmente ficamos embarcados em alto mar. É um mergulho mais sério, devido a grande profundidade dos mergulhos. É preciso bastante trabalho mental, muita concentração e preparo físico, mas também é um mergulho maravilhoso, afinal nunca sabemos o que pode aparecer la no fundo! Os maiores perigos são, sem dúvidas, em primeiro lugar o afogamento por desmaios, devido a profundidade exagerada dos mergulhos. Cuidados com tocas, para não ficar preso no fundo, hipotermia, embarcações e redes. Para os curiosos, tubarão está longe de ser considerado um perigo para o pescador sub, casos de ataques são raríssimos”, finalizou.

Paixão que vai virar filme

Do gosto pela aventura e natureza, Fernando contratou a KC Produções para desenvolver o projeto Ramahuu, um documentário no qual ele e um grande amigo vão praticar esportes radicais na região entre Amazonas e Roraima. Lá, vão aos extremos, como mergulhar ao lado do jacaré açu, maior predador da América Latina. “Vamos registrar animais maravilhosos que vivem nesse ecossistema fascinante, desde araras, macacos, botos, onça pintada, peixe boi e outros animais silvestres menos conhecidos. Nosso objetivo é ir onde ninguém ousou gravar”, pontua.