6 de novembro de 2013

Old Skate


 

Terapia, adrenalina e superação! Essas três palavras resumem a sensação que as manobras radicais da prática do skate proporcionam a um grupo de mais de 20 companheiros – que se encontram frequentemente aos sábados e domingos (no total, a turma já passa dos 60 integrantes) – que, mesmo que nunca tenham se visto antes, convivem praticamente todos os finais de semana desde cedo da manhã até depois das 10h ou 11h, na pista do Parque Marinha do Brasil, localizado no bairro Praia de Belas, na zona central da capital gaúcha. Além de juntar amigos que já se conheciam de outros lugares, como trabalho ou vizinhança, os integrantes não fazem a menor distinção entre quem já é assíduo na turma ou quem recém chegou, pois alguém agregar-se à trupe é o que mais acontece. “Todas essas pessoas se encontram na pista, e vira um grande grupo, uma fraternidade”, comentou um de seus integrantes, Luciano Bergesch, arquiteto, 39 anos, natural de Bergeschitiba (PR), porém praticamente um porto-alegrense nato, já que mora na cidade há 33 anos.

Apesar de manobras radicais, muitas descidas e subidas de um lado ao outro da pista, entre as particularidades desses skatistas inveterados está a faixa etária, que varia de 33 a 50 anos – ou seja, eles já passaram há muito tempo da adolescência! Mas agilidade, animação e disposição pode-se dizer que têm como se fossem garotos de 18 ou 20 anos, não interessando se a temperatura do dia está zero ou 40 graus. “Sábados e domingos, no turno da manhã, é o horário dos tios!”, destacou o bem-humorado Luciano, que aprendeu a andar de skate ainda criança. Ele afirma, sem medo de errar, que, para a trupe frequentadora da pista do Marinha, a emoção, a diversão e o simples ato de fazer amigos por causa do esporte têm a mesma intensidade do que na época em que eram meninos!

“Há aproximadamente dois anos, a pista do Marinha é um ponto de encontro comum, não precisa combinação prévia – mas, quando o destino é outro, costuma-se comunicar os amigos que estiverem disponíveis; assim visitamos outros locais conhecidos, desde lombas em diferentes bairros ou pistas particulares existentes em Porto Alegre. A modalidade que o grupo pratica chama-se snake run e consiste em percorrer toda a extensão da pista subindo e descendo alternadamente suas paredes. Para isso, é necessário desenvolvermos boa velocidade e equilíbrio sobre o skate, o que não é fácil”, enfatizou Luciano.

Quanto à questão de um preparo físico especial, o skatista evidenciou que todo esporte chamado de radical recebe esse adjetivo devido ao risco envolvido, e correr riscos de maneira responsável depende da habilidade de cada um (e, obviamente, de uma preparação física adequada). “O praticante de 40 anos já não tem a mesma agilidade e flexibilidade da gurizada, portanto, um aquecimento prévio ajuda a evitar surpresas desagradáveis na pista, assim como um alongamento posterior evita possíveis desconfortos musculares”, acrescentou ele, conversando com a equipe da SPORTS MAG e de olho na pista e nas manobras dos companheiros.

Outro integrante do grupo, o porto-alegrense Gustavo Knetig, contador da Fundação de Ciência e Tecnologia, 31 anos, disse à reportagem da SPORTS MAG que, para ele, andar de skate é uma sensação única. “Descer a pista do Marinha fazendo as curvas, pegando velocidade, escutando o som das rodas e subindo as paredes, só mesmo dropando lá para saber o quão alucinante é! Nosso intuito com o snake é descer a pista o mais rápido possível e subir as paredes o mais alto possível também!” Esse “viciado” por skate, como ele mesmo se denomina, aprendeu a prática quando ainda era moleque. “Aprendi na rua, batendo manobras. Eu curtia construir caixotes e gostava de corrimões. Naquela época eu era fã do skate pequeno, o street, e o Marinha não me interessava muito. Mas hoje tenho certeza de que era porque eu nunca tinha dropado lá na pista de snake. Depois que resolvi experimentar, adorei e não saio mais de lá nos fins de semana!”

Vestimenta e segurança – Os praticantes dessas manobras radicais recomendam, para dropar nas pistas, roupas leves e confortáveis, que não atrapalhem no equilíbrio nem nos movimentos. “O ideal é bermuda e camiseta. O tênis deve ser de solado baixo, o que facilita o posicionamento correto dos pés sobre o skate, reduz o ponto de equilíbrio e ainda ajuda a evitar entorses de tornozelo”, enfatizaram Luciano e Gustavo. Quanto aos equipamentos de segurança necessários, o mínimo a ser usado, ressaltaram eles, são quatro itens: capacete, joelheiras, cotoveleiras e protetores de punho. Os riscos não são totalmente eliminados, porém pode-se minimizar bastante os danos de uma possível uma queda. “Contudo, tão importante quanto usar os equipamentos certos, é cada um conhecer o seu limite no esporte e agir com prudência. A gente sempre evolui, mas tudo tem que ser de forma gradual, um pequeno desafio de cada vez, e não dois pequenos ou um grande”, evidenciaram eles.

Acidentes – “Já tive alguns acidentes de skate na pista, que me renderam algumas cicatrizes, mas nada muito grave. Inclusive, no primeiro dia em que eu usei capacete, sofri uma queda e bati a nuca no chão. Como eu estava com o equipamento, não me machuquei feio. Daí a importância de usar os itens de segurança”, destacou Gustavo.  Luciano também já se acidentou e afirmou que a experiência não foi nada boa. “A batida doeu mais do que a pele arrancada. Foram semanas com aquela sensação ruim de dor. Aprendi na marra a ser mais prudente. Hoje posso dizer que tenho a cabeça feita sobre o skate!”

Por Andréa Spalding

Fotos: Luciano Bergesch